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OI Internet ūüôā

Acho que voc√™s sabem que h√° um tempo eu ando tentando trazer a proposta do Rol√™ Cult pro blog. A minha id√©ia √© simples: Visitar um lugar diferente, um lugar cultural, fazer uma nova atividade, qualquer coisa e depois vir aqui contar minha experi√™ncia e compartilhar com quem quiser. O meu desejo seria que isso animasse voc√™s a tamb√©m experimentarem novas coisas, lugares, id√©ias, etc.. e espero que isso tenha acontecido ao longo desse √ļltimo ano.

MAS, no ano de 2018 eu vou mudar as regras!!

Eu quero manter a proposta de sempre. Ainda vou continuar buscando contar tudo sobre cultura para vocês mas agora vou me desafiar e quem sabe vocês também não façam o mesmo!

Meio inspirado pelo #desafiocinematográfico, serão 18 roles ao longo do ano de 2018 e cada um com uma proposta diferente, mas eu prometo sempre mostrar tudo que for possível aqui com exclusividade.

Eai? Voc√™s encaram o desafio? ¬†Quem sabe a gente n√£o se v√™ por a√≠ em um role cult ūüėČ

Segue abaixo os itens pra vocês imprimirem, compartilharem e também desafiar os amigos. Por fim estou colocando a tag #rolecult assim temos um lugar para conversar.

Sem mais delongas eu apresento… RUFEM OS TAMBORES…..

Assim como fizemos para o desafio de 52 filmes, criamos um planner, onde você irá poder fazer se organizar, e terá um espaço dedicado para anotar suas experiências mais marcantes.

Download disponível por aqui.

Eai? Gostaram do dia 13 ser um desafio? Que tal levar um pouquinho de cultura e diversidade ao longo do ano? Topa? Ficou alguma sugestão para o rolê cult que você gostaria de ver aqui? Não perde tempo e conta pra gente!!

Compartilhe o desafio! Corra atrás de novas experiências!

Oi internet tudo bem?

Antes de tudo, lembrem- se disso. Ser√° importante em breve…

Disparate: (subst. masc) 1. dito ou ação ilógica, absurda ou fora da realidade; contrassenso, desconchavo, despautério. 2. tolice, asneira.

J√° que o tema do m√™s s√£o hist√≥rias de terror, nenhuma delas √© pior que as hist√≥rias reais. Ainda mais quando pintadas pelas m√£os do espanhol Francisco Goya. Est√° em cartaz no Caixa Cultural de S√£o Paulo (e eu fui l√° ver ) a exposi√ß√£o “Loucuras anunciadas” que √© composta de uma s√©rie das √ļltimas gravuras feitas pelo pintor espanhol por volta de 1832. Goya na s√©rie dos disparates (ou loucuras, ou follies) assume a t√©cnica das “gravuras negras” compondo suas obras essencialmente pela contraposi√ß√£o do branco e do preto. Desta forma, ele cria uma atmosfera macabra e sombria onde habitam figuras monstruosas e verdadeiras encarna√ß√Ķes de pesadelos.

Em essência, através destas figuras, Goya anuncia sua loucura ao mundo são. Os monstros que ora aparecem oníricos, tem sua faceta na realidade. A estranha figura de duas faces é uma alegoria aos traiçoeiros e infiéis do tempo que o autor viveu. Ironicamente, ninguém cortou tão profundo no século XIX (o chamado século das luzes) que Francisco Goya com suas loucuras encarnadas no papel.

Nos informa a curadoria, que as figuras contam uma hist√≥ria, dos homens ensacados √° figuras com apar√™ncia grotesca ou enorme e por fim o voo de bal√£o rumo aos c√©us claros que encerra a cole√ß√£o. Goya faz desfilar suas loucuras ao fim de sua vida, inclusive colocando a si pr√≥prio e sua alma se tornando desencarnada em um dos quadros. Nada mais assustador que se ver encarnado em um mundo sombrio de ang√ļstias e disparates.

Inclusive, devemos aqui, caro leitor, pensar no uso da palavra disparate, que tanto reaparece e contextualiza esse mundo que se apresenta ensandecido:

‚ÄúDisparates √© uma s√©rie de loucuras anunciadas de dif√≠cil interpreta√ß√£o, vis√Ķes on√≠ricas, viol√™ncia, sexo e deboche das institui√ß√Ķes relacionadas com o regime absolutista, cr√≠tica aos costumes e ao clero, pontuados por alguns momentos de j√ļbilo. (…) Os disparates s√£o uma cr√īnica visual onde a emo√ß√£o se esparrama no tra√ßo pulsante e voluptuoso como uma hemorragia‚ÄĚ (Mariza Bertolli – Curadora)

Do resto, fora os arrepios e a faceta amedrontadora das imagens, que ficam expostas na primeira sala, a exposição conta ainda com outras duas. Nas duas salas seguintes o visitante é convidado a externalizar suas próprias loucuras (ou só curtir um momento para se fantasiar) através de máscaras, como aquelas populares de longos bicos, e sacos sendo possível mergulhar de cabeça naquela arte que se mostra tão assustadora porém tão necessária.

Por fim, j√° que se responder a quest√£o proposta pela curadoria “√Č poss√≠vel anunciar loucuras?”. A princ√≠pio f√°cil a quest√£o convida o espectador a pensar, quais loucuras? De quem? Anunci√°-las aos sete ventos? Ou somente para si mesmo? Tais quest√Ķes s√£o cruciais para compreender os disparates que desfilam por essa obra de Goya, que contam uma das mais macabras hist√≥rias, a hist√≥ria real da humanidade.

Goya √© uma forma perfeita de comemorar uma data t√£o trevosa, seu gosto pelo macabro surreal e obscuro n√£o √© sem prop√≥sito, por√©m vem acompanhado de pensamento e reflex√£o. E se voc√™s gostaram da obra exposta aqui, procurem tamb√©m outra s√©rie do mesmo autor chamada “Os Caprichos” (1799) ali os monstros que povoam a mente dele parecem vir ainda mais a tona.

Infelizmente, tamb√©m tenho que trazer m√°s not√≠cias, a exposi√ß√£o se encerra agora no dia 29/10 por√©m ainda d√° tempo de conferir “As Loucuras Anunciadas de Francisco Goya” se voc√™ gosta e puder dar um pulo l√°, eu recomendo, a exposi√ß√£o √© pequena e ir√° com certeza melhorar seu dia.

A exposi√ß√£o, como dito, est√° em cartaz at√© 29/10 na Caixa Cultural (Pra√ßa da S√©, 111 – S√©, S√£o Paulo – SP ), logo ali perto do metro S√©. A entrada √© livre, n√£o custa nada e √© para todos os p√ļblicos. Vale tamb√©m dar uma volta pelo pr√©dio hist√≥rico da ag√™ncia banc√°ria e pelas outras exposi√ß√Ķes que o pr√©dio abriga.

Agora uma pausa no clima de terror…

Oi internet, eu sou o gusta ūüôā

E esses dias eu fui assistir Les Miserables (em português, Os Miseráveis ou Les Mis, pros íntimos) o musical que é um verdadeiro gigante da Broadway estreou no Brasil em Março, logo ali no Teatro Renault em sp, mas só agora eu pude ir conferir.

Foto: Teatro Renault РGustavo Sivi

Para os que não conhecem, a história é baseada no livro de mesmo nome escrito por Victor Hugo em 1832, que é uma verdadeira obra fundamental da literatura européia (apesar do tamanho assustador). O musical carrega seu espectador, assim como Hugo no romance original, por um verdadeiro passeio dramático pela sociedade francesa do séc XIX.

A peça fundamental da história é Jean Valjean, um homem que decide mudar sua vida após ser liberto de 20 anos de serviços forçados, porém para isso ele tem de fugir da implacável justiça incorporada pelo Inspetor Javert. Sua história se entrelaça com a de Fantine, que é forçada a entregar a Valjean o direito de cuidar da sua filha pequena, Cosete que estava sob guarda do maldoso casal Thenardier. A história nos leva a 9 anos, a beira de uma nova revolta na França, onde todas essas histórias se entrelaçam e tem seu ápice quando essa Insurreição estoura na capital francesa. Quanto essa parte melhor não comentar muito pra evitar spoilers…

Foto: Teatro Renault РGustavo Sivi

Assim como grande parte dos brasileiros puderam conferir, eu conhecia o musical atrav√©s do filme de 2012 dirigido por Tobe Hooper. Que n√£o se cometam enganos aqui, o filme √© incr√≠vel e capaz de agenciar v√°rias t√©cnicas do cinema para contar essa hist√≥ria t√£o cercada de f√ļria e drama. Por√©m √© imposs√≠vel n√£o sentir arrepios quando, antes mesmo das cortinas subirem a orquestra executa os temas principais que nos acompanharam no desenrolar de tantas hist√≥rias no palco, √© imposs√≠vel n√£o se emocionar com algumas das mortes dif√≠ceis, seguidas de cenas de intensidade f√≠sica e alt√≠ssima qualidade musical. A sensa√ß√£o sem d√ļvida √© incompar√°vel.

Foto: Les Miserables РTeatro Renault РGustavo Sivi

No primeiro ato acompanhamos a hist√≥ria se armar, os diversos personagens tomam seus lugares e demonstram a que prop√≥sito est√£o ali. Destaco especialmente os antagonistas Valjean (Leo Wagner) e Javert (Nando Pradho) e seus respectivos int√©rpretes que interpretam e cantam com absoluta perfei√ß√£o (em especial, Nando Pradho,que domina cada nota e cada express√£o de do impass√≠vel Javert). O primeiro defende sua reden√ß√£o atrav√©s das boas a√ß√Ķes, mesmo que tenha fugido da r√≠gida lei do mundo, o segundo representa justamente a implacabilidade desta lei, e vai at√© o fim para se fazer cumpri-la.

Ao final deste ato, conhecemos tamb√©m os ‚ÄúAmigos do ABC‚ÄĚ o grupo respons√°vel pela organiza√ß√£o da Insurrei√ß√£o que √© liderado pelo obstinado Enjolras (Pedro Caetano) e ent√£o o musical entrega um dos seus momentos mais altos e sem d√ļvida um dos maiores cl√°ssicos da Broadway, ‚ÄúS√≥ mais um‚ÄĚ (One Day More)

Toda a tens√£o que esta incr√≠vel m√ļsica gera na mente do espectador √© carregado pelo segundo ato e os desfechos que ocorrem no palco, vemos os destinos dos personagens e a obra se mostra mais do que nunca um verdadeiro testemunho da sobreviv√™ncia humana. A pot√™ncia visual da pe√ßa somada a pot√™ncia das letras e m√ļsicas, uma orquestra√ß√£o capaz de deixar o espectador sempre angustiado, prendem por cada segundo, inclusive levando a fortes emo√ß√Ķes na plat√©ia, com suspiros de ang√ļstia garantidos. A √ļltima hora do musical parece se desenrolar em apenas 10 minutos, tal √© a capacidade da hist√≥ria. Quanto mais nos aproximamos do final, a m√ļsica mais e mais se mostra o meio perfeito para expressar o esp√≠rito de uma √©poca a sombra da Revolu√ß√£o Francesa quando as mis√©rias do homem ainda s√£o tantas e t√£o pungentes.

Esse ‚Äúmonstro‚ÄĚ absoluto da Broadway recebeu, nessa segunda produ√ß√£o brasileira, tratamento indefect√≠vel, capaz de emocionar at√© mesmo o mais duro dos cora√ß√Ķes. A complexidade da cenografia que se desenrola no palco e a maestria das interpreta√ß√Ķes (que em certos momentos dispensam todo e qualquer cen√°rio ou produ√ß√£o ao seu redor) em nada devem a vers√£o original e se tornam os ve√≠culos ideais para transmiss√£o da mensagem t√£o importante sa√≠da da pena de Victor Hugo para os palcos. Mais do que nunca precisamos dos ideais revolucion√°rios de Enjolras e seus ‚ÄúAmigos do ABC‚ÄĚ que buscavam nada al√©m de democracia e justi√ßa.

‚ÄúLes Miserables‚ÄĚ estreou no Brasil em Mar√ßo desse ano, e mesmo que j√° tenham havido todas as apresenta√ß√Ķes de imprensa, muito j√° tenha se falado e o musical j√° esteja entrando na sua reta final em rela√ß√£o as apresenta√ß√Ķes, se voc√™ puder ir, eu recomendo fortemente que n√£o perca essa oportunidade, afinal enquanto houver mis√©ria √© necess√°rio que falemos de ‚ÄúOs miser√°veis‚ÄĚ, como disse o pr√≥prio Victor Hugo.

¬† ¬† ¬† ¬†‚ÄúOs miser√°veis‚ÄĚ fica em cartaz at√© dezembro deste ano no Teatro Renault (Av. Brigadeiro Lu√≠s Ant√īnio, 411 – Rep√ļblica, S√£o Paulo – SP, 01317-000) com sess√Ķes √†s Quintas, Sextas, S√°bados e Domingos.

Mais informa√ß√Ķes : http://premier.ticketsforfun.com.br/shows/show.aspx?sh=LESMISERUB

Ol√° internet, eu sou o Gusta ūüôā

Eu trouxe pro blog a ideia do rol√™ cult, que desde o come√ßo foi sobre se aproximar, trocar experi√™ncias mesmo estando t√£o longe. Na pr√°tica o role cult busca trazer boas indica√ß√Ķes do que fazer em Sp (por causa do or√ßamento reduzido) que possa trazer experi√™ncias marcantes. Por√©m, o role cult tenta significar muito mais, ele tenta aproximar experi√™ncias de duas pessoas ou at√© outras que nunca se viram antes, mas que podem se reunir em torno da mesma ideia, evento enfim das mesmas sensa√ß√Ķes.
Eu fiz toda essa introdu√ß√£o porque hoje vou falar justamente de experi√™ncias e sensa√ß√Ķes √ļnicas, mas vou tentar aproxim√°-las de voc√™s tendo o rol√™ como ferramenta. Em se tratando da forma como a arte pode nos provocar experi√™ncias eu nunca tive melhores do que quando, literalmente, estive dentro da arte de Lawrence Malstaf na exposi√ß√£o ‚Äúpo√©tica da imers√£o‚ÄĚ, cujas obras foram trazidas ao Brasil pela ‚ÄúFILE solo‚ÄĚ e est√£o expostas no CCBB, no centro de S√£o Paulo, ali do ladinho da S√©.

O pr√©dio, antigo pr√©dio que hospedava a primeira ag√™ncia do Banco do Brasil em SP, foi transformado em espa√ßo cultural e agora abriga as mais diversas exposi√ß√Ķes, cinema, teatro, enfim um centro cultural completo que ainda guarda tra√ßos do banco original (como o subsolo onde ficam as enormes portas do cofre). Se voc√™s como eu gostam de turistar, s√≥ o pr√©dio j√° √© motivo suficiente pra passar por l√°. Se somado ao pr√©dio, acrescentarmos as obras do belga Lawrence Malstaf que sempre trabalha numa tem√°tica da imers√£o, √© uma visita quase obrigat√≥ria.

A pr√≥pria FILE (Feira Internacional de Linguagens Eletr√īnicas) que acontece sempre nos meses de outubro e dezembro, tem uma enorme capacidade de atrair qualquer p√ļblico porque geralmente as obras apresentadas dobram os limites entre arte e tecnologia. Agora, o novo projeto, da feira, o FILE solo traz os destaques de um s√≥ artista, e Malstaf n√£o poderia ser melhor escolha.

Diferentemente de outras exposi√ß√Ķes, por todo o pr√©dio est√£o espalhadas somente seis obras, mas tais obras s√£o verdadeiras instala√ß√Ķes complexas e desenhadas, associando arte e tecnologia, com um objetivo simples, for√ßar o visitante a se ver, a ter novas experi√™ncias e permitir que o visitante saia por alguns momentos da pr√≥pria realidade.

(Talvez seria interessante ao leitor que se propor a visitar a exposição não ler daqui pra frente, tendo a oportunidade de explorar a exposição, sem influências.)

A primeira obra é por completo uma experiência individual. O artista recria algumas obras do pintor Francis Bacon usando a imagem do visitante. A instalação é simples, uma sala escura, uma cadeira e um espelho em frente a cadeira. O visitante se senta e aperta um botão ao seu lado para dar início a experiência. O espelho inicia a vibrar, efetivamente provocando fraturas na imagem, que se divide e se multiplica saindo ao nosso controle. Não há fotos aqui dessa instalação, é necessário estar lá para sentir.

A segunda obra convida a uma performance. O visitante pode literalmente ser embalado à vácuo em uma plataforma de plástico e aço gigante, que é fechada por um compressor de ar, assim sendo a pessoa fica lá dentro.

A terceira instala√ß√£o deste andar merece aten√ß√£o especial. Se constitui de duas esteiras colocadas lado a lado, por√©m que rodam em dire√ß√Ķes diferentes, √° meio caminho de ambas existem dois espelhos colocados na horizontal, que sobem e descem na dire√ß√£o do visitante de forma quase aleat√≥ria. A obra de nome ‚ÄúTRANSPORTER‚ÄĚ se prop√Ķe a levar o visitante de um lado para sala e depois de volta.

A √ļltima obra da exposi√ß√£o, est√° no sagu√£o do CCBB e j√° imp√Ķe certa experi√™ncia ao p√ļblico. Uma esp√©cie de t√ļnel de vento cheio de bolinhas de isopor, que quando ligado simula uma tempestade. ‚ÄúO observat√≥rio Nemo‚ÄĚ √© uma m√°quina grande e barulhenta, e que ao contr√°rio das outras, que o refletem, seja de forma objetiva ou fragmentada, esta acaba por embara√ßar a vis√£o colocando o visitante bem no olho do furac√£o.

A exposi√ß√£o de Lawrence Malstaf, ‚Äúa po√©tica da imers√£o‚ÄĚ ainda fica em cartaz at√© 18/9 no CCBB (Rua √Ālvares Penteado, 112 – Centro). Voc√™s v√£o topar essa experi√™ncia? Ou j√° toparam? Conta pra gente o que achou!

Em tempo….

O CCBB como centro cultural √© t√£o completo, que √© imposs√≠vel fazer uma coisa s√≥. Tamb√©m aconteciam simultaneamente a ‚Äúpo√©tica da imers√£o‚ÄĚ dois outros eventos. O primeiro, no subsolo, a mostra de videoarte da artista Berna Reale que n√£o pude visitar. O segundo, o premiado e internacional festival Anima Mundi 2017, que tinha algumas sess√Ķes no centro cultural tamb√©m , al√©m de convidar o visitante a fazer as pr√≥prias anima√ß√Ķes no zootropo.

O festival Anima Mundi tem como objetivo reunir os diversos profissionais de anima√ß√£o em torno da ideia de contar hist√≥rias e entreter o p√ļblico. Eu tive a oportunidade de conhecer uma sess√£o da mostra ‚ÄúNovos Olhares‚ÄĚ apresentando novos estudantes e animadores ao grande p√ļblico, muitos dos quais tinham seus primeiros trabalhos sendo exibidos.

Infelizmente o festival desse ano já se encerrou, mas ano que vem tem mais. E vocês? Já conhecem o Anima Mundi? São espectadores fiéis?

Se voc√™ gostou desta forma de trazer arte e cultura, fala pra gente assim podemos trazer cada vez mais ūüėČ

Antes de tratar desta pe√ßa propriamente dita, eu gostaria de falar um pouco de teatro musical como um todo. Cores vibrantes, um ritmo pulsante, uma hist√≥ria envolvente, que compele as emo√ß√Ķes e arrasta o espectador para a trama. √Č imposs√≠vel n√£o se engajar, n√£o ficar cantarolando as m√ļsicas por um bom tempo e n√£o se emocionar com as hist√≥rias que vibram a paix√£o de todos os envolvidos e tornam cada sess√£o √ļnica. √Č por isso que escolhi o teatro musical como um dos primeiros temas do role cult.


Rocky Horror Show √© expoente de tudo que foi dito acima, criando ao longo dos anos um grande s√©quito de f√£s. Este musical vai de uma simples piada ou trocadilho ao absurdo de seus figurinos exorbitantes, tudo muito bem costurado por uma narrativa recheada de referencias a fic√ß√£o cientifica cl√°ssica, assinado por Richard O¬īBrien em 1975.

Foto: Paginas do folheto de apresentação.

RHS conta a hist√≥ria de Brad (Felipe De Carolis) e Janet (Bruna Guerin) , o t√≠pico casal norte americano perfeito vivendo o sonho de se casa, eles decidem visitar um antigo professor deles para os apadrinhar. Por√©m, uma tempestade muda os seus planos e os leva ao castelo do Dr. Frank ‘N Furter (Marcelo M√©dici), um alien transexual da gal√°xia Transilv√Ęnia que esta construindo um namorado (essa provavelmente foi a frase mais estranha que eu j√° escrevi) e de seus empregados, os irm√£os Riff Raff (Thiago Machado) e Magenta (Gottsha), duas figuras que parecem sa√≠das de um filme de terror barato.

Com Rocky Horror, Richard O¬īBrien consegue realizar uma discuss√£o sobre o papel da liberta√ß√£o sexual, e ate mesmo do g√™nero, sem esquecer de mostrar o qu√£o mal vista essa liberta√ß√£o pode ser. A personagem mais interessante √© Janet, que passa por um processo de transforma√ß√£o ao atingir seu primeiro orgasmo com o Frank N¬īFurter, ela se torna mais livre ao longo do musical, enquanto Brad tenta ao m√°ximo resistir. Em tempos onde sexualidade e g√™nero eram muito vistos como um tabu, Richard O¬īBrien conseguiu discutir ambos, ainda colocando enormes doses de referencias a fic√ß√£o cient√≠fica e aos filmes de monstro.

Foto: Paginas do folheto de apresentação.

Na vers√£o brasileira, Charles Moeller e Claudio Botelho fizeram muito mais do que adaptar o texto para o portugu√™s. Eles foram capazes de criar em cima disso, trazendo novas referencias (sem desprezar as originais), ao mesmo tempo que se mantiveram fi√©is aos elementos que consagraram a pe√ßa, por exemplo o visual extravagante. Em suma, respeitando a obra cl√°ssica, adaptaram para os tempos atuais, afinal em tempos de crise e retrocessos √© sempre bom relembrar a mensagem do Dr. Frank N¬īFurter:

“N√ÉO SONHE, SEJA!”

O ápice do trabalho de criação em cima do original, foi a escalação de Marcelo Médici. O consagrado comediante mostra sua habilidade como cantor, alem de se equilibrar em um salto alto durante toda a peça. De quebra, demonstra maestria ao se apropriar do personagem, trazendo brincadeiras com o momento atual, ele prova que fez o dever de casa e pesquisou este mundo que Rocky Horror condensa. Como resultado, foi impossível para mim não sair do teatro com a bochecha dolorida de tanto rir.

Foto: Paginas do folheto de apresentação.

Botelho, como diretor, realiza um trabalho incr√≠vel, criando uma identidade visual muito parecida com a pe√ßa, que antecede o filme. Com um palco simples, muita visualidade e poucos objetos, dando liberdade para os atores, com destaque para Felipe De Carolis e Bruna Guerin, o casal de mocinhos. Eles est√£o muito bem e centrados, at√© a chegada de Frank n¬īFurter, com uma entrada digna de uma diva ao som da m√ļsica “Sweet Transvestite”, bagun√ßa completamente a din√Ęmica em cena e isso provoca os melhores resultados.

Eu ainda poderia dizer muitas palavras sobre Rocky Horror Show, porém um musical tão vibrante, tão louco, exuberante, contagiante e também cult, deve ser experimentado.

 

Rocky Horror Show tem sess√Ķes todas as sextas, s√°bados e domingos at√© 26/03
¬†As 21hrs e 19hrs aos domingos¬†–¬†Teatro Porto Seguro
Preço: entre R$50,00 e R$100,00
Clique aqui para mais informa√ß√Ķes

Ficha Técnica: Rocky Horror Show

Direção Geral: Claudio Botelho
Adaptação: Charles Moeller
Direção Musical: Jorge Godoy
Elenco:¬†Marcelo M√©dici, Felipe De Carolis, Thiago Machado, Bruna Guerin, Gottsha, etc…

:)