Livros

É verdade que não deveríamos nos preocupar tanto em criar distinções de raça ou gênero para agregar valor aos feitos de alguém. Mas é importante lembrar que esse tipo de pensamento é muito recente na nossa sociedade. E que muitas pessoas precisaram sim de um esforço maior para serem reconhecidas.

A inspiração para esse post não veio só do Feriado Nacional da Consciência Negra, mas também porque essas mulheres trazem, de certa forma, uma enorme bagagem cultural e histórica para seus livros. Discutindo assuntos atuais, ou que foram em uma época.

E mesmo não sendo escritoras brasileiras, acredito que suas vozes sejam capazes de se conectar com qualquer pessoal, independente da nacionalidade, seja por empatia, conhecimento ou identificação.

E é por isso que quero ler:

Nicola Yoon

Nicola Yoon já é conhecida por muitos pela obra “Tudo e todas as coisas“, que ganhou adaptação para o cinema neste ano. O sucesso da escritora se repetiu em “O Sol também é uma Estrela“, que chegou a ficar 38 semanas na lista de mais vendidos do New York Times. Ela viveu parte da sua infância na Jamaica e Brooklyn, e atualmente vive em Los Angeles com sua família.

No livro, Natasha de 17 anos, nasceu Jamaica mas quando pequena foi com sua família para os Estados Unidos, onde seu pai desejava tentar uma vida de ator, um plano não muito bem sucedido. Ela então cresce no país absorvendo toda a cultura e costumes locais. Certo dia seu pai é abordado e revela que sua família está em situação ilegal no país. Agora Natasha dispõe de apenas 12 horas para encontrar uma maneira de não ser deportada.

Do outro lado, Daniel, filho de coreanos, tem toda sua vida já programada por seus pais, os quais ele tentou agradar durante anos. No entender seu real sonho é ser escritor e não médico como lhe foi destinado.

Os dois se encontram na espera para audições de apelo contra a deportação. Porém Natasha que não acredita em amores à primeira vista, destinos ou coisas do tipo, não enxerga essa situação como convidativa para um romance. Daniel por sua vez, afirma sentir que os dois viverão uma história juntos.

Além do ponto de vista das duas personagens, o livro também conta com o ponto de vista do Universo. A autora acrescenta na história divergências culturais, reflexão sobre identidade e uma narrativa poética.

 

Angie Thomas

Angie Thomas nasceu, em Jackson, no Mississipi. Ela foi rapper em sua adolescência e mais tarde formou-se bacharel em Escrita Criativa pela Belhaven University.

Seu livro de estreia, O ódio que você semeia (The hate U give) foi também o primeiro a vencer o Walter Dean Meyers Grant, em 2015, na categoria We Need Diverse Books. E alcançou a lista de mais vendidos do New York Times na semana do seu lançamento.

Angie Thomas trouxe para o gênero Y.A, que é marcado geralmente por relações adolescentes e questões de amadurecimento, um assunto que ganhou visibilidade em todo o mundo, mas que não chegou a ser tratado com seriedade por muitos. Sua inspiração baseou-se na onde de assassinatos de pessoas negras, pelas mãos de policiais nos Estados Unidos.

No livro Starr é adolescente que vive em um bairro majoritariamente de afrodescendentes, e estuda em uma escola de elite, em sua maioria de alunos brancos. Enquanto volta para casa depois de uma festa com seu melhor amigo Khalil, os dois são abordados por um policial. E é quando tudo acontece, um simples movimento de seu amigo com as mãos o leva a morte, e Starr presencia toda a ação.

Tempo depois ela se vê diante da situação: Testemunhar e contar tudo o que viu, ou calar-se para não sofrer represálias.

Muitos afirmam que Angie Thomas consegue causar impactos com suas palavras, principalmente ao tratar da forma como os negros são ensinados a se comportarem sempre que abordados por autoridades. O livros também despertou o interesse da Fox, que passou a trabalhar em uma adaptação para os cinemas.

 

Chimamanda Ngozi Adichie

A escritora nigeriana, nascida em 1977, é vista atualmente como uma das maiores e mais fortes vozes femininas da literatura contemporânea. Apesar do sucesso mundial Chimamanda não faz questão alguma de apagar suas raízes, que ficam evidentes em suas obras.

Coloquei em destaque dois livros dela que já quero ler faz um bom tempo: Americanah, que nos apresenta Ifemelu, uma mulher que deixou a Nigéria em meio a uma ditadura militar, e foi para os Estados Unidos, onde consolidou seus estudos, mas tendo que enfrentar o preconceito por ser imigrante, mulher e negra. Quinze anos mais tarde ela fica famosa no país, mas sua ligação com seu lugar de origem a leva querer voltar para Nigéria, o que a põe de frente com um cenário oposto do qual ela se lembrava.

Hibisco Roxo traz uma discussão ousada. Kambili é uma adolescente nigeriana, filha de Eugene, um reconhecido dono de indústria, que por sua vez se virou contra qualquer manifestação de fé contrária a qual ele se converteu, a extremamente “branca” e católica. Sua intolerância torna-se tão forte que ele rompe contato com o próprio pai e irmã. A narrativa acompanha Kambili nessa situação de opressão dentro de casa, ao mesmo tempo que ela descobre um mundo contrário às rédeas que lhe foram impostas.

 

Octavia E. Butler

Atualmente é um dos meus livros mais desejados. E logo vocês entenderão o porque.

Chamada de a Grande Dama da Ficção cientifica, Octavia Estelle Butler foi uma escritora afro-americana consagrada por seus livros de ficção científica, que abordam o preconceito, racismo, e a desigualdade de gênero. Mas apesar de ter seu nome em destaque na literatura de ficção científica, Octavia foi publicada pela primeira vez no Brasil meses atrás, através da editora Morro Branco.

Seu título de consagração veio por meio de muito esforço. A escritora nasceu na Califórnia em 1947, foi por volta dos seus 12 anos que se encantou pelas histórias, e desde então criar tramas impactantes tornou-se seu objetivo de vida. Porém Octavia se encantou por um gênero literário que não só era dominado por homens, mas também por brancos.

A frase “Negros não podem ser escritores” dita por sua tia, que apesar de bem intencionada repetia o discurso de segregação, a impulsionou a provar o contrário. Foi então, em 1979 que Kindred seu primeiro livro foi publicado.

Kindred traz Dona como protagonista, uma jovem de 26 anos que acabara de se mudar com o marido para um apertamento. Quando então, em meio aos livros e as caixas, Dona sente-se mal e observa o mundo a sua volta despedaçar-se. Ela acorda em uma floresta próxima a um rio, onde depara-se com uma criança se afogando. Após arrastá-la para margem, Dona é intimidade com o cano de uma espingarda diante dos seus olhos. E em um piscar de olhos, ela está de volta em seu apartamento.

A experiência volta a se repetir vez a após outra, Dona volta no tempo para os EUA do início do século XIX – “um lugar perigoso para uma mulher negra” –, e quanto mais tempo passa por lá, mais apercebe-se de que sua própria existência depende de um fator ligado ao passado.

Esta edição de Kindred – Laços de Sangue conta com manuscritos de Octavia, bem como imagens e alguns fatos sobre sua vida.

Me conta se você souber de mais alguma escritora que eu deveria conhecer, ou se já leu ou se interesse por algum desses livros!

Abraços! Até mais.

Foto: Ilustração – de desconhecido

Na última parte do nosso especial sobre histórias assustadoras — veja a #1 e #2 parte —, não dá pra falar de contos de terror sem os calafrios causados pelo norte americano Edgar Allan Poe (1809 – 1849), que mais de 100 anos após sua morte ainda é um ícone absoluto do terror ao redor do mundo e continua provando seu poder de assustar leitores e plateias e inspirar as novas gerações de autores de terror.

Poe escrevia como se conhecesse as trevas, representando sentimentos ruins, principalmente o desespero, através de histórias diretas e sem enrolação ou enfeite. Ele soube como poucos estimular o lado negro da imaginação humana, e por isso é leitura perfeita para uma sexta feira 13.

Existem ótimas coletâneas e edições para os textos do autor, por exemplo a completa coletânea da Darkside Books que já falamos por aqui. Porém para este post, escolhi três dos textos que mais gosto do autor, assim relembro de três clássicos para os fãs e apresento três dos melhores para os que ainda não conhecem Edgar Allan Poe.

No geral, Poe escreveu sobre uma gama de angústias, desesperos, assombrações, culpas, sendo capaz de ver como ninguém a mente humana. Até mesmo o amor toma um lado sombrio nas mãos dele, como em “O corvo” nesta maravilhosa edição da Darkside Books que conta até mesmo com a tradução feita pelo mestre brasileiro Machado de Assis. Mesmo que escrito em forma de poesia, a capacidade narrativa desta história é tão incrível que o autor facilmente transporta o leitor para a cabeça de um homem que perdeu o amor e se vê atormentado por um corvo.

Outro trabalho muito reverenciado do autor é “O Gato Preto”, um conto absolutamente original, de novo, Poe retrata de forma inigualável a descida de um homem a loucura, e as consequências disso, dessa vez a figura sombria é um gato, que lembra o homem das suas sombras. O gato preto que parece olhar diretamente na alma do louco, o gato é implacável em revelar ao homem a loucura interna dele que ele negligenciou em ver.

Por fim, temos “O barril de amontillado” apesar de menos conhecido, este conto retrata a suprema e mais sádica história de vingança, quando dois homens decidem explorar uma cripta sozinhos. Inclusive, é melhor que seja dito pouco deste conto para que o leitor o explore sozinho.

Poe continua a ser referenciado em muitas obras até hoje, e lido e atualizado sempre que precisamos de um bom calafrio. Com uma obra imortal dessas, qual seu conto preferido dele? Acham que esquecemos de algo? Conta aqui, vamos nos assustar juntos com Poe!

Ah! Que saudade de vocês!

Muito tempo atrás, em meio a uma conversa com o Gusta, tivemos um estalo de ideias envolvendo formas de continuar falando sobre livros aqui no blog, mas não necessariamente através de resenhas. Um ano se passou, mas a vontade de levar esses assuntos adiante permaneceu viva em nossas mentes.

E aproveitando a data de aniversário do fim da segunda guerra mundial (1 de setembro de 1939 – 2 de setembro de 1945), resolvemos trazer um dos assuntos dos quais havíamos pré selecionado: Livros com protagonizados por crianças (ou jovens) na segunda Guerra Mundial.

*Apesar do tema, a maioria dos livros desta lista não são infanto juvenis*

1. O Menino do Pijama Listrado

Este sem dúvida seria um dos principais livros relacionados por muitos ao ver a temática desta lista. O menino do pijama listrado além de ser considerada a mais memorável obra de John Boyne, também inspirou a emocionante adaptação do diretor Mark Herman, em 2008.

O livro narrado em terceira pessoa nos leva a observar as mudanças que passam a ocorrer na vida de Bruno, com aproximadamente 9 anos, quando ele e sua família deixam Berlim para viver em uma região isolada, graças a uma promoção de cargo dada ao seu pai.

Neste novo lugar, Bruno não possui amigos, tão pouco há o que fazer por ali. Muitas coisas que lhe são apresentadas não fazem qualquer sentido, mas o grande mistério visto da janela do seu quarto é sem dúvida aquilo que mais lhe desperta seu senso de explorador. Através dela ele consegue ver uma enorme cerca e do outro lado várias pessoas em pijamas listrados.

A narrativa se prende ao desconhecimento e inocência do protagonista, o autor chega a trocar certos nomes e palavras, dando sentido ao que Bruno entendia da situação.

As passagens mais difíceis são sem dúvida quando o tão esperado encontro ocorre. Bruno acaba por se aproximar e instalar uma relação de dependência mútua com Shmuel, um garoto de sua idade, curiosamente uma semelhança assombrosa, que vive do outro lado da cerca e veste um pijama listrado.

Porém, Shmuel nos apresenta uma vida dolorosa posta de maneira sutil em suas conversas, das quais Bruno não faz ideia do significado ou chega a duvidar.

Ao mesmo tempo que a carga de inocência de Bruno é explicável ela também acaba por se tornar revoltante e perturbadora e certos momentos. Mesmo assim, é livro que traz muitas reflexões e merece ser lido.

2. Toda luz que não podemos ver

O premiado romance do autor Anthony Doerr (ganhador um prêmio pulitzer ficção) consegue construir uma fascinante narrativa que acompanha o decorrer de vidas que tiveram seus caminhos cruzados pela segunda guerra mundial.

Como foco central, conhecemos Marie-Laure, uma jovem parisiense que perde completamente sua visão em meio a infância. Seu pai, que a cria sozinho, é zelador no Museu de História Natural de Paris, e desempenha um admirável cuidado sobre ela. Como ser capaz de reproduzir todos os detalhes da cidade, cada prédio e bueiro em uma maquete de madeira, para que a filha aprenda a se guiar e ser independente.

Também em foco, acompanhamos Werner, um órfão que junto a sua irmã mais nova Jutta, vive em uma região de minério na Alemanha, para ser mais exato em um abrigo. Seu destino parece não poder seguir outro caminho a não o trabalho nas minas, mas a descoberta de seu talento com o conserto de rádios o proporciona um novo caminho.

Com o avanço dos anos, estes dois jovens se encontram em meio de fugas e perseguições, em lados opostos da história, criando vínculos fiéis e perdendo outros muito valiosos. É inevitável não sentir que ambos se tornam vítimas da guerra.

O livro também é repleto de frases marcantes e momentos de tirar o fôlego. A narrativa te prende pela emoção, e pela sensibilidade do autor. Como já disse tempos atrás acho que eu não saberia resumir a grandeza deste livro, mas você pode saber um pouco mais por aqui.

3. Pax

A fábula escrita pela autora Sara Pennypacker não deixa explicitamente dito que a história se passa durante o período da segunda guerra mundial, mas faz citação a uma guerra anterior dando a entender que a atual, vivida no livro, esteja ocorrendo depois de anos em função da primeira.

O livro tem como principal motivação o vínculo entre Peter, um garoto de 11 anos, e sua raposa de estimação Pax. Logo de início somos apresentados ao grande conflito, quando Peter é obrigado por seu pai a abandonar Pax em uma mata, próxima a uma estrada. Desse ponto a narrativa se desdobra entre a jornada particular de Pax, as descobertas de seus sentidos, instintos e autorreconhecimento. E Peter, que se põe determinado a voltar atrás e recuperar seu melhor amigo.

Apesar da temática infanto juvenil, o livro nos conta a história de uma forma mais lenta, e por muitas vezes com um olhar mais sério. Isso porque ambas personagens acabam se relacionando com a guerra de alguma forma no meio do caminho, o que abre espaço para críticas e reflexões sobre as atitudes humanas.

Os animais com os quais Pax passa a se relacionar possuem inúmeros motivos para não confiar nos humanos, ainda mais quando estes se encontram “doentes de guerra”. O que leva o animal a defender e ao mesmo tempo questionar a lealdade de seu menino.

Peter por sua vez acaba convivendo com uma personagem com cicatrizes físicas e emocionais, deixadas pelo seu tempo de combate. A relação dos dois revela ainda mais angústias presas, que com o tempo ganham suas superações.

Pax é uma história sobre amadurecimento, descobertas, força de vontade e acima de tudo sobre amizades.

4. A menina que roubava livros

Em tempos escuros, onde há morte por todos os lados, o autor Markus Suzak escolhe para nos contar a história da jovem Liesel uma narradora mais do que apropriada, a própria morte. A íntima ligação da morte, aqui transformada em uma simpática senhora, com os tempos de guerra não vem ao acaso.

Assim como muitos outros livros nesta nossa pequena lista, “A menina que roubava livros” lida com a infância destruída e a busca pela inocência, a protagonista Liesel perdeu tudo para a guerra e tem de se refugiar em uma cidade do interior com uma família de desconhecidos, em uma rua de nome Himmel (paraíso).

Lidar com a dureza de Rosa Hubermann, sua nova tutora que exige ser chamada de mãe, parece de início mais um problema na somatória de desventuras da sua vida. No entanto é com Hans Huberman, o patriarca, que ela adquire maior intimidade.

Liesel não sabe ler, tão pouco escrever o próprio nome, e é com a ajuda de seu novo pai que ela passa a aprender o poder das palavras, munida de um objeto ligado a um momento obscuro de sua vida, seu primeiro livro roubado.

Nesta constante espera por uma resolução a menina vê se transformada pela amizade com o jovem Rudy Steiner, um corredor e ousado garoto alguns meses mais novo que ela. Enquanto isso ela encontra refúgio num hábito descoberto somente nestes tempos sombrios, a leitura, ainda mais de livros roubados.

A trama ganha peso quando sua família se vê contrária aos movimentos praticados por toda parte, acolhendo Max, um hóspede que poderia pôr tudo a perder, mas que para Liesel é um caminho a mais para o conhecimento da vida.

Aos poucos descobrimos porque a Morte se encantou pela figura da jovem garota.

Livros para Ler

 

1.Resistência

A obra de estreia da norte americana Affinity Konar fala da relação da gêmeas (ficcionais) Stasha e Pearl com o médico (real) Josef Mengele. Mengele trabalhou ao lado de Adolf Hitler, como uma espécie de responsável pelo campo de concentração de Auschwitz, onde performou todo tipo de experimento sórdido nos prisioneiros judeus capturados pelo regime nazista.

Neste romance, a autora, inspirada por diversos casos reais, cria as gêmeas polonesas Stasha e Pearl, cada uma narrando um capítulo do romance. As duas integram a experiência de Mengele que ficou conhecida como “O Zoológico” na qual crianças judias gêmeas eram arrebanhadas em Auschwitz e sofriam diversos testes extremamente cruéis e antiéticos (diga-se de passagem, muitas das convenções étnicas surgiram para impedir a reprodução de cientistas como Mengele).

Logo no início do romance, as duas gêmeas retratam sua chegada ao campo de concentração e a sua primeira interação com a figura de Mengele. Nesta narração inicial de Stasha vemos uma espécie de amostra do que podemos esperar do restante romance. Através das gemêas, Konar tece uma narrativa envolvente, escrita de forma simples e direta para mostrar um mundo que não se pode dar ao luxo de possuir floreios.

A autora vai direto ao seu ponto tratando da conexão íntima das gêmeas, da forma como elas encontram para se manterem unidas, mesmo tendo sido separadas, da forma da ciência moderna e acima de tudo, onde encontrar bons sentimentos em um mundo cruel, ou seja, como resistir.

2.O Diário de Anne Frank

O mais conhecido relato da visão de uma criança sobre o pavor instaurado pelo regime nazista e a perseguição contra vários grupos, principalmente contra judeus. O livro de não ficção trata-se da tradução dos textos que Anne Frank escreveu em seu diário, acontecimentos reais e sentimentos verdadeiros de alguém que viveu e amadureceu neste cenário.

Em seu diário Anne registrou o cotidiano de sua família, que junto a outra, refugiaram-se em um porão no gabinete em que seu pai trabalhava, ao tomar conhecimento do que sofreriam se fossem capturados.

Anne escrevia com o real intuito de que suas documentações chegassem ao conhecimento público, por esta razão sua narrativa é detalhada e honesta sobre seus sentimentos, em relação com a própria família muitas vezes.

Seu esconderijo acabou por ser descoberto no dia 4 de agosto de 1944, e com isso seu diário acabou nas mãos de seu pai. Em fevereiro de 1945, Anne morreu em um campo de concentração, em Bergen-Belsen.

Seu pai lutou para que conseguisse cumprir o sonho da filha, e assim publicar o seu diário em 1947. Inicialmente com algumas censuras por conta da época, mas hoje, já é possível encontrar edições bem mais completas, que incluem estes textos retirados.

Estas foram nossas indicação e livros dos quais temos interesses em ler. Mas queremos saber se vocês conhecem mais livros dentro deste assunto, e se já leram algum destes, contem para nós o que acharam!

A gente fica por aqui, e até a próxima!

As vezes tudo o que queremos quando terminamos de ler uma boa história é poder compartilhar isso com varias pessoas. No entanto nem todos possuem a sorte de conhecer pessoas dispostas a conversar sobre livros.Por outro lado, as vezes o que queremos é conhecer ainda mais histórias, e ainda mais pessoas que se envolvem de mente e coração com elas.

E é nessas horas que uma boa comunidade de leitores podem lhe ajudar. Por isso separei 3 dicas legais de sites e Aplicativos voltados justamente para a interação de leitores. Confira!

SKOOB

Através da plataforma disponibilizada pelo site, você pode manter um acompanhamento das suas leituras ao longo do tempo, manter um histórico de leitura – com suas impressões e progresso -, avaliar o que foi lido, criar resenhas – ou construir com senhas em vídeos linkadas ao youtube – e sinala-las quando há spoilers, registrar livros que você gostaria de ler e se informar sobre as novidades das editoras brasileiras.

Assim como o esperado de uma rede social, você tem acesso ao perfil de outros usuários, podendo segui-los ou adicionando como amigos. Interagindo através de curtidas em sua publicações, comentando ou enviando mensagens diretas. Além de poder seguir perfis de editoras e autores.

O site conta com algumas ferramentas extras, como um mecanismo de compatibilidade lhe ajuda a saber o quanto você tem em comum com outros perfis, um paginômetro que contabiliza quantas páginas você já leu ao todo em sua biblioteca, e a meta de leitura do ano que lhe ajuda a criar um estímulo e controle dos seus objetivos. Você também pode se informar se está lendo mais, ou menos, do que seus amigos durante o ano.

A skoob não se restringe apenas a livros, de forma que você também pode adicionar revistas, HQs, audio-books, ebooks, etc, em sua biblioteca. Que contam como uma nota média, baseada em 5 estrelas, retirada das avaliações dos leitores, bem como links de onde o item que você está visualizando pode ser encontrado.

O site também permite a troca de livros entre os usuários, através de um sistema de créditos acumulados por livros dados em transações. O sistema permite que o usuário dê informações sobre o estado do livro, e também as receba, por meio de imagens de textos.

Você também pode participar de sorteios através da aba cortesias. Os livros costumam ser lançamentos, e são enviados pelas próprias editoras, tendo 5 ou mais vencedores.

Por ser um site nacional, rola uma boa incidência de obras e autores brasileiros, sendo também facilmente encontrado o trabalho de autores menores ou independentes, já que muitas vezes eles mesmos se cadastram.

Também por esta razão o acesso ao catálogo de editoras nacionais maior, mas é possível encontrar algumas edições de livros em outros idiomas por lá.

O app conta com um escaneador de código de barra para localizar e adicionar livros, e as mesmas funções encontradas no site, algumas infelizmente de forma mais limitada.

O skoob pode ser baixado para Android e iOS.

GOODREADS

O goodreads traz uma interface simples e organizada, mas se destaca por ser um dos site mais completo para o público em questão. Oferecendo liberdade e inúmeras possibilidades de interação dentro do site.

Ele já vem com três categorias – estantes – pré estabelecidas para a organização dos seus livros na biblioteca, porém a grande sacada do site é permitir ao usuário que criei novas estantes, decidindo organizar as obras em seu perfil por gosto, género, autor, inspiração ou qualquer outra forma que desejar.

O goodreads também conta com um mecanismo de compatibilidade entre os usuários, onde mostra as principais diferenças e semelhanças entre os perfis, bem como os livros lidos por ambos – o seu e da pessoa em questão – e avaliação que cada um deu para tal.

Na aba de Quotes – citações – é possível encontrar e compartilhar frases e momentos favoritos da sua leitura. As citações também estão divididas por autores e obras, de modo que você pode acabar conhecendo coisas novas desta forma. Você também recebe recomendações de livros com base naquilo que você demonstrou interesse positivo.

Vários autores são adeptos do site, e interagem constantemente com seus leitores através de seus perfis, e assim como os outros, você pode acompanhar o que eles andam lendo e pensando por lá.

O site também cria a possibilidade de interação direta com a comunidade de leitores, ao criarem Goodreads Choice Awards, onde os próprios navegantes votam em seus livros preferidos para concorrer em cada categoria da premiação anual.

A interação se estende em uma aba com fóruns, onde as perguntas dos usuários são respondidas uns pelos outros, e às vezes até pelos próprios autores.

Assim como o skoob, é disponibilizada a avaliação dos leitores sobre as obras, com o número de usuários que deram determinada avaliação. Também é possível ver quais pessoas na sua lista de amigos já avaliaram ou adicionaram o livro em suas bibliotecas.

Também há a possibilidade de criar uma Meta de leitura, onde o site faz um acompanhamento do seu ritmo, lhe informando sua posição comparada a seu objetivo.

A plataforma também conta com sorteios realizados por autores e editoras, e apesar de ser um site internacional, eles também envolvem o Brasil em suas promoções. Além disso, livros com títulos em português são facilmente encontrados por lá, já que muitas editoras já estão cadastradas. Porém o site é inteiramente em inglês.

App disponível para Android e iOS.

AMINO – LIVROS AMINO PARA LEITORES

Amino é na verdade um conjunto de comunidades distribuídas em diferentes apps, cada um trazendo determinado assunto como pauta principal.

Você pode compartilhar suas opiniões sobre os livros que leu, além de encontrar pessoas que compartilham dos mesmo gostos. Os aplicativos contam com chats – salas de bate papos – divididos em tópicos, e você possui a liberdade de criar sua própria sala e convidar outras pessoas para entrar.

Você também poderá participar de enquetes e quizzes, adicionar e seguir outros usuários, e fazer postagens em seu perfil, em uma especie de timeline.

O aplicativo acaba sendo também de grande ajuda para quem está buscando conhecer novos autores ou saber mais sobre determinado assunto, já que a comunidade é abastecida justamente pelos admiradores e fãs das obras encontradas por lá.

O aplicativo em português está disponível para Android e iOS.

Além destes três, você consegue encontrar facilmente grupos no facebook sobre os mesmos assuntos. Mas lembre-se de sempre manter cautela, mesmo estando em  comunidades sobre livros podem existir pessoas má intencionadas. Por isso divirta-se, compartilhe, interaja mas não se exponha tanto.

Abraços! E até mais.

A caveirinha, como é conhecida entre seus leitores apaixonados, é uma das principais distribuidoras de livros com temáticas místicas, de suspenses, thrillers e principalmente o horror, aqui no Brasil. A Darkside privilegia os livros, sempre em capas duras, bem estruturados, e com ótimos conteúdos adicionais em suas edições especiais.

A editora é recente no mercado literário, foi lançada no mês de Outubro de 2012 – não coincidentemente no mês das bruxas – e defende a ideia de que livros podem ser muito mais do que folhas e palavras, apostam em histórias que os provocam de certa forma, e que da mesma maneira, pode encantar o leitor.

Se você nunca viu nada dessa editora ( não sei o que cê tá fazendo da vida) essa pode ser uma boa oportunidade para conhecer. E se você não é lá tão fã de terror, calma, a editora também possui um selo chamado “Darklove” com livros igualmente bons, mas com uma pegada mais leve e às vezes até romântica, dentro do mundo da fantasia e suspense. E o mais legal sobre a Darklove é o fato de ser um selo que conta exclusivamente com autoras.

Para ajudar o leitor a encontrar o título mais atrativo dentro de seu catálogo, a Darkside agrupa algumas obras em seu site, dividindo-as em categorias inteligentes e instigantes. Como CINEBOOK – que traz livros que inspiraram roteiros de grandes clássicos do terror nos cinemas, além de novelizações de alguns filmes -, CRIMESCENE – com suspenses policiais – e MEDO CLÁSSICO – ainda em construção, mas que vai contar com obras clássicas de horror.

Você pode saber mais sobre a editora, e ficar ligado em seus lançamentos através de suas redes sociais: Facebook, Youtube e Twitter.

NOSSAS RECOMENDAÇÕES: DESEJADOS E AMADOS

Pensamos em recomendar livros que podem conquistar tanto quem já se aventura pelo universo sombrio da literatura, quanto quem deseja sair aos poucos da zona de conforto. Esperamos que gostem:

Frankenstein (Mary Shelley, 304 Páginas): A caveirinha começou o ano muito bem com uma nova edição do clássico absoluto do gênero. Não é atoa que dizem que Mary Shelley inventou o horror ao contar a história de Victor Frankenstein e seu monstro. Ela explora através deste romance as relações turbulentas entre criador e criatura, criando uma atmosfera melancólica e pessimista.
Nesta nova edição, o trabalho de arte gráfica cooperam para que o leitor mergulhe nas intempéries desta relação. A editora brinca com desenhos de anatomia para que o leitor possa experimentar sensações de desespero, de medo e de euforia, assim como o infortunado Victor Frankenstein.
Nós já falamos deste romance por aqui ano passado.(Saiba mais)

Psicose (Robert Bloch, 240 páginas): Apesar de mais recente, Psicose deve ser citado aqui por que consagrou o gênero de horror no cinema. Acompanhar a história de Norman Bates e da fugitiva Marion Crane é digno de arrepios na espinha .
Depois de muito tempo fora do mercado editorial brasileira, a Darkside foi a responsável por uma nova edição de Psicose no Brasil, e o fizeram de forma caprichada, incluindo a capa dura, trabalho gráfico muito bonito e textos complementares. É simplesmente leitura obrigatória para os fãs do gênero. (Saiba mais)

Medo Clássico (Edgar Allan Poe, 384 páginas): Se o assunto é gerar calafrios, a darkside não brinca em serviço e ainda faz isso com qualidade. Foi recentemente lançado, como parte de uma coleção maior, o livro “Poe”, que compila algumas das obras do macabro autor norte americano. A coleção conta com uma capa linda e já promete outras novidades…. (Saiba mais)

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Kiss of deception (Mary E. Pearson, 406 páginas): Lia, uma princesa de 17 anos, a primeira filha da casa real de Morrighan, um reino cheio de tradições, decidiu fugir de seu casamento arranjado que providenciaria a paz entre dois reinos através de uma aliança. A noticia logo se espalha causando temor sob todos os cidadães. Assim, o príncipe escolhido para este casamento põe-se a seu encontro atravessando o continente a sua procura. Porém esta aliança não é do agrado de todos, e um assassino encaminha-se para o mesmo rumo, no objetivo de matar a princesa. O leitor é inserido em uma narrativa intrigante, em uma corrida contra o tempo e as aparências, neste que é o primeiro livro da série. (Saiba mais)

Em algum lugar nas estrelas (Clare Vanderpool, 272 páginas): Um livro que conquistou e continua a conquistar milhares de leitores, com uma narrativa emocionante e carregada por significados especiais. Nele, somos apresentados a Jack Baker, vivendo seus dias após o cessar fogo da Segunda Guerra mundial. Com a morte de sua mãe e o descaso do pai, Jack se vê sendo levado para um internato. Lá ele conhece Early Auden, um jovem cheio de preceitos e muito inteligente. Após ficarem sozinhos com a chegada do fim de ano, os dois amigos se envolvem em uma jornada entre um mundo de fantasia e seres mágicos, onde Jack vê uma esperança de trazer os mortes de volta à vida. (Saiba mais)

O ultimo Adeus (Cynthia Hand, 368 páginas): Lex é uma jovem de 18 anos disposta a descarregar todas suas dores em um diário a pedido de seu terapeuta. Faz alguns meses que seu irmão mais novo, Tyler, se matou, e isso vem desencadeado uma série de angústias sob sua família. Lex não se vê tão pronta para apenas seguir em frente, e junto com sua mãe passa a sentir a presença do irmão, de maneira que passam a se questionar se algo está acontecendo ou é a saudade que já não cabe em si. O Último Adeus é seu primeiro romance contemporâneo de Chynthia Hand, sustentado em um clima de perda e fantasia.  (Saiba mais)

O homem que caiu na terra (Walter Tevis, 224 páginas): Como forma de homenagear o cantor David Bowie, a darkside lançou no ano passado uma das obras que consagrou o cantor no cinema. O livro narra a ascensão de Newton, um alien andrógino e humanoide do planeta Anthea, que vai a Terra como forma de mapear o planeta para os da sua espécie. Porém, ele faz fortuna vendendo sua tecnologia avançada para os humanos.
A editora acertou e muito em trazer este romance ao Brasil, pois ele de certa forma, consagra a figura de Bowie como “o Starman”, aquele ser andrógino que o artista encarnou. Além disso, o livro conta, como sempre, com um trabalho de arte e finalização de encantar qualquer leitor e/ou fã de Bowie. (Saiba mais)

Donnie Darko (Richard Kelly, 254 páginas): Quem já viu o filme sem dúvida ja teve ou ainda tem pesadelos com aquele coelho, que insiste, como uma profecia chata do fim do mundo, em seguir o protagonista do filme, o jovem usando uma ridícula fantasia de homem, Donnie Darko.
Esta edição lançada no ano passado contém o roteiro original completo de Frank Kelly e muitos outros textos complementares do diretor do longa. Quem sabe agora dá para entender essa historia? (Saiba mais)

Os Goonies (James Kahn, 240 páginas): Novelização criada por James Kahn sobre um dos filmes que marcaram a geração de jovens dos anos 80, sob a direção de Richard Donner. Os Goonies, narra a jornada de um grupo de amigos que estão preste a perderem suas casas, devida uma demolição coletiva prevista para seu bairro. Enquanto se preparam para uma despedida, se deparam com um mapa enigmático com caminho um mundo subterrâneo, que promete os presentear com várias riquezas. A Darkside conta com duas edições para está obra, sendo uma comemorativa de 30 anos, que conta com um mapa-poster inspirado na história. (Saiba mais)

Por hoje é só, mas continuem de olho aqui no blog pois resolvemos estender para mais uma semana nossos posts sobre literatura. Também não deixem de compartilhar conosco as coisas que encantam vocês.

Abraços! E até mais.