Arte, Cultura & Design

Hey!

O brasileiro Butcher Billy, que já apareceu por aqui uma vez com suas ilustrações dos episódios de Black Mirror em forma de antigas revistas em quadrinhos, soube enxergar um potencial sombrio em músicas dos anos 70, 80 e algumas atuais. Acrescentando uma dose de inspiração nas histórias escritas por Stephen King, Billy criou capas de livros e fitas VHS de terror.

Porém, a relação entre as musicas e as obras de Stephen King não é algo novo, visto que muitas bandas já se inspiraram em seus contos e livros para composições. Um grande exemplo é “Pet Sematary” dos Ramones, também ilustrada pelo designer, a qual o próprio escritor teria indicado para trilhar sonora da adaptação cinematográfica de mesmo da obra, por ser grande admirador da banda.

Em vista disso, o resultado obviamente não poderia ser outro. Butcher Billy ainda acrescenta em seus trabalhos aspectos de desgastes, que faz com que tudo fique ainda mais fascinante.

Confira alguns de seus trabalhos e as músicas nas quais foram inspiradas:

Infelizmente as faixas estão limitadas em 30 segundos, mas é possível ouvi-las em forma completa no site ou aplicativo do spotify.

Você encontrará estas e outras obras do ilustrador em sua galeria  no Behance. Aproveita e depois conta pra gente o que achou dessa mistura sombria.

Abraços, e até mais!

Oi internet tudo bem?

Antes de tudo, lembrem- se disso. Será importante em breve…

Disparate: (subst. masc) 1. dito ou ação ilógica, absurda ou fora da realidade; contrassenso, desconchavo, despautério. 2. tolice, asneira.

Já que o tema do mês são histórias de terror, nenhuma delas é pior que as histórias reais. Ainda mais quando pintadas pelas mãos do espanhol Francisco Goya. Está em cartaz no Caixa Cultural de São Paulo (e eu fui lá ver ) a exposição “Loucuras anunciadas” que é composta de uma série das últimas gravuras feitas pelo pintor espanhol por volta de 1832. Goya na série dos disparates (ou loucuras, ou follies) assume a técnica das “gravuras negras” compondo suas obras essencialmente pela contraposição do branco e do preto. Desta forma, ele cria uma atmosfera macabra e sombria onde habitam figuras monstruosas e verdadeiras encarnações de pesadelos.

Em essência, através destas figuras, Goya anuncia sua loucura ao mundo são. Os monstros que ora aparecem oníricos, tem sua faceta na realidade. A estranha figura de duas faces é uma alegoria aos traiçoeiros e infiéis do tempo que o autor viveu. Ironicamente, ninguém cortou tão profundo no século XIX (o chamado século das luzes) que Francisco Goya com suas loucuras encarnadas no papel.

Nos informa a curadoria, que as figuras contam uma história, dos homens ensacados á figuras com aparência grotesca ou enorme e por fim o voo de balão rumo aos céus claros que encerra a coleção. Goya faz desfilar suas loucuras ao fim de sua vida, inclusive colocando a si próprio e sua alma se tornando desencarnada em um dos quadros. Nada mais assustador que se ver encarnado em um mundo sombrio de angústias e disparates.

Inclusive, devemos aqui, caro leitor, pensar no uso da palavra disparate, que tanto reaparece e contextualiza esse mundo que se apresenta ensandecido:

“Disparates é uma série de loucuras anunciadas de difícil interpretação, visões oníricas, violência, sexo e deboche das instituições relacionadas com o regime absolutista, crítica aos costumes e ao clero, pontuados por alguns momentos de júbilo. (…) Os disparates são uma crônica visual onde a emoção se esparrama no traço pulsante e voluptuoso como uma hemorragia” (Mariza Bertolli – Curadora)

Do resto, fora os arrepios e a faceta amedrontadora das imagens, que ficam expostas na primeira sala, a exposição conta ainda com outras duas. Nas duas salas seguintes o visitante é convidado a externalizar suas próprias loucuras (ou só curtir um momento para se fantasiar) através de máscaras, como aquelas populares de longos bicos, e sacos sendo possível mergulhar de cabeça naquela arte que se mostra tão assustadora porém tão necessária.

Por fim, já que se responder a questão proposta pela curadoria “É possível anunciar loucuras?”. A princípio fácil a questão convida o espectador a pensar, quais loucuras? De quem? Anunciá-las aos sete ventos? Ou somente para si mesmo? Tais questões são cruciais para compreender os disparates que desfilam por essa obra de Goya, que contam uma das mais macabras histórias, a história real da humanidade.

Goya é uma forma perfeita de comemorar uma data tão trevosa, seu gosto pelo macabro surreal e obscuro não é sem propósito, porém vem acompanhado de pensamento e reflexão. E se vocês gostaram da obra exposta aqui, procurem também outra série do mesmo autor chamada “Os Caprichos” (1799) ali os monstros que povoam a mente dele parecem vir ainda mais a tona.

Infelizmente, também tenho que trazer más notícias, a exposição se encerra agora no dia 29/10 porém ainda dá tempo de conferir “As Loucuras Anunciadas de Francisco Goya” se você gosta e puder dar um pulo lá, eu recomendo, a exposição é pequena e irá com certeza melhorar seu dia.

A exposição, como dito, está em cartaz até 29/10 na Caixa Cultural (Praça da Sé, 111 – Sé, São Paulo – SP ), logo ali perto do metro Sé. A entrada é livre, não custa nada e é para todos os públicos. Vale também dar uma volta pelo prédio histórico da agência bancária e pelas outras exposições que o prédio abriga.

Agora uma pausa no clima de terror…

Oi internet, eu sou o gusta 🙂

E esses dias eu fui assistir Les Miserables (em português, Os Miseráveis ou Les Mis, pros íntimos) o musical que é um verdadeiro gigante da Broadway estreou no Brasil em Março, logo ali no Teatro Renault em sp, mas só agora eu pude ir conferir.

Foto: Teatro Renault – Gustavo Sivi

Para os que não conhecem, a história é baseada no livro de mesmo nome escrito por Victor Hugo em 1832, que é uma verdadeira obra fundamental da literatura européia (apesar do tamanho assustador). O musical carrega seu espectador, assim como Hugo no romance original, por um verdadeiro passeio dramático pela sociedade francesa do séc XIX.

A peça fundamental da história é Jean Valjean, um homem que decide mudar sua vida após ser liberto de 20 anos de serviços forçados, porém para isso ele tem de fugir da implacável justiça incorporada pelo Inspetor Javert. Sua história se entrelaça com a de Fantine, que é forçada a entregar a Valjean o direito de cuidar da sua filha pequena, Cosete que estava sob guarda do maldoso casal Thenardier. A história nos leva a 9 anos, a beira de uma nova revolta na França, onde todas essas histórias se entrelaçam e tem seu ápice quando essa Insurreição estoura na capital francesa. Quanto essa parte melhor não comentar muito pra evitar spoilers

Foto: Teatro Renault – Gustavo Sivi

Assim como grande parte dos brasileiros puderam conferir, eu conhecia o musical através do filme de 2012 dirigido por Tobe Hooper. Que não se cometam enganos aqui, o filme é incrível e capaz de agenciar várias técnicas do cinema para contar essa história tão cercada de fúria e drama. Porém é impossível não sentir arrepios quando, antes mesmo das cortinas subirem a orquestra executa os temas principais que nos acompanharam no desenrolar de tantas histórias no palco, é impossível não se emocionar com algumas das mortes difíceis, seguidas de cenas de intensidade física e altíssima qualidade musical. A sensação sem dúvida é incomparável.

Foto: Les Miserables – Teatro Renault – Gustavo Sivi

No primeiro ato acompanhamos a história se armar, os diversos personagens tomam seus lugares e demonstram a que propósito estão ali. Destaco especialmente os antagonistas Valjean (Leo Wagner) e Javert (Nando Pradho) e seus respectivos intérpretes que interpretam e cantam com absoluta perfeição (em especial, Nando Pradho,que domina cada nota e cada expressão de do impassível Javert). O primeiro defende sua redenção através das boas ações, mesmo que tenha fugido da rígida lei do mundo, o segundo representa justamente a implacabilidade desta lei, e vai até o fim para se fazer cumpri-la.

Ao final deste ato, conhecemos também os “Amigos do ABC” o grupo responsável pela organização da Insurreição que é liderado pelo obstinado Enjolras (Pedro Caetano) e então o musical entrega um dos seus momentos mais altos e sem dúvida um dos maiores clássicos da Broadway, “Só mais um” (One Day More)

Toda a tensão que esta incrível música gera na mente do espectador é carregado pelo segundo ato e os desfechos que ocorrem no palco, vemos os destinos dos personagens e a obra se mostra mais do que nunca um verdadeiro testemunho da sobrevivência humana. A potência visual da peça somada a potência das letras e músicas, uma orquestração capaz de deixar o espectador sempre angustiado, prendem por cada segundo, inclusive levando a fortes emoções na platéia, com suspiros de angústia garantidos. A última hora do musical parece se desenrolar em apenas 10 minutos, tal é a capacidade da história. Quanto mais nos aproximamos do final, a música mais e mais se mostra o meio perfeito para expressar o espírito de uma época a sombra da Revolução Francesa quando as misérias do homem ainda são tantas e tão pungentes.

Esse “monstro” absoluto da Broadway recebeu, nessa segunda produção brasileira, tratamento indefectível, capaz de emocionar até mesmo o mais duro dos corações. A complexidade da cenografia que se desenrola no palco e a maestria das interpretações (que em certos momentos dispensam todo e qualquer cenário ou produção ao seu redor) em nada devem a versão original e se tornam os veículos ideais para transmissão da mensagem tão importante saída da pena de Victor Hugo para os palcos. Mais do que nunca precisamos dos ideais revolucionários de Enjolras e seus “Amigos do ABC” que buscavam nada além de democracia e justiça.

“Les Miserables” estreou no Brasil em Março desse ano, e mesmo que já tenham havido todas as apresentações de imprensa, muito já tenha se falado e o musical já esteja entrando na sua reta final em relação as apresentações, se você puder ir, eu recomendo fortemente que não perca essa oportunidade, afinal enquanto houver miséria é necessário que falemos de “Os miseráveis”, como disse o próprio Victor Hugo.

       “Os miseráveis” fica em cartaz até dezembro deste ano no Teatro Renault (Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – República, São Paulo – SP, 01317-000) com sessões às Quintas, Sextas, Sábados e Domingos.

Mais informações : http://premier.ticketsforfun.com.br/shows/show.aspx?sh=LESMISERUB

Hey! Tudo bem? 😀

Este ano, devido nossa decisão de compartilhar um pouco mais sobre o desafio cinematográfico com vocês, acabamos também tendo mais posts relacionados a filmes. Mas a grande verdade é que todos amamos nos prender a um bom filme, não é?

Filmes possuem um poder tão grande, que por muitas vezes alguns se destacam por marcar uma geração, se tornam porta-vozes de importantes discussões, ou simplesmente inundam recintos inteiros com medo, choros ou risos.

E no meio desses encontros de sentimentos, muitos design encontram em suas artes formas de homenagear ou representar grandes títulos, por meio de seus traços e visões pessoais.

Flore Maquin

Flore Maquin é francesa, trabalha com design gráfico, e é uma  cinéfila declarada. Em seus trabalhos ela costuma destacar ícones do cinema, personagens marcantes ou outras figuras. Ela cria posters com cores vivas, e outros elementos que fazem referencias ao clima dos filmes.

Aqui estão algumas de suas artes que mais me chamaram a atenção, mas você pode conferir a galeria completa de suas ilustrações no site oficial da Flore, ou segui-la no instagram e no facebook.

Tomer Hanuka

Tomer Hanuka é um ilustrador e um artista de quadrinhos, sua lista de clientes incluí nomes de grandes empresas e marcas bem conhecidas. O trabalho de Tomer se destaca a partir de suas paletas de cores, e as composições de ação e cena estampam seus trabalhos.

Em seu site é possível encontrar muitos dos seus trabalhos. Além disso alguns costumam apresentar “duas versões” em cores diferentes. Por lá você também encontrará uma galeria dedicada ao diretor Kubrick.

 

Grzegorz Domaradzki

Grzegorz Domaradzki, Gabz como é conhecido, também já desenvolveu muitos trabalhos. Esse ilustrador da Polônia, apresenta em seu site artes que de certa forma conversam umas com as outras, por meio do padrão de cores e traços característicos que tornam-se assinatura de seus trabalhos. Mais ilustrações, e também alguns passos a passos, podem ser encontrados no instagram.

 

E aí? O que vocês acharam? Conhecem mais algum artista que tem feito trabalhos gráficos incríveis? Conte para nós!

Abraços, e até mais.

Olá internet, eu sou o Gusta 🙂

Eu trouxe pro blog a ideia do rolê cult, que desde o começo foi sobre se aproximar, trocar experiências mesmo estando tão longe. Na prática o role cult busca trazer boas indicações do que fazer em Sp (por causa do orçamento reduzido) que possa trazer experiências marcantes. Porém, o role cult tenta significar muito mais, ele tenta aproximar experiências de duas pessoas ou até outras que nunca se viram antes, mas que podem se reunir em torno da mesma ideia, evento enfim das mesmas sensações.
Eu fiz toda essa introdução porque hoje vou falar justamente de experiências e sensações únicas, mas vou tentar aproximá-las de vocês tendo o rolê como ferramenta. Em se tratando da forma como a arte pode nos provocar experiências eu nunca tive melhores do que quando, literalmente, estive dentro da arte de Lawrence Malstaf na exposição “poética da imersão”, cujas obras foram trazidas ao Brasil pela “FILE solo” e estão expostas no CCBB, no centro de São Paulo, ali do ladinho da Sé.

O prédio, antigo prédio que hospedava a primeira agência do Banco do Brasil em SP, foi transformado em espaço cultural e agora abriga as mais diversas exposições, cinema, teatro, enfim um centro cultural completo que ainda guarda traços do banco original (como o subsolo onde ficam as enormes portas do cofre). Se vocês como eu gostam de turistar, só o prédio já é motivo suficiente pra passar por lá. Se somado ao prédio, acrescentarmos as obras do belga Lawrence Malstaf que sempre trabalha numa temática da imersão, é uma visita quase obrigatória.

A própria FILE (Feira Internacional de Linguagens Eletrônicas) que acontece sempre nos meses de outubro e dezembro, tem uma enorme capacidade de atrair qualquer público porque geralmente as obras apresentadas dobram os limites entre arte e tecnologia. Agora, o novo projeto, da feira, o FILE solo traz os destaques de um só artista, e Malstaf não poderia ser melhor escolha.

Diferentemente de outras exposições, por todo o prédio estão espalhadas somente seis obras, mas tais obras são verdadeiras instalações complexas e desenhadas, associando arte e tecnologia, com um objetivo simples, forçar o visitante a se ver, a ter novas experiências e permitir que o visitante saia por alguns momentos da própria realidade.

(Talvez seria interessante ao leitor que se propor a visitar a exposição não ler daqui pra frente, tendo a oportunidade de explorar a exposição, sem influências.)

A primeira obra é por completo uma experiência individual. O artista recria algumas obras do pintor Francis Bacon usando a imagem do visitante. A instalação é simples, uma sala escura, uma cadeira e um espelho em frente a cadeira. O visitante se senta e aperta um botão ao seu lado para dar início a experiência. O espelho inicia a vibrar, efetivamente provocando fraturas na imagem, que se divide e se multiplica saindo ao nosso controle. Não há fotos aqui dessa instalação, é necessário estar lá para sentir.

A segunda obra convida a uma performance. O visitante pode literalmente ser embalado à vácuo em uma plataforma de plástico e aço gigante, que é fechada por um compressor de ar, assim sendo a pessoa fica lá dentro.

A terceira instalação deste andar merece atenção especial. Se constitui de duas esteiras colocadas lado a lado, porém que rodam em direções diferentes, á meio caminho de ambas existem dois espelhos colocados na horizontal, que sobem e descem na direção do visitante de forma quase aleatória. A obra de nome “TRANSPORTER” se propõe a levar o visitante de um lado para sala e depois de volta.

A última obra da exposição, está no saguão do CCBB e já impõe certa experiência ao público. Uma espécie de túnel de vento cheio de bolinhas de isopor, que quando ligado simula uma tempestade. “O observatório Nemo” é uma máquina grande e barulhenta, e que ao contrário das outras, que o refletem, seja de forma objetiva ou fragmentada, esta acaba por embaraçar a visão colocando o visitante bem no olho do furacão.

A exposição de Lawrence Malstaf, “a poética da imersão” ainda fica em cartaz até 18/9 no CCBB (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro). Vocês vão topar essa experiência? Ou já toparam? Conta pra gente o que achou!

Em tempo….

O CCBB como centro cultural é tão completo, que é impossível fazer uma coisa só. Também aconteciam simultaneamente a “poética da imersão” dois outros eventos. O primeiro, no subsolo, a mostra de videoarte da artista Berna Reale que não pude visitar. O segundo, o premiado e internacional festival Anima Mundi 2017, que tinha algumas sessões no centro cultural também , além de convidar o visitante a fazer as próprias animações no zootropo.

O festival Anima Mundi tem como objetivo reunir os diversos profissionais de animação em torno da ideia de contar histórias e entreter o público. Eu tive a oportunidade de conhecer uma sessão da mostra “Novos Olhares” apresentando novos estudantes e animadores ao grande público, muitos dos quais tinham seus primeiros trabalhos sendo exibidos.

Infelizmente o festival desse ano já se encerrou, mas ano que vem tem mais. E vocês? Já conhecem o Anima Mundi? São espectadores fiéis?

Se você gostou desta forma de trazer arte e cultura, fala pra gente assim podemos trazer cada vez mais 😉