Foi de repente. Em um minuto estava tudo bem, nos sentíamos confiantes e cada vez mais próximos. O ano seguinte já havia sido idealizado e o entusiasmo em nossas vozes era nítido. Mas em algum momento isso se perdeu, se foi em um estalar de dedos ao ponto que a vida atirava pedras em nossa vitrine frágil.

Para romantizar, foi assim. Para ser sincero, um pouco pior.

De certo modo sempre tivemos a consciência de que um dia as coisas ficariam um pouco mais difíceis, mas nos propomos a ir até onde era possível.

Atingimos aquele ponto de nossas vidas em que somos obrigados, por sobrevivência, a providenciar formas de ter algo para nós mesmos. Nos deparando com a necessidade cada vez mais visível de se obter uma boa qualificação, adquirir independência, criar laços mais concretos, e ganhar dinheiro.

E por mais que este blog tenha surgido como uma espécie de hobby, nunca deixamos de acreditar naquilo que tentamos fazer aqui. A muito tempo isso deixou de ser um sonho jovem. Ficava cada vez mais claro pela forma como nos reuníamos para planejar assuntos e discutir ideias, pesquisar eventos, e tentávamos amadurecer o conteúdo.

Dedicamos muito tempo e energia por aqui, e sinceramente, não nos arrependemos de nada.

Nosso carinho por esse site aumentou conforme ele passou a refletir nossas vidas. Seu surgimento despretensioso reunindo dois amigos de infância completamente opostos, mas que sempre encontraram em suas conversas um ponto de equilíbrio comum, ganhou força ao adotar um terceiro membro sagaz com uma mente repleta de ideias. Ele era ainda mais diferente que os dois juntos, mas ao mesmo tempo tinha ainda mais coisas em comum com ambos.

A aliança foi formada.

Mas o auge dos contrastes foi atingido quando completamos 23. Aos 23 anos, um se deparava com a crescente urgência da responsabilidade de uma paternidade. Enquanto outro encarava os novos desafios após se formar, e passava a lecionar em uma escola. E ainda havia aquele que aos 23, se sentia perdido, e buscava todos os dias formas de se encontrar em um mundo onde ninguém para pra esperar você se levantar.

Com 23 nos sentimos jovens demais para muitas coisas. Como se alguém estivesse constantemente tentando adiantar um relógio em nossas vidas para um tempo em que ainda não estamos prontos para encarar. Mas também sentimos que não há mais tempo para perder tempo.

É aquele ponto de virada na vida de muitas pessoas, um daqueles momentos onde você passar a ver as coisas de diferentes formas, com a certeza de que esse ponto de virada retornará daqui um tempo, e de novo, e de novo.

Talvez se sinta jovem demais para escolher alguém para passar os próximos anos com você, mas já não é tão jovem ao ponto de não querer a segurança de um amor tranquilo, um porto seguro para noites difíceis, e a certeza de que terá com quem contar.

Fica cada vez mais distante aquela imagem de que ter um relacionamento se resume a caminhar de mãos dadas, e ter uma boca para beijar, ou contar para os amigos que não está sozinho.

Você sente na pele que ter um relacionamento é bem mais do que dizer: Quero estar ao seu lado. — É estar de fato ao lado para quem você faz essas promessas. Você encontra conforto ao dedicar sua lealdade, e encontra forças ao sentir retorno, Os momentos já não são mais tão importantes do que a história como um todo.

E se isso falha, machuca bem mais do que uma desilusão da adolescência.

Pode dizer a si mesmo que não quer ou não precisa de alguém agora, mas seu coração te diz que tem medo de ficar sozinho, e lábios passageiros não mudarão isso.

Com 23, muitos de nós estão terminando suas faculdades, outros ainda começando uma, e há aqueles que não seguiram por esse caminho. Porém praticamente todos passam pelo mesmo questionamento: E agora?

Independente da sua situação a necessidade de se lançar para algo novo ou concreto é inerente. — E agora? — Todos os passos a seguir parecem assustar, muitas das suas escolhas anteriores parecem erradas, e você sempre acha que alguém da sua idade está melhor que você.

Você busca ser positivo, busca não ligar muito pra isso, e seguir da melhor forma possível. Mas então a vida te cobra. Você sente que a pessoa da qual mais deve depender é você mesmo. Ninguém sobrevive de vento, ninguém é ouvido sem conhecer de fato aquilo que sobre o que fala.

Te cobram uma posição. É hora de assumir, ou se esconder.

Os 18 anos parecem bem melhores olhando agora não é.

Mas seria hipocrisia dizer que não há nada de bom. Você ainda tem a força e a determinação da juventude, e mais de mil motivos para não se acomodar naquilo que parece ser o mais fácil. Você não é experiente o bastante, isso lhe faz conhecer coisas novas a cada minuto. Mas sua visão do mundo não se baseia em um senso comum.

Esse vazio instalado no blog nesse último mês reflete o vazio que sentimos nessa fase. Existe muita coisa acontecendo atrás dos palcos. São dúvidas, incertezas, decepções, perdas e mudanças, que no momento parecem grandes demais.

O que sempre tentamos fazer por aqui é trazer um pouco daquilo que gostamos, aprendemos ou gostaríamos de vivenciar. Seja pela arte, a música, o cinema, a fotografia, expressões culturais ou pessoais.

Porém seria difícil, particularmente falando, tentar compartilhar matérias sem que eu estivesse de fato envolvido ou motivado para isso. Espero que não entendam como descaso ou abandono, eu apenas gostaria de fazer algo sincero. Mas a quebra do convívio que tínhamos somado a problemas pessoais deixou tudo mais difícil.

Não está nos meus planos, por ora, aposentar esse canal de informações. No entanto, é provável que muitas mudanças ocorram. Seja como for, uma explicação parecia ser o mais correto no momento.

Eu só tenho a agradecer a todos vocês que estiveram conosco durante esse tempo, e espero continuar com vocês.

 

A gente se vê.
E aquele abraço de sempre.

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