Filmes & Séries

Hey! Como vão vocês?

Bem, com eu disse por aqui tempos atrás, esses últimos meses andam acarretando menos tempo livre para nós, e infelizmente o blog passou a ser atualizado com menos frequência. Mas em meio a tudo isso ainda conseguimos descolar tempo para honrar nosso compromisso com vocês (pensando em novos assuntos e cumprindo o desafio cinematográfico deste ano) e também nos divertir um pouco.

Ontem assisti a nova produção da Marvel, Homem-Aranha: De volta ao Lar, do diretor Jon Watts. E é sobre ela que vou falar um pouco.

Logo de cara percebemos os traços marcantes do herói desta nova geração, interpretado por Tom Holland, que traz um humor mais adolescente para o longa. E justamente por ser o mais jovem dentre as três versões já filmadas, é possível notar claramente que suas motivações como herói também são distintas.

Tobey Maguire que marcou as telas como o aranha de 2002 até 2007, interpretava um Peter Parker mais sensível, um herói que equilibrava a vontade de usar seus poderes recém descobertos para bem, junto com o desejo de proteger aqueles a quais amava.

Andrew Garfield, que viveu o herói nos filmes de 2012 e 2014, era um cabeça de teia mais despreocupado, descolado e muito inteligente, que quebrava em vários sentidos o estereótipo do antigo garoto nerd, e carregava pouquíssimas semelhanças com o anterior (inclusive os quadrinhos do qual foi inspirado).

Com Tom Holland o contraste é ainda maior. Sua maior motivação é provar o seu potencial como herói para Tony Stark, que apesar de patrociná-lo, repete constantemente que ele ainda não está pronto para grandes responsabilidades e precisa amadurecer.

Foto: Imagem de divulgação, Homem-Aranha: De volta ao Lar, Marvel.

A roupagem desenvolvida pelo Homem de Ferro e entregue a ele, também contribui para uma mudança em suas performances. De modo que nem tudo exatamente vem de seu poder como homem aranha, mas lhe dá uma espécie de reforço e aprimoramento. Inicialmente ele não conhece nem a metade de seus apetrechos, porém sendo um adolescente querendo se livrar de limitações e desbravar o mundo, isso muda logo.

Os aspectos de inteligência foram mantidos, ele é considerado um dos membros mais importantes para o time de decathlon acadêmico de sua escola, além de usar seus conhecimentos para desenvolver suas próprias armas quando preciso.

Foto: Imagem de divulgação, Homem-Aranha: De volta ao Lar, Marvel.

Falando em poder, desta vez o filme não retrata a cena clássica de Peter Parker adquirindo seus poderes por meio da picada de uma aranha mutante. Nem qualquer relato sobre uma possível existência do tio Ben. A história se inicia tempos depois do combate no filme Guerra Civil, do qual ele participou lutando ao lado do Homem de Ferro. Porém em uma conversa com seu amigo Ned (Jacob Batalon) ele faz uma menção ao acontecimento que originou sua força.

Ned caracteriza o amigo maravilhado por descobrir as habilidades e feitos de Peter. O nerd da cadeira como ele mesmo se intitula torna-se na história um aliado na investigação de uma enorme operação criminosa na cidade.

Seu primeiro grande vilão a ser enfrentado exige muito mais do que só o raciocínio e força. O herói é obrigado constantemente a enfrentar as regras, a realidade e acima de tudo seus valores.

Foto: Imagem de divulgação, Homem-Aranha: De volta ao Lar, Marvel.

O enredo é recheado por cenas cômicas, umas das principais características da personalidade do protagonista, mas que no filme não se limita a sair apenas de sua boca. Sua relação com as demais personagens atinge diferentes níveis. May (Marisa Tomei) mostra-se uma tia mais jovem e também mais moderna, concedendo a Peter não só o papel de tutora mas também de amiga. Liz Allen (Laura Harrier) é seu amor platônico, e sua graciosidade faz com que a gente torça para que eles fiquem juntos. A história também apresenta o irreverente e conhecido Flash (Tony revolori), o inimigo acadêmico de Peter, que neste filme tem sua implicância motivada por disputas de Q.I. A observadora Michelle (Zendaya Coleman) deixa a todo tempo no ar a incógnita que talvez ela saiba de muita coisa. Até mesmo Happy hogan (Jon Favreau) assistente de Tony Stark, cria momentos engraçados e desafiadores para o protagonista por não levar muita fé nele.

No geral, o filme mostra-se mais leve do que as versões anteriores, mas ao longo das 2 horas acompanhamos o crescimento e aprendizado desta figura icônica. Seus 15 anos não servem apenas como chamariz para um publico mais jovem, mas é bem utilizado para representar sua batalha entre sua vontade de crescer e as limitações que exigem dele mostrar do que é capaz. Além do reconhecimento que para alcançar a vida da qual almeja muito ainda precisa ser feito.

Mesmo sentindo falta de aspectos que sempre foram carregados por este herói, fiquei curioso pelas sequências (Que espero que aconteçam).

Algumas Curiosidades Sobre o Filme

Apesar de apresentar uma bela diversidade nas telas com personagens descendentes de diferentes etnias no núcleo principal, e se distanciar um pouco do que já foi mostrado sobre o Homem-Aranha, o trabalho de Jon Watts não foge completamente do universo Spider.

Quem é mais ligado no mundo comics e na cultura pop, certamente coletará dezenas de easter eggs durante o filme, que homenageia constantemente cenas que foram impactantes nas Hqs e filmes, inclusive de outras histórias.

As referências também são dadas pela presença de algumas personagens e seus nomes. Como a relação da personagem Michelle, interpretada por Zendaya, e Mary Jane. Logo após a divulgação do elenco, ocorreram fortes boatos de que Zendaya incorporaria Mary Jane neste longa, o que não aconteceu exatamente. Porém em certo momento do filme a garota diz que pode ser chamada por MJ, uma possível ligação por abreviação. Se os dois terão algum tipo de envolvimento, só o futuro poderá dizer.

Entre as cenas que homenageiam diferentes filmes, a que traz o Homem-Aranha correndo pelos quintais da vizinhança, dá ainda mais força para a declaração de que “De volta ao lar” se trata é uma referência aos filmes adolescentes dos anos 80 dirigidos por John Hughes. Inclusive em uma das casas a mesma cena em questão de Ferris Bueller’s Day Off (Curtindo a vida adoidado) é reproduzida ao fundo.

A produção de Sam Raimi, de 2002, também é reverenciada quando Peter é aconselhado a dar um beijo em Liz, enquanto está suspenso de cabeça para baixa.

Se deu curiosidade por mais, o site Omelete compilou muitos dos os easter eggs encontrados no filme.

Eu me despeço por aqui, Abraços e Até mais.

Demorou um pouco mais que o esperado, mas estou aqui para mostrar para vocês os filmes que assisti em Junho, para cumprir as metas do nosso desafio cinematográfico de 2017.

Junho marca o fim do primeiro semestre do ano, logo, também chegamos até a metade de nosso desafio (yeah!). É bem comum que agora as coisas fiquem um pouco mais difíceis, para aqueles que assim como eu optam por sempre cumprir os itens mais acessíveis primeiro, ou relacionar algum filme que assistiu ao acaso com o desafio.

Confesso que selecionar 4 filmes para essa etapa foi um tanto quanto complicado. Assisti muitos filmes incríveis, mas que se enquadravam em categorias já preenchidas, ou em nenhuma para esse ano, ou que não eram inéditos para mim. Mesmo assim, resolvi realocar Kong : A ilha da Caveira na minha lista, para uma categoria mais justa e que me desse espaço para um novo longa. ( Não me odeiem, a gente sempre faz isso).

Enfim, estes foram os filmes de Junho!

23. Uma sequência – Alice Através do Espelho (James Bobin, 2016)

Após uma longa viagem pelo mundo Alice (Mia Wasikowska) reencontra sua mãe, e em uma festa a qual não foi exatamente convidada, descobre más notícias sobre os patrimônios de sua família. No casarão onde a festa está sendo realizada ela percebe a presença de uma criatura que a guia até um espelho, ao tocá-lo Alice descobre uma passagem que a leva de volta ao País das Maravilhas. Em sua chegada descobre que a vida do Chapeleiro Maluco (Johnny Depp) está em risco por conta de sua profunda tristeza. Orientada a procurar o Tempo (Sacha Baron Cohen), ela surrupia um item que lhe permite viajar ao passado, e tenta assim resolver os acontecimentos que ocasionaram tantos problemas. Porém seu roubo traz consequências terríveis ao universo mágico.

A troca de direção do filme fica evidente em muitos momentos, porém acredito que James Bobin soube realizar um ótimo trabalho dando sequência aos traços adicionados por Tim Burton no primeiro filme. E apesar de não ter simpatizado tanto com a personagem de Sacha Baron Cohen, gostei do filme.

24. Um filme com protagonista animal – Pets – A Vida Secreta dos Bichos (Chris Renaud e Yarrow Cheney, 2016)

Eis a troca que fiz com Kong.

Nesta animação embarcamos pelo submundo dos animais de rua e de estimação de Nova York. Tudo começa quando Max, um cachorro que possui uma extrema relação de amor e lealdade com sua dona, se depara com a chegada de um novo membro em seu apartamento. Max não aceita dividir a atenção com Duke, muito menos concorda com seus privilégios, o que resulta em um grande problema quando um plano para um se livrar do outro acaba deixando os dois perdidos.

Em meio a isso, ele se deparam com animais abandonados cheios de rancor e ódio (e com razão) enquanto seus amigos buscam formas de localizá-los e trazê-los de volta em segurança.

O filme não chegou a entrar na minha lista de animações preferidas, mas assim me causou umas boas risadas.

25. Um filme que estreou em 2017 – O espaço entre nós (Peter Chelsom, 2017)

*Fica a dica para a categoria: Um filme com cenas que retratam outro(s) planeta(s).*

Todos estão otimistas com a nova missão espacial gerenciada por Nathaniel Shepherd (Gary Oldman) que desta vez anuncia os primeiros passos para uma colonização em Marte. Em sua equipe de tripulantes encontram-se Sarah Elliot (Janet Montgomery) que viaja sem o conhecimento de sua gravidez. Meses depois, já no planeta vermelho, ela da a luz a Gardner Elliot (Asa Butterfield) o primeiro humano nascido fora da Terra. Gardner cresce na estação, sendo cuidado e educado por cientistas, mas sempre nutrindo um forte desejo de ver um mundo além do qual ele vive. Pela internet ele mantém contato com Tulsa (Britt Robertson), uma jovem que não tem uma vida fácil na terra e desconhece seu segredo. Quando lhe é finalmente apresentada a oportunidade de conhecer a Terra, Gardner decide encontrar-se com ela, e conhecer seu pai.

Confesso que peguei este filme para assistir sem grandes expectativas, certo de que seria mais um romance adolescente fofo, desses que você assiste para passar o tempo. No entanto eu me surpreendi muito com esse filme. Ele consegue carregar muita sensibilidade aos olhos do protagonista, e conta também com uma linda fotografia. Apresenta diálogos descomprometidos mas com mensagens sobre autoconhecimento que não soam forçadas. Traz também detalhes da natureza humana e do planeta Terra passam a ser visto como banis por nós, mas ganham uma proporção imensa na vida de alguém que cresceu longe de tudo isso.

26. Exibido no Festival de Cannes – Okja (Joon-Ho Bong, 2017)

Logo de início o filme nos apresenta Lucy Mirando (Tilda Swinton) com seu discurso empolgado sobre uma nova espécie animal descoberta no chile, a qual sua equipe vem trabalhando para gerar a partir dela uma solução para a fome mundial. Os super porcos como são chamados, são enviados para diferentes países do mundo a fora, com o propósito de serem cuidados por fazendeiros locais, sendo que após 10 anos de monitoração, um concurso elegerá o melhor animal. Nesse meio tempo Mija (Seo-Hyun Ahn) uma garota Sul-coreana, cresce com ao lado de Okja, a super porca destinada ao seu avô. Quando Mija se vê preste a perder aquilo que tem de mais sagrado não mede esforço para ir atrás de soluções, e pelo caminho encontra pessoas dispostas a impedi-la ou lutar ao seu lado.

O filme se equilibra em duas classificações bem acentuadas, a presença de uma heroína de 14 anos pode passar a ideia de que se trata de um filme com uma aventura infantil, e o resgate de um animal a qual ela tem como melhor amiga. No entanto a trama traz um aspecto bem mais tenso e político por meio dos outros núcleos da história. Trazendo discussões como valorização da vida, funcionamento do mercado empresarial, e os reflexos das intervenções humanas pelo planeta.

Em muitas das cenas conseguimos sentir com clareza os grandes contrastes presentes em nossa sociedade, e até que ponto somos capazes de chegar para defender aquilo que nos parece correto.

Esse filme me despertou tantos pensamentos, que estou planejando compartilhá-los com vocês em breve por aqui em um post só sobre isso. E também comentar um pouco sobre a polêmica gerada em torno dela no festival de Cannes. 

AINDA DA TEMPO!

Chegamos assim até as nossas 26 semanas cumpridas, falta só meio caminha, mas há uma noticia boa para você que ainda quer embarcar com a gente no desafio: Ainda da tempo! Isso significa que para quem estiver entrando agora a meta será um pouco maior, uma média de 8 filmes por mês, mesmo assim é uma experiência legal, eu garanto ;).

Por hoje é só. Abraços, e até mais!

 

Quando montamos o desafio cinematográfico deste ano, introduzimos a ele também itens de empatia, adicionando categorias relacionadas ao cenário que vivemos atualmente, e muitas das questões que acreditamos serem merecedoras de debates mais abertos. E nesse ponto, os filmes possuem uma capacidade de vivência e ensino muito grande.

E é por esta razão que introduzimos a lista filmes protagonizados por negros, uma trama sobre refugiados, um filme com protagonistas acima de 60 anos, um longa baseado em uma história real, e filmes de diferentes continentes, para que tivessem a chance de refletir e entender um pouco sobre cenas que algumas pessoas sentem na pele todos os dias.

Para que também pudessem observar o olhar de cada um. Como na categoria de filmes dirigidos e roteirizado por mulheres, que teve não só como objetivo mostrar os espaço conquistado por elas, mas também suas formas de trabalho.

E é também por esta razão que inserimos um item voltado para dramas LGBTs. E a palavra drama nesta categoria exerce um peso imenso. Sabemos das inúmeras comédias com personagens caricatos, sabemos das produções que exaltam uma vida promíscua — aliás, existentes também em besteróis e erotismo hétero — , porém sabemos que isso não representa a vida de um grupo como um todo, nem suas dores e muito menos as batalhas travadas contra o próprio coração em alguns casos.

Ao criar esse guia, outra preocupação nos foi apresentada, a de conseguir coletar uma boa representatividade da diversidade dentro do núcleo LBGT. Que assim como a heterossexualidade, mostra-se muitas vezes disposta a exaltar padrões de comportamento e aparência que dificultam o autorreconhecimento para boa parte da comunidade.

Com tudo isso em mente, esperamos que consigam tirar um bom proveito desta lista!

Vamos Lá?

Orações para Bobby – Prayers for Bobby (Russell Mulcahy, 2009)

Mary Griffith (Sigourney Weaver) é uma cristã devota, que criou seus filhos sob os ensinamentos de sua religião. Seu filho Bobby (Ryan Kelley), passa a ter questões sobre sua sexualidade, e confidencia isso ao irmão mais velho. Dado o momento isso passa a ser de conhecimento de todos, que gradualmente aceitam a orientação de Bobby, porém Mary não acredita que isso seja certo, e tem a fé de que Deus possa salvar seu filho. Para não decepcioná-la Bobby concorda em seguir cada orientação de sua mãe, porém com o tempo ele se torna um garoto depressivo.

O filme consegue entregar uma visão sincera sobre as dificuldades de uma mãe em aceitar a condição de seu filho, e posteriormente as consequências de seu comportamento, o qual ela exercia como proteção, tiveram em sua vida e na vida dele.

O filme é baseado em fatos reais.

Meninos não Choram – Boys Don’t Cry (Kimberly Peirce, 1999)

Baseado em uma história real, o filme retrata a vida de Teena Brandon (Hilary Swank), que viveu em uma cidade de interior, mais precisamente em Falls City, Nebraska. Ao buscar sua identidade de gênero, assume-se como Brandon Teena, vivendo como um homem na cidade. Brandon se apaixona e inicia um relacionamento com Lana (Chloë Sevigny), e cria amizade com John (Peter Sarsgaard) e Tom (Brendan Sexton III). Porém ao ter sua identidade sexual revelada a público, Brandon sofre um ataque de ódio partido da pequena cidade, que resulta em um fim trágico e doloroso.

Lost and Delirious: Assunto de Meninas ( Léa Pool, 2003)

Mary Bradford (Mischa Barton) é enviada para um internato feminino ainda sob os sentimentos da perda de sua mãe, e a indiferença de seu pai e sua madrasta. Ao se instalar no dormitório ela conhece Paulie Oster (Piper Perabo) e Tory Moller (Jessica Paré), duas garotas de personalidades opostas mas com um grande vínculo sentimental. Que logo Mary conhece como um relacionamento secreto entre elas.

No entanto, Paulie e Tory passam por conflitos na relação, ligados ao preconceito de suas famílias e por suas incertezas. As coisas só pioram quando as duas são flagradas juntas. Tory passa a ter uma relação heterossexual, como saída para agradar sua família e tentar esquecer de Paulie, que por sua vez parece enlouquecer ao perder sua amada.

Mary se vê na necessidade de tentar solucionar esta situação.

Tomboy (Céline Sciamma, 2011)

Laure (Zoé Héran) é uma garota de 10 anos, que junto a sua família passa por uma mudança residencial, e por conta disso é uma total desconhecida em seu novo bairro. Quando conhece Lisa (Jeanne Disson), que a confundo com um garoto por conta de seu cabelo curto e o estilo de suas roupas, ela percebe então a possibilidade de se reinventar, e sem desfazer a confusão, passa a viver como Mickeal.

Laure vive uma vida dupla escondendo de sua família suas experiências como garoto, onde ela encontra uma espécie de liberdade.

Morgan (Michael D. Akers, 2012)

No filme, Morgan (Leo Minaya) foi um grande esportista, destaque nas corridas de ciclismo. Após um acidente em uma de suas competições ele vê sua vida transformar-se em uma série de desafios e limitações das quais ele precisa vencer. Como consequência do acidente ele fica paraplégico e passa a viver em uma cadeira de rodas, mas se vê decidido a não deixar sua vida parar.

Dado momento ele conhece Dean (Jack kesy), um ex-combatente que lhe oferece grande apoio. Com o tempo os dois se encontram apaixonados. Mas Morgan se sente insuficiente para o companheiro, que por sua vez não vê suas limitações motoras como um obstáculo para uma grande relação.

O filme consegue retratar de certa forma a sexualidade dos portadores de deficiência, que por muitas vezes possuem dificuldades em se relacionar.

Hoje eu quero voltar sozinho (Daniel Ribeiro II, 2014)

Leonardo (Ghilherme Lobo) é uma adolescente portador de uma deficiência visual, que vive com seus pais em uma cidade do interior. Ele recebe grande apoio e atenção de sua melhor amiga, Giovana (Tess Amorim), mas sofre bullying na escola por sua condição. Quando Gabriel (Fabio Audi) entra para sua turma, Leonardo sente algo despertar, o que começa como uma amizade, logo se transforma em um forte sentimento partido dele.

Apesar de ser um filme leve, a trama consegue explorar o desenvolvimento da sexualidade de Leonardo, trazendo de certa forma o pensamento de que a aparência, o porto físico ou até mesmo o sexo, não são os únicos responsáveis por uma atração, que no filme é retratada de forma simples e inocente.

Moonlight: Sob a Luz do Luar (Barry Jenkins, 2016)

Vencedor de Melhor filme no último Oscar, Moonlight narra a ardua tragetória de Chiron, uma homem negro em uma comunidade pobre de Miami em busca de responder para si mesmo e para os outros “quem ele realmente é”.

Apesar do cenário onde a trama passa a ser desenvolvida, o filme não se limita a contar a história de um jovem negro resistindo a criminalidade. O desenvolvimento mostra o amadurecimento de Chiron, diversos conflitos de relacionamento, e o conhecimento de sua própria sexualidade.

A ainda pequeno, interpretado por Alex Hibbert, o protagonista sofre por ser chamado de “bicha”—palavra da qual ele não entende o significado mas sabe ser um insulto — pelo simples fato de gostar de dançar. Em sua adolescência, interpretado por Ashton Sanders, ele descobre a atração e o amor, ao ponto que seu isolamento aumenta junto com o bullying. Já como adulto, interpretado por Trevante Rhodes, ele se encontra como chefe de tráfico, mas sem sentir que realmente vive aquilo que ele é.

Um pouco mais

Citamos a cima filmes que acreditamos possuir uma maior facilidade e sensibilidade para o entendimento desses assuntos, mas obviamente existem muitos outros que vão até um pouco mais além, e tratam abertamente de assuntos que começaram a ser discutidos só agora dentro da sociedade.

Dentro da categoria descoberta: 

Beautiful Thing – Delicada atração (Hettie MacDonald, 1997)

Shelter – De repente Califórnia (Jonah Markowitz, 2009)

Jongens – Garotos ( Mischa Kamp, 2014)

Azul é a cor mais quente (Abdellatif Kechiche, 2013)


Dentro da categoria Vida e Relacionamento:

O Segredo de Brokeback Mountain (Ang Lee, 2005)

Documentário: You Not Alone (Stanley Bennett Clay, 2012)

Documentário: Bridegroom ( Linda Bloodworth-Thomason, 2013)

Cuatro Lunas – Quatro Luas (Sergio Tovar Velarde, 2014)

Praia do Futuro (Karim Aïnouz, 2014)

Amor por Direito (Peter Sollett, 2016)

Dentro da categoria Indenidade de Gênero:

Minha Vida em Cor-de-Rosa (Alain Berliner, 1996)

Garota Dinamarquesa (Tom Hooper, 2015)

Laurence Anyways (Xavier Dolan, 2012)

Esta foi nossa colaboração para o desafio, e também o espaço que abrimos no blog para o mês da consciência LGBT. Se você conhecer outros títulos que mereçam destaque deixe nos comentários, e nos conte também se já assistiu algum desses e o que achou.

Lembrando que por aqui buscamos sempre o respeito e uma boa relação com todos, dispensamos brigas e discursos de ódio. Não confunda liberdade de expressão com opressão.

Abraços e até mais.

Hey! Chegou a hora de contar pra vocês o que eu andei assistindo para cumprir nosso desafio cinematográfico aqui do blog. O post conta com os itens desses últimos dois meses, por isso ficou um pouco extenso. Mas espero que gostem e consigam pegar dicas legais de filmes para assistir.

VAMOS LÁ?

14. Indicado ao Oscar por melhor roteiro – Ex_Machina (Alex Garland, 2015)

O filme foi indicado ao Oscar de melhor roteiro em 2016, mas perdeu para Spotlight, nele somos apresentados a Caleb (Domhnall Gleeson) um programador que é contemplado em um concurso onde ele trabalha e é levado até a mansão secreta de Nathan Bateman (Oscar Isaac) um renomado e inovador cientista, dono da empresa.

Ao chegar no local Caleb descobre que está lá na verdade para participar de experimentos com a nova criação de Nathan. Uma robô dotada de inteligência artificial chamada Ava (Alicia Vikander), que junto a ele é submetida ao teste de Turing — que visa medir a capacidade de uma máquina em desenvolver raciocínio humano, ou levar uma pessoa a desacreditar está interagindo com uma.

Fato é que o filme carrega isso muito bem, tanto que por diversos momentos me peguei assim como Caleb, criando empatia e preocupação pelo confinamento da máquina. O roteiro conseguiu mexer com a minha mente, me levando a acreditar em uma faceta por boa parte da história, e me surpreendendo muito no final.

Eu havia ouvido comentários de algumas pessoas que não curtiram tanto o ritmo do filme. Mas na minha opinião, tanto o ritmo como os diálogos soturnos contribuíram muito na criação do suspense instalado no longo.

15. Um filme vencedor do Framboesa de Ouro – Tartarugas ninjas (Jonathan Liebesman, 2014)

Em 2015 tartarugas ninjas roubou a cena se destacando na premiação do Framboesa de Ouro, por ter tido várias indicações como pior filme e pior diretor, mas se elegendo apenas na categoria de pior atriz coadjuvante por meio da Megan Fox.

Fato é que o filme não traz diálogos tão profundos e uma boa interação entre os personagens como se espera de um filme sobre super heróis. Além da leve modificação no temperamento e físico das tartarugas, que foram tão presentes na infância de várias pessoas. O filme parece tentar se equilibrar entre uma história que irá agradar um público mais jovem e ação para os adultos, mesmo assim consegue entreter.

Neste longa a repórter April O’Neil (Megan Fox) se mostra descontente com sua posição atual na emissora e busca noticias maiores para apresentar. Ao se deparar com um roubo de carga no porto, e a forma como a ação foi impedida, ela passa a investigar a existência de um suposto vigilante na cidade.

Logo, ela se cruza com Rafael Alan Ritchson), Leonardo (Pete Ploszek), Michelangelo (Noel Fisher) e Donatello (Jeremy Howard), tartarugas mutantes que vivem em nos esgotos da cidade, e foram criadas educadas pelo Mestre Splinter (Danny Woodburn), um rato que domina a arte do kung-fu. O caminho das tartarugas e da repórter April se mostra mais interligado do que eles imaginam, sendo que precisaram se unir, contando ainda com a ajuda do câmera Vernon (Will Arnett) para derrotar aquele que está por trás de sua criação, pois ele carrega objetivos malignos.

16. Um filme baseado em uma história real – Na natureza Selvagem (Sean Penn, 2007)

Christopher McCandless (Emile Hirsch) um jovem recém-formado na faculdade, decide que quer mais liberdade para sua própria vida, e para cumprir este objetivo decide largar absolutamente tudo que remete a vida de riqueza dos pais e se atirar em uma jornada rumo a respostas para si mesmo.

Durante sua caminhada pela Dakota do Sul, Arizona, Califórnia e Novo México, ele conhece pessoas que acrescentam algo em sua vida, e faz amizades verdadeiras. Quando então decide ir rumo ao Alasca, para viver em completa função da natureza, encontrando abrigo em um ônibus.

O filme é baseado na real experiência vivida por Christopher McCandless, também conhecido como Alex Supertramp, nome que ele adotou em sua jornada, as cenas foram retiradas dos relatos em seu diário, e dos segredos revelados por sua irmã e um livro.

O ator Emile Hirsch surpreende com sua entrega e interpretação. É uma filme que sem dúvida mexe com o emocional.

17. Um filme que tenha uma única palavra ou verbo como título – Nerve (Ariel Schulman e Henry Joost, 2016)

Apesar do título brasileiro acrescentar a frase “Um jogo sem regra” ao título, originalmente ele é chamado apenas por Nerve, e é baseado na obra de Jeanne Ryan.

Vee DeMarco (Emma Roberts) está vivendo seus últimos dias de ensino médio e fazendo planos para a faculdade, quando então fica sabendo sobre o jogo, inicialmente por sua amiga Sydney (Emily Meade) disposta a cumprir os desafios e ganhar popularidade. Após um desentendimento entre amigos, Vee decide acessar o jogo para provar que pode ser mais do que uma garota que vive à sombra dos outros.

O jogo — é muito black mirror — funciona da seguinte forma: Os participantes são divididos em observadores ( seguidores), responsáveis por designar desafios, e jogadores que estão ali para cumprir. A acessar o jogo todos os dados dos competidores de redes sociais até contas bancárias são coletados, e usados com guias para inspirar os desafios. Ao completar uma prova, um valor em dinheiro lhes é depositado.

Ao passo que a disputa se aproxima de uma final pelo grande vencedor, os desafios passam a ficar mais intensos e arriscados, pondo suas vidas em risco, um dos motivos pelos quais Tommy (Miles Heizer) amigo de Vee se empenha em investigar o jogo e convencê-la a desistir, enquanto ela se aventura pela cidade com Ian (Dave Franco) um participante que ela conhece em seu primeiro desafio e se alia no segundo, mas o que ela não sabe é que ele carrega um segredo ligado ao jogo.

O filme consegue fazer uma crítica legal em cima do poder que as pessoas encarnam no anonimato, e de certa forma também sobre o fenômeno da buscar por aprovação na internet.

18. Um filme dirigido e roteirizado por mulheres – Very good Girls : Garotas Inocentes (Naomi Foner Gyllenhaal, 2013)

O filme roteirizado e dirigido por Naomi Foner Gyllenhaal, que conta com a composição de Jenny Lewis para trilha sonora, nos mostra a vida de Lilly (Dakota Fanning) e Gerry (Elizabeth Olsen) que são duas amigas inseparáveis que encaram juntas o processo para ingressar na vida adulta.

Gerry sonha em conseguir reconhecimento como cantora e compositora, enquanto Liliy se prepara para entrar em uma universidade. Juntas, após o primeiro verão depois de formadas, elas decidem que está na hora de que a primeira vez de ambas ocorram, e que deve ser antes do fim da estação. Mas a amizade delas passa a ficar em risco sob os olhos de Lily que se vê apaixonada pelo mesmo garoto que a amiga, e decide que o melhor a fazer é protegê-la dessa revelação.

Além do interesse mútuo por David (Boyd Holbrook), problemas familiares tornam tudo ainda mais difícil para elas, nesse período de autoconhecimento, amadurecimento e paixão.

O filme consegue trazer uma boa perspectiva sobre as ligações e relacionamentos humanos. Ao ponto que os personagens passam por cima de deus próprios problemas para garantir o bem estar do outro. Além de entregar uma visão feminina sobre o sexo.

19. Um curta-metragem – World of Tomorrow (Don Hertzfeldt, 2015)

O curta de animação foi escrito e dirigido por Don Hertzfeldt, e ilustrado por Julia Pott. A produção foi premiada no Empire Award pela categoria de Melhor Curta Metragem no ano de 2016, também foi vencedora e premiado no Festival Sundance de Cinema, e indicado ao Oscar de melhor curta-metragem de animação em 2016.

Na história somos apresentados a Emily, uma garotinha que por volta dos seus 4 anos de idade é visitada por sua “duplicada” mais velha de um futuro bem distante, com o objetivo de lhe mostrar e contar a ela o rumo tomado pela humanidade, e as coisas que podem a aguardar no futuro.

As duas compartilham memorias e sentimentos enquanto viajam pelo espaço no tempo. Mas a forma inocente e encantadora com que Emily encara os assuntos sérios e desgraças eminentes que torna o curta tão especial.

O tempo de duração é de 17 minutos, muito bem distribuídos.

20. Um filme sobre refugiados – A Boa Mentira ( Phillipe Falardeau, 2014)

O filme retrata a jornada que milhões de africanos, principalmente crianças, precisaram percorrer para salvar suas vida em meio a uma guerra civil nos anos 80 (1983). Motivada por religião e recursos minerais, a guerra que pôs o Sudão do Norte contra o Sul, dizimou aldeias e vilarejos pelo país, aumentando drasticamente a porcentagem de órfãs sob a Africa Subsariana.

Logo de início o filme apresenta este conflito, junto com as personagem que iremos acompanhar durante a história. Mamare, Jeremiah, Paul, Abital guiados pelos cuidados de Theo, atravessam o país passando pela Etiópia e por fim o Quênia, uma viagem que os entregam a muitas desgraças pelo caminho. — Um elenco mirim fantástico.

O filme se divide em duas etapas, quando por fim, 13 anos depois reencontramos os protagonistas agora mais velhos ( interpretados por Arnold Oceng, Ger Duany, Emmanuel Jal e kuoth Wiel) vivendo em um campo de refugiados, recebendo a notícia de que terão a chance de tentar uma vida melhor por meio de um programa de acolhimento — responsável por dar oportunidade acerca de 3600 refugiados — porém bastante burocrático.

Além do estranhamento destes irmãos sob uma realidade completamente oposta da deles, o filme dá também uma visão de como os outros tratam esta diferença, o posicionamento das autoridades sobre a situação, o preconceito incubado, mas também o amor e acima de tudo o altruísmo. Infelizmente o filme se perde um pouco nesta segunda etapa ao apresentar a personagem Carrie Davis (Reese Witherspoon) — encarregada de ajudá-los — criando uma leve distância entre a história dos protagonistas, tão marcante no começo. Infelizmente até a imagem da Reese Witherspoon é usada para vender o filme, o que me causou um questionamento.

Mas não deixo de recomendar e muito esta história.

 21. Indicado ao Globo de Ouro – Lion: Uma jornada para casa (Garth Davis, 2016)

Lion ganhou destaque recentemente por suas indicações ao Oscar e ao globo de Ouro, entre muitas outras premiações. E não é só pela minha inclinação a gostar dos trabalhos do Dev Patel que digo que um dos melhores filmes que assisti neste desafio.

Saroo ( Sunny Pawar) nutre um relacionamento gracioso com seu irmão Guddu (Abhishek Bharate), o qual exerce grande carinho e cuidado sob ele. O que contribui ainda mais para que a separação entre dois seja difícil de ser assistida. O pequeno Saroo acaba indo parar a 1600 quilômetros de sua casa, ficando preso em um vagão por dias. Perdido, e sem conseguir se comunicar — pois fala em Hindi e não compreende bengali, idioma local — ele é hostilizado pelas pessoas e se vê obrigado a dormir nas ruas.

Após dois meses nesta situação, e fugindo de pessoas más intencionadas, Saroo é “acolhido” por um orfanato em estado de calamidade, e é registrado como desaparecido. Até que por fim é adotado por um casal na Austrália.

20 anos após todos esses acontecimentos já o vemos como um homem, mudado por não possuir mais tanta ligação com sua cultural natal, vivendo e desenvolvendo planos para sua vida ao lado de sua família. Quando as lembranças sobre seu passado e sobre quem ele é, que de certa forma nunca os abandonaram, voltam em sua mente motivando-o a prosseguir em uma busca incansável.

A singela interpretação de Sunny Pawar é impactante, é possível sentir o quanto ele deu o seu melhor para este papel. A fotografia do filme auxilia e muito na interpretação da história, mostrando como o mundo era grande e amedrontador sob o olhar do garoto. Outro fator de destaque está na preservação dos idiomas locais, que desempenham uma forte influencia na historia.

O olhar cansado de Dev Patel, a representação de como tudo aquilo mexe com sua vida, o carinho e preocupação de Lucy (Rooney Mara), o amor presente de seus pais adotivos. Tudo somado consegue criar um ótimo filme. Baseado em uma história real.

22. Um filme premiado em um festival brasileiro – Colegas (Marcelo Galvão, 2013)

Colegas foi premiado com o Kikito de melhor filme no Festival de Gramado.

O filme que ganha uma narração em forma de fábula, conta a história de Stallone (Ariel Goldenberg), Aninha (Rita Pook) e Márcio (Breno Viola), três amigos decididos a realizar os maiores sonhos de suas vidas. E para isso se juntam em plano mirabolante inspirado nos filmes que costumam assistir na videoteca do instituto para jovens portadores de síndrome de Down onde eles moram.

Ao roubar o carro do Jardineiro (Lima Duarte) e cometer uma série de assaltos para financiar a viagem, os três acabam parando nos telejornais, que dá uma proporção imensa ao caso, enfatizando a condição dos três como o principal problema.

O longa consegue emitir momentos engraçados, tocantes e apaixonantes, e é possível sentir como os três atores crescem ao longo das interpretações. Algumas piadas “não-politicamente corretas à parte”, é um filme que fala sobre a superação de limitações e quebra de estereótipos.

Não deixem de compartilham com a gente o que vocês andam assistindo!
Abraços e até mais.

Se você, caro leitor, que é fã de cinema e não perde um grande lançamento já se perguntou da onde vem a fascinação do cinema com monstros e entidades? Porque o mocinho e a mocinha sempre ficam juntos no final? Entre tantas outras… Seus problemas acabaram! (prometo que não vou vender nenhum produto Polishop).

Nós aqui do blog pensamos em um guia rápido para incentivar o cinéfilo moderno a conhecer e entender melhor as origens da sétima arte. Afinal, desde que o cinema nasceu, como uma atração de luz em circos e até o último mega lançamento da Marvel, ele possui essa capacidade de fascinar o espectador, atrair olhos, congelar mentes. A lanterna mágica (como era conhecido em seus primórdios) tem uma capacidade única de nos cativar, seja com a chegada de um trem ou uma parada dos maiores super heróis da Terra.

A proposta é simples, como seria impossível indexar todos os filmes já produzimos, optamos por um abordagem associada ao gênero fílmico, e escolhemos filmes que não gerem tanta estranheza para uma platéia moderna. Assim chegamos a 4 gêneros: Suspense, Drama, Musical e Arte. Quanto aos dois primeiros, são gêneros consagrados na indústria do cinema desde os primórdios de Hollywood e constituem-se de uma história e narrativas bem delineadas. Como espectadores, são duas das formas as quais estamos mais acostumados.

O terceiro, o Musical, se refere a uma novidade com o aparecimento do cinema sonoro , grande novidade da década de 30, este mesmo gênero que alçou ao estrelato artistas como Fred Astaire e Gene Kelly. Mais cedo neste ano, falamos de La La Land, uma grande homenagem a Era de Ouro dos Musicais.

Apesar de ter apenas seus 100 anos de idade, o cinema já oferece um vasto mar de possibilidades e formas de explorá-lo e conhecê-lo, o gênero é somente uma delas, que escolhemos por ser mais próxima da realidade de todos nós.

Ao leitor que se aventurar por esses mares turbulentos da história do cinema, eu desejo boa sorte e espero ser um bom guia.

Suspense

É um mundo cheio de monstros e criaturas sombrias, incertezas, medos e inseguranças. Nada parece muito certo ou no seu lugar. O suspense fascina pois escancara as contradições do nosso próprio mundo. Ao corajoso fã deste género pode encontrar nestes 4 filmes uma oportunidade de conhecer as origens do medo.

Nosferatu (F. W. Murnau, 1922)

Se há uma gênese do horror moderno, ela está em Nosferatu (ou em O gabinete do Dr. Caligari, filme anterior e realizado em condições artísticas semelhantes). Murnau arregimenta todas as ferramentas disponíveis a sua época para criar calafrios na espinha de qualquer plateia, ao contar a história de um banqueiro levado a remota Transilvânia para colaborar com o misterioso Conde Orlock (Max Schreck) que está em busca de comprar terras.

É impossível negar, tudo que faz um bom filme de terror está aqui, porém por ser muito velho exige uma certa paciência de nossas audiências modernas.

Drácula(Todd Browning; Karl Freund, 1931)

Se há uma gênese do terror hollywoodiano, ela está em (interpretado por Bela Lugosi), que foi capaz de reunir uma diversidade de aspectos que já eram correntes no cinema norte americano. A história é exatamente a mesma de Nosferatu, porém desta vez podemos identificá-lo abertamente com o romance de Bram Stoker.

Desta vez, por já ser um filme falado (os primeiros filmes falados datam de 1927 e 1928), Drácula é mais fácil de assistir, e como consequência teve enorme sucesso de público e se tornou uma herança continuamente readaptado em Hollywood.

Psicose (Alfred Hitchcock, 1960)

Alfred Hitchcock foi especialista em levar calafrios às especialistas por todo uma geração, o diretor se consagrou como um dos grandes neste gênero e poucos tem uma obra tão coesa e interessante quanto a dele (recomendo todos os filmes que você conseguir ver) Porém, a cereja do bolo é sem dúvida a história de Marion Crane (Vera Miles), a secretária em fuga que vê a sua situação ficar ainda mais complicada quando decide parar em um motel a beira de estrada e conhece o estranho Norman Bates (Anthony Perkins).

Drama

Drama (ou melodrama para os íntimos) é a estrutura por excelência do cinema hollywoodiano, o mocinho que se apaixona pela mocinha porém seu amor é dificultado por um vilão malvado e moralmente corrupto. (Essa estrutura fundante da narrativa clássica norte americana aparece desde os primeiros curtas de David Griffith em 1915 e sobrevive até hoje.) Flores, uma atmosfera de romance e longas trocas de olhares entre os apaixonados povoam este universo tão vasto que se faz difícil de mapear.

E o vento levou (Victor Fleming, 1939)

A filha rica da família O’hara, é a principal protagonista deste imortal romance de época do cinema norte americano. Scarlett O’hara (Vivien Leigh) é herdeira de uma plantação sulista que se vê entre duas paixões em meio a guerra de secessão dos EUA (quando o Sul buscava se separar do norte).

Por ter um pano de fundo histórico, o filme se embrenha na fundação dos EUA, mesmo que não se aprofundem nos temas da guerra. A saga de Scarlett em busca de seu amor perfeito ainda é capaz de gerar lágrimas no público contemporâneo (mas se prepare que esse filme é enorme. Boa sorte e leve os lenços).

Casablanca (Michael Curtis, 1942)

Escondido na cidade de Casablanca no Marrocos (domínio nazista da frança ocupada) , o americano Rick Blaine ( no papel que imortalizou Humphrey Bogart) é dono de um pequeno café que é referência e ponto de encontro na cidade. Quando sua ex esposa reaparece casada com um membro da resistência a ocupação, Rick é obrigado a decidir se perde ela de novo ou se ajuda os dois a escaparem dos domínios nazista.

Assim como na obra anterior, são eventos históricos massivos que dão pano de fundo ao romance, porém em face do casal apaixonado sempre. Também como a obra anterior, trilhou um caminho de sucesso e é sessão obrigatória para fãs do gênero.

Hiroshima meu amor (Alain Resnais, 1959)

Simplesmente a obra fundamental de Alain Resnais, que entrelaça uma tragédia histórica com uma tragédia pessoal de um casal, e consegue a partir daí discutir as sobrevivências da memória.

Resnais entrelaça( mudar) as cenas de amor entre um homem japonês e uma mulher francesa, com a rememoração constante da explosão da bomba na cidade de Hiroshima. A bomba parece explodir mil vezes diante dos olhos do espectador e do casal de amantes.

Diferente de “E o vento levou” e “Casablanca”, este se aproxima muito mais do filme de arte, dentre outras coisas porque no embate entre um romance e a própria história, a história acaba prevalecendo e chamando atenção, e também por outras questões técnicas como a preferência do diretor pelo silêncio e pelas tomadas mais longas .

Musical

Com o advento do som, naturalmente vem a música. E com a música vem a dança, vem as cores, vem o movimento e toda a agitação que desde sempre contaminava os palcos da Broadway. O musical, apesar de se assentar posteriormente em Hollywood, traz consigo uma das era mais celebradas do cinema de gênero, a era de ouro acompanha Fred Astaire,Gene Kelly, Julie Andrews entre tantos outros. A atmosfera onírica contamina o cinema das décadas de 40 e 50, após um período de adaptação, e neste momento se produzem algumas das mais inesquecíveis obras. Inclusive, é válida a menção que se faz, a La La Land, que constrói uma homenagem a este cinema de sonhos e ritmo.

Cantando na chuva (Stanley Donnen, Genne Kelly; 1952)

Essa obra imortal e inesquecível fala justamente do período de transição pelo qual os astros e estrelas de uma hollywood muda tiveram que se adaptar ao sonoro.Don Lockwood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Debbie Reynolds) são um casal de queridinhos da América que tem que se adaptar aos novos tempos, se utilizando de uma diversidade de formas para tentar manter sua fama nesta nova era do cinema.

Amor, sublime amor (Jerome Robbins, Robert Wise; 1961)

Nascido na Broadway e livremente inspirado em Romeu e Julieta, Amor sublime amor (west side story) é um musical que coloca conflitos sociais e étnicos em jogo. Tudo entremeado por uma história de amor das boas (dá pra esperar menos se é baseado em Romeu e Julieta? ) e muito bem colocado no west side, o bairro da classe trabalhadora de Nova Iorque.

Noviça rebelde (Robert Wise, 1965)

Depois que percebe ser incapaz de seguir as regras de um convento na Áustria (rebelde ela né?) Maria (Julie Andrews) se torna governanta e babá dos filhos do Capitão Von Trapp (Christopher Plummer),a partir daí, ela ensina as crianças o dom da música. Porém, a história complica as coisas pois estamos tratando de uma Áustria da década de 30 que está prestes a sofrer uma invasão nazista, capaz de dificultar muito a vida da família Von Trapp.

A noviça rebelde é um daqueles filmes que ficam conosco muito tempo depois que o vemos, assumindo uma espécie de papel de destaque na cultura ocidental. O mais interessante que descobri enquanto pesquisava sobre este filme, é que é uma história verídica baseada no livro de memórias de Maria Von Trapp (spoilers?).

 

 

Essa foi apenas uma pequena introdução ao cinema clássico. E você? Qual seu filme clássico favorito?? Qual gênero você gosta porém não viu aqui? Conta pra gente assim continuamos a fazer mais deste conteúdo 🙂