Rolê Cult

Oi internet tudo bem?

Antes de tudo, lembrem- se disso. Será importante em breve…

Disparate: (subst. masc) 1. dito ou ação ilógica, absurda ou fora da realidade; contrassenso, desconchavo, despautério. 2. tolice, asneira.

Já que o tema do mês são histórias de terror, nenhuma delas é pior que as histórias reais. Ainda mais quando pintadas pelas mãos do espanhol Francisco Goya. Está em cartaz no Caixa Cultural de São Paulo (e eu fui lá ver ) a exposição “Loucuras anunciadas” que é composta de uma série das últimas gravuras feitas pelo pintor espanhol por volta de 1832. Goya na série dos disparates (ou loucuras, ou follies) assume a técnica das “gravuras negras” compondo suas obras essencialmente pela contraposição do branco e do preto. Desta forma, ele cria uma atmosfera macabra e sombria onde habitam figuras monstruosas e verdadeiras encarnações de pesadelos.

Em essência, através destas figuras, Goya anuncia sua loucura ao mundo são. Os monstros que ora aparecem oníricos, tem sua faceta na realidade. A estranha figura de duas faces é uma alegoria aos traiçoeiros e infiéis do tempo que o autor viveu. Ironicamente, ninguém cortou tão profundo no século XIX (o chamado século das luzes) que Francisco Goya com suas loucuras encarnadas no papel.

Nos informa a curadoria, que as figuras contam uma história, dos homens ensacados á figuras com aparência grotesca ou enorme e por fim o voo de balão rumo aos céus claros que encerra a coleção. Goya faz desfilar suas loucuras ao fim de sua vida, inclusive colocando a si próprio e sua alma se tornando desencarnada em um dos quadros. Nada mais assustador que se ver encarnado em um mundo sombrio de angústias e disparates.

Inclusive, devemos aqui, caro leitor, pensar no uso da palavra disparate, que tanto reaparece e contextualiza esse mundo que se apresenta ensandecido:

“Disparates é uma série de loucuras anunciadas de difícil interpretação, visões oníricas, violência, sexo e deboche das instituições relacionadas com o regime absolutista, crítica aos costumes e ao clero, pontuados por alguns momentos de júbilo. (…) Os disparates são uma crônica visual onde a emoção se esparrama no traço pulsante e voluptuoso como uma hemorragia” (Mariza Bertolli – Curadora)

Do resto, fora os arrepios e a faceta amedrontadora das imagens, que ficam expostas na primeira sala, a exposição conta ainda com outras duas. Nas duas salas seguintes o visitante é convidado a externalizar suas próprias loucuras (ou só curtir um momento para se fantasiar) através de máscaras, como aquelas populares de longos bicos, e sacos sendo possível mergulhar de cabeça naquela arte que se mostra tão assustadora porém tão necessária.

Por fim, já que se responder a questão proposta pela curadoria “É possível anunciar loucuras?”. A princípio fácil a questão convida o espectador a pensar, quais loucuras? De quem? Anunciá-las aos sete ventos? Ou somente para si mesmo? Tais questões são cruciais para compreender os disparates que desfilam por essa obra de Goya, que contam uma das mais macabras histórias, a história real da humanidade.

Goya é uma forma perfeita de comemorar uma data tão trevosa, seu gosto pelo macabro surreal e obscuro não é sem propósito, porém vem acompanhado de pensamento e reflexão. E se vocês gostaram da obra exposta aqui, procurem também outra série do mesmo autor chamada “Os Caprichos” (1799) ali os monstros que povoam a mente dele parecem vir ainda mais a tona.

Infelizmente, também tenho que trazer más notícias, a exposição se encerra agora no dia 29/10 porém ainda dá tempo de conferir “As Loucuras Anunciadas de Francisco Goya” se você gosta e puder dar um pulo lá, eu recomendo, a exposição é pequena e irá com certeza melhorar seu dia.

A exposição, como dito, está em cartaz até 29/10 na Caixa Cultural (Praça da Sé, 111 – Sé, São Paulo – SP ), logo ali perto do metro Sé. A entrada é livre, não custa nada e é para todos os públicos. Vale também dar uma volta pelo prédio histórico da agência bancária e pelas outras exposições que o prédio abriga.

Agora uma pausa no clima de terror…

Oi internet, eu sou o gusta 🙂

E esses dias eu fui assistir Les Miserables (em português, Os Miseráveis ou Les Mis, pros íntimos) o musical que é um verdadeiro gigante da Broadway estreou no Brasil em Março, logo ali no Teatro Renault em sp, mas só agora eu pude ir conferir.

Foto: Teatro Renault – Gustavo Sivi

Para os que não conhecem, a história é baseada no livro de mesmo nome escrito por Victor Hugo em 1832, que é uma verdadeira obra fundamental da literatura européia (apesar do tamanho assustador). O musical carrega seu espectador, assim como Hugo no romance original, por um verdadeiro passeio dramático pela sociedade francesa do séc XIX.

A peça fundamental da história é Jean Valjean, um homem que decide mudar sua vida após ser liberto de 20 anos de serviços forçados, porém para isso ele tem de fugir da implacável justiça incorporada pelo Inspetor Javert. Sua história se entrelaça com a de Fantine, que é forçada a entregar a Valjean o direito de cuidar da sua filha pequena, Cosete que estava sob guarda do maldoso casal Thenardier. A história nos leva a 9 anos, a beira de uma nova revolta na França, onde todas essas histórias se entrelaçam e tem seu ápice quando essa Insurreição estoura na capital francesa. Quanto essa parte melhor não comentar muito pra evitar spoilers

Foto: Teatro Renault – Gustavo Sivi

Assim como grande parte dos brasileiros puderam conferir, eu conhecia o musical através do filme de 2012 dirigido por Tobe Hooper. Que não se cometam enganos aqui, o filme é incrível e capaz de agenciar várias técnicas do cinema para contar essa história tão cercada de fúria e drama. Porém é impossível não sentir arrepios quando, antes mesmo das cortinas subirem a orquestra executa os temas principais que nos acompanharam no desenrolar de tantas histórias no palco, é impossível não se emocionar com algumas das mortes difíceis, seguidas de cenas de intensidade física e altíssima qualidade musical. A sensação sem dúvida é incomparável.

Foto: Les Miserables – Teatro Renault – Gustavo Sivi

No primeiro ato acompanhamos a história se armar, os diversos personagens tomam seus lugares e demonstram a que propósito estão ali. Destaco especialmente os antagonistas Valjean (Leo Wagner) e Javert (Nando Pradho) e seus respectivos intérpretes que interpretam e cantam com absoluta perfeição (em especial, Nando Pradho,que domina cada nota e cada expressão de do impassível Javert). O primeiro defende sua redenção através das boas ações, mesmo que tenha fugido da rígida lei do mundo, o segundo representa justamente a implacabilidade desta lei, e vai até o fim para se fazer cumpri-la.

Ao final deste ato, conhecemos também os “Amigos do ABC” o grupo responsável pela organização da Insurreição que é liderado pelo obstinado Enjolras (Pedro Caetano) e então o musical entrega um dos seus momentos mais altos e sem dúvida um dos maiores clássicos da Broadway, “Só mais um” (One Day More)

Toda a tensão que esta incrível música gera na mente do espectador é carregado pelo segundo ato e os desfechos que ocorrem no palco, vemos os destinos dos personagens e a obra se mostra mais do que nunca um verdadeiro testemunho da sobrevivência humana. A potência visual da peça somada a potência das letras e músicas, uma orquestração capaz de deixar o espectador sempre angustiado, prendem por cada segundo, inclusive levando a fortes emoções na platéia, com suspiros de angústia garantidos. A última hora do musical parece se desenrolar em apenas 10 minutos, tal é a capacidade da história. Quanto mais nos aproximamos do final, a música mais e mais se mostra o meio perfeito para expressar o espírito de uma época a sombra da Revolução Francesa quando as misérias do homem ainda são tantas e tão pungentes.

Esse “monstro” absoluto da Broadway recebeu, nessa segunda produção brasileira, tratamento indefectível, capaz de emocionar até mesmo o mais duro dos corações. A complexidade da cenografia que se desenrola no palco e a maestria das interpretações (que em certos momentos dispensam todo e qualquer cenário ou produção ao seu redor) em nada devem a versão original e se tornam os veículos ideais para transmissão da mensagem tão importante saída da pena de Victor Hugo para os palcos. Mais do que nunca precisamos dos ideais revolucionários de Enjolras e seus “Amigos do ABC” que buscavam nada além de democracia e justiça.

“Les Miserables” estreou no Brasil em Março desse ano, e mesmo que já tenham havido todas as apresentações de imprensa, muito já tenha se falado e o musical já esteja entrando na sua reta final em relação as apresentações, se você puder ir, eu recomendo fortemente que não perca essa oportunidade, afinal enquanto houver miséria é necessário que falemos de “Os miseráveis”, como disse o próprio Victor Hugo.

       “Os miseráveis” fica em cartaz até dezembro deste ano no Teatro Renault (Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – República, São Paulo – SP, 01317-000) com sessões às Quintas, Sextas, Sábados e Domingos.

Mais informações : http://premier.ticketsforfun.com.br/shows/show.aspx?sh=LESMISERUB

Antes de tratar desta peça propriamente dita, eu gostaria de falar um pouco de teatro musical como um todo. Cores vibrantes, um ritmo pulsante, uma história envolvente, que compele as emoções e arrasta o espectador para a trama. É impossível não se engajar, não ficar cantarolando as músicas por um bom tempo e não se emocionar com as histórias que vibram a paixão de todos os envolvidos e tornam cada sessão única. É por isso que escolhi o teatro musical como um dos primeiros temas do role cult.


Rocky Horror Show é expoente de tudo que foi dito acima, criando ao longo dos anos um grande séquito de fãs. Este musical vai de uma simples piada ou trocadilho ao absurdo de seus figurinos exorbitantes, tudo muito bem costurado por uma narrativa recheada de referencias a ficção cientifica clássica, assinado por Richard O´Brien em 1975.

Foto: Paginas do folheto de apresentação.

RHS conta a história de Brad (Felipe De Carolis) e Janet (Bruna Guerin) , o típico casal norte americano perfeito vivendo o sonho de se casa, eles decidem visitar um antigo professor deles para os apadrinhar. Porém, uma tempestade muda os seus planos e os leva ao castelo do Dr. Frank ‘N Furter (Marcelo Médici), um alien transexual da galáxia Transilvânia que esta construindo um namorado (essa provavelmente foi a frase mais estranha que eu já escrevi) e de seus empregados, os irmãos Riff Raff (Thiago Machado) e Magenta (Gottsha), duas figuras que parecem saídas de um filme de terror barato.

Com Rocky Horror, Richard O´Brien consegue realizar uma discussão sobre o papel da libertação sexual, e ate mesmo do gênero, sem esquecer de mostrar o quão mal vista essa libertação pode ser. A personagem mais interessante é Janet, que passa por um processo de transformação ao atingir seu primeiro orgasmo com o Frank N´Furter, ela se torna mais livre ao longo do musical, enquanto Brad tenta ao máximo resistir. Em tempos onde sexualidade e gênero eram muito vistos como um tabu, Richard O´Brien conseguiu discutir ambos, ainda colocando enormes doses de referencias a ficção científica e aos filmes de monstro.

Foto: Paginas do folheto de apresentação.

Na versão brasileira, Charles Moeller e Claudio Botelho fizeram muito mais do que adaptar o texto para o português. Eles foram capazes de criar em cima disso, trazendo novas referencias (sem desprezar as originais), ao mesmo tempo que se mantiveram fiéis aos elementos que consagraram a peça, por exemplo o visual extravagante. Em suma, respeitando a obra clássica, adaptaram para os tempos atuais, afinal em tempos de crise e retrocessos é sempre bom relembrar a mensagem do Dr. Frank N´Furter:

“NÃO SONHE, SEJA!”

O ápice do trabalho de criação em cima do original, foi a escalação de Marcelo Médici. O consagrado comediante mostra sua habilidade como cantor, alem de se equilibrar em um salto alto durante toda a peça. De quebra, demonstra maestria ao se apropriar do personagem, trazendo brincadeiras com o momento atual, ele prova que fez o dever de casa e pesquisou este mundo que Rocky Horror condensa. Como resultado, foi impossível para mim não sair do teatro com a bochecha dolorida de tanto rir.

Foto: Paginas do folheto de apresentação.

Botelho, como diretor, realiza um trabalho incrível, criando uma identidade visual muito parecida com a peça, que antecede o filme. Com um palco simples, muita visualidade e poucos objetos, dando liberdade para os atores, com destaque para Felipe De Carolis e Bruna Guerin, o casal de mocinhos. Eles estão muito bem e centrados, até a chegada de Frank n´Furter, com uma entrada digna de uma diva ao som da música “Sweet Transvestite”, bagunça completamente a dinâmica em cena e isso provoca os melhores resultados.

Eu ainda poderia dizer muitas palavras sobre Rocky Horror Show, porém um musical tão vibrante, tão louco, exuberante, contagiante e também cult, deve ser experimentado.

 

Rocky Horror Show tem sessões todas as sextas, sábados e domingos até 26/03
 As 21hrs e 19hrs aos domingos – Teatro Porto Seguro
Preço: entre R$50,00 e R$100,00
Clique aqui para mais informações

Ficha Técnica: Rocky Horror Show

Direção Geral: Claudio Botelho
Adaptação: Charles Moeller
Direção Musical: Jorge Godoy
Elenco: Marcelo Médici, Felipe De Carolis, Thiago Machado, Bruna Guerin, Gottsha, etc…

Rent é um hit absoluto da Broadway e até hoje considerado um clássico moderno do teatro musical. Não é difícil entender o porque, Jonathan Larson, que escreveu o texto original, em meados da década de 90, capturou o espírito perdido de uma geração que sofreu ataques de todos os lados, enquanto defendia um único estandarte: o romantismo.

Rent trata sobre a vida de oito artistas (poderíamos até arriscar a palavra boêmios) que se unem para impedir um “novo rico” de despejar os moradores de um terreno para criar um cyber-estúdio. Mark (Bruno Narchi) e Roger (Thiago Machado) são colegas de apartamento, o primeiro é um aspirante a cineasta, que anda sempre com uma câmera na mão e seu amigo, roqueiro falido que recentemente se descobriu soropositivo.

Também conhecemos:Mimi (Corina Sabbas), vizinha dos dois que se apaixona por Roger; Maureen (Myra Ruiz), a artista performer que planeja uma performance-ato junto com sua namorada Joanne (Priscila Borges), produtora cultural; Angel (Diego Montez), uma gênero fluído* (NOTA: O musical lida com questões de libertação do gênero através desta personagem, porém este termo não existia á época da sua criação. Angel apresenta-se de forma livre, sempre referida no feminino, porém por vezes se apresentando em roupas masculinas) que encontra Tom Collins (Max Grácio), anarquista e gênio após ele ser assaltado e acabam se apaixonando.

A partir dai, o musical acompanha um ano na vida destes artistas , enquanto lidam com o pessimismo da sua época, o HIV, seus sonhos e a incapacidade de pagar o aluguel.

Foto: Folheto do musical – Gustavo Sivi

Seria desnecessário desprender mais palavras sobre o texto de Larson. Rent lida com os inúmeros problemas de sua época de forma delicada, porém sem eufemismos e mais importante sem esquecer que são jovens lutando para construir suas vidas em um mundo que não os quer.

Nesta montagem brasileira, o ator Bruno Narchi assume tanto a direção quanto Mark, o protagonista-narrador, que guia o espectador com sua câmera, nos apresentando esse mundo. Como diretor, Narchi realizou mudanças sensíveis ao visual canônico do palco, retirando os andaimes em prol de uma visualidade mais plana. Como Mark, ele parece fazer menção a Anthony Rapp, interprete original.

Tive a oportunidade de ver a última apresentação de Myra Ruiz como Maureen, a atriz ganhou notoriedade ao interpretar Elphaba no aclamado Wicked, ano passado. Porém é interessante notar que souberam manter o espírito de criar um coletivo de protagonistas, cada um tendo seu momento e sua história.

Foto: Folheto do musical –  Gustavo Sivi

Mesmo sofrendo de algumas questões técnicas na adaptação do texto e da música, no encontro do português e das melodias originais, uma marca forte deste musical, estes elementos não tem impacto negativo sobre o aproveitamento da obra para o espectador médio.

Rent é uma adaptação moderna da ópera La Boheme de Giacommo Puccini. Larsson apesar das mudanças sensíveis e da modernização de contexto, conserva o espírito da peça original. Mesmo após quase 30 anos da montagem original, Rent continua tao importante, quanto a época e deve ser lido, ouvido e visto, afinal ainda temos artistas, professores, LGBTs e jovens em geral, morrendo rejeitados.

Rent tem sessões todas as terças e quartas até 29/03
Sempre as 21hrs – Teatro Frei Caneca
Preço: R$100,00 (meia 50,00)
Clique aqui para mais informações

Ficha Técnica: Rent – no Brasil

Direção Geral: Bruno Narchi
Adaptação: Mariana Elizabetsky
Direção Musical: Daniel Rocha
Elenco: Bruno Narchi, Thiago Machado, Diego Montez, etc..

 

Seja você paulistano ou não, eu tenho um conselho: Visite o MASP! Sempre que estiver pela Paulista, nem que seja para matar tempo ou ver um artista de rua no vão, o passeio até lá vale muito! Sempre que possível conhecer a exposição que o museu desenvolve – e são muitas – isso só acrescentará à experiência.

Atualmente o museu exibe a mostra Histórias de Infância (e se você quer ir, corra! Porque semana que vem ela fecha). As curadoras, ambas da área de história criaram uma experiência imersiva para o visitante que desejar se aventurar. No primeiro andar do museu e no subsolo, desfilam sobre os olhos do visitante um grande número de obras, todas com uma coisa em comum: a infância. Chego a pensar se não era o desejo da curadoria estimular que nós, os visitantes, reflitamos sobre o significado do que é ser criança.

Imagem: Gustavo Sivi – Composição de Obras expostas. 

Essa reflexão é mais do que necessária. É crucial para nós adultos e também para as crianças, que desta vez foram convidadas para dentro da mostra, que pensemos na multiplicidade desta experiência. Ser criança não é somente ser um adulto em potencial, mas é ser um anjo, é construir brincadeiras, é enfrentar a morte, a vida, o nascer, o mundo da educação e também o mundo adulto. Esses são os 6 tópicos que estruturam esta mostra.

Desta forma, a exposição gira em torno destes tópicos, ao mesmo tempo que genialmente explode qualquer auspício cronológico. Logo que o visitante entra, é recebido por duas imagens lado a lado; uma fotografia de dois meninos negros em um dia de praia, trajando somente roupas de banho e uma pintura de duas crianças europeias, brancas e com trajes de gala. Ali é necessário parar e entender essas infâncias em conflito.

Rosa e Azul - Brasilia teimosa - Masp 2 - faltoufoco

Não é, de forma alguma, um passeio infantil, porém a presença da criança dentro desta mostra é importante. A exposição até convida que elas integrem o público, quando opta por baixar a altura das obras expostas até a altura dos olhos dos pequenos. O que vi foram crianças concentradas, tentando entender seu igual que também é seu diferente, mesmo na sessão que lida com retratos de morte infantil, as crianças ao meu redor pareciam imersas na visualidade dos quadros, tentando compreender cada detalhe.

Por fim, a beleza da exposição esta na sua oposição, girando entre beleza e drama, caos e organização, sagrado e mundano, etc… Seria necessário muitas e muitas páginas para falar de cada detalhe, e cada obra desta exposição incrível, mas não tenho esse espaço.

Imagem: (A) Reprodução da Obra de Cândido Portinari, (B) Gustavo Sivi – Obras expostas.

Ah! Uma última nota, a visita ao subsolo compensa tanto quanto toda a exposição. Para as mães, porque ali estão expostas as obras sobre a natividade, que é tão bela, porém cercada de tanta dor ao longo da história. Com certeza gerará reflexões nos corações das mães que são inimagináveis para mim. Os pequenos também podem curtir esse segundo momento porque é lá embaixo que esta o playground artístico, construído especialmente para eles – uma espécie de arte viva.

imagem: Gustavo Sivi.