Se você, caro leitor, que é fã de cinema e não perde um grande lançamento já se perguntou da onde vem a fascinação do cinema com monstros e entidades? Porque o mocinho e a mocinha sempre ficam juntos no final? Entre tantas outras… Seus problemas acabaram! (prometo que não vou vender nenhum produto Polishop).

Nós aqui do blog pensamos em um guia rápido para incentivar o cinéfilo moderno a conhecer e entender melhor as origens da sétima arte. Afinal, desde que o cinema nasceu, como uma atração de luz em circos e até o último mega lançamento da Marvel, ele possui essa capacidade de fascinar o espectador, atrair olhos, congelar mentes. A lanterna mágica (como era conhecido em seus primórdios) tem uma capacidade única de nos cativar, seja com a chegada de um trem ou uma parada dos maiores super heróis da Terra.

A proposta é simples, como seria impossível indexar todos os filmes já produzimos, optamos por um abordagem associada ao gênero fílmico, e escolhemos filmes que não gerem tanta estranheza para uma platéia moderna. Assim chegamos a 4 gêneros: Suspense, Drama, Musical e Arte. Quanto aos dois primeiros, são gêneros consagrados na indústria do cinema desde os primórdios de Hollywood e constituem-se de uma história e narrativas bem delineadas. Como espectadores, são duas das formas as quais estamos mais acostumados.

O terceiro, o Musical, se refere a uma novidade com o aparecimento do cinema sonoro , grande novidade da década de 30, este mesmo gênero que alçou ao estrelato artistas como Fred Astaire e Gene Kelly. Mais cedo neste ano, falamos de La La Land, uma grande homenagem a Era de Ouro dos Musicais.

Apesar de ter apenas seus 100 anos de idade, o cinema já oferece um vasto mar de possibilidades e formas de explorá-lo e conhecê-lo, o gênero é somente uma delas, que escolhemos por ser mais próxima da realidade de todos nós.

Ao leitor que se aventurar por esses mares turbulentos da história do cinema, eu desejo boa sorte e espero ser um bom guia.

Suspense

É um mundo cheio de monstros e criaturas sombrias, incertezas, medos e inseguranças. Nada parece muito certo ou no seu lugar. O suspense fascina pois escancara as contradições do nosso próprio mundo. Ao corajoso fã deste género pode encontrar nestes 4 filmes uma oportunidade de conhecer as origens do medo.

Nosferatu (F. W. Murnau, 1922)

Se há uma gênese do horror moderno, ela está em Nosferatu (ou em O gabinete do Dr. Caligari, filme anterior e realizado em condições artísticas semelhantes). Murnau arregimenta todas as ferramentas disponíveis a sua época para criar calafrios na espinha de qualquer plateia, ao contar a história de um banqueiro levado a remota Transilvânia para colaborar com o misterioso Conde Orlock (Max Schreck) que está em busca de comprar terras.

É impossível negar, tudo que faz um bom filme de terror está aqui, porém por ser muito velho exige uma certa paciência de nossas audiências modernas.

Drácula(Todd Browning; Karl Freund, 1931)

Se há uma gênese do terror hollywoodiano, ela está em (interpretado por Bela Lugosi), que foi capaz de reunir uma diversidade de aspectos que já eram correntes no cinema norte americano. A história é exatamente a mesma de Nosferatu, porém desta vez podemos identificá-lo abertamente com o romance de Bram Stoker.

Desta vez, por já ser um filme falado (os primeiros filmes falados datam de 1927 e 1928), Drácula é mais fácil de assistir, e como consequência teve enorme sucesso de público e se tornou uma herança continuamente readaptado em Hollywood.

Psicose (Alfred Hitchcock, 1960)

Alfred Hitchcock foi especialista em levar calafrios às especialistas por todo uma geração, o diretor se consagrou como um dos grandes neste gênero e poucos tem uma obra tão coesa e interessante quanto a dele (recomendo todos os filmes que você conseguir ver) Porém, a cereja do bolo é sem dúvida a história de Marion Crane (Vera Miles), a secretária em fuga que vê a sua situação ficar ainda mais complicada quando decide parar em um motel a beira de estrada e conhece o estranho Norman Bates (Anthony Perkins).

Drama

Drama (ou melodrama para os íntimos) é a estrutura por excelência do cinema hollywoodiano, o mocinho que se apaixona pela mocinha porém seu amor é dificultado por um vilão malvado e moralmente corrupto. (Essa estrutura fundante da narrativa clássica norte americana aparece desde os primeiros curtas de David Griffith em 1915 e sobrevive até hoje.) Flores, uma atmosfera de romance e longas trocas de olhares entre os apaixonados povoam este universo tão vasto que se faz difícil de mapear.

E o vento levou (Victor Fleming, 1939)

A filha rica da família O’hara, é a principal protagonista deste imortal romance de época do cinema norte americano. Scarlett O’hara (Vivien Leigh) é herdeira de uma plantação sulista que se vê entre duas paixões em meio a guerra de secessão dos EUA (quando o Sul buscava se separar do norte).

Por ter um pano de fundo histórico, o filme se embrenha na fundação dos EUA, mesmo que não se aprofundem nos temas da guerra. A saga de Scarlett em busca de seu amor perfeito ainda é capaz de gerar lágrimas no público contemporâneo (mas se prepare que esse filme é enorme. Boa sorte e leve os lenços).

Casablanca (Michael Curtis, 1942)

Escondido na cidade de Casablanca no Marrocos (domínio nazista da frança ocupada) , o americano Rick Blaine ( no papel que imortalizou Humphrey Bogart) é dono de um pequeno café que é referência e ponto de encontro na cidade. Quando sua ex esposa reaparece casada com um membro da resistência a ocupação, Rick é obrigado a decidir se perde ela de novo ou se ajuda os dois a escaparem dos domínios nazista.

Assim como na obra anterior, são eventos históricos massivos que dão pano de fundo ao romance, porém em face do casal apaixonado sempre. Também como a obra anterior, trilhou um caminho de sucesso e é sessão obrigatória para fãs do gênero.

Hiroshima meu amor (Alain Resnais, 1959)

Simplesmente a obra fundamental de Alain Resnais, que entrelaça uma tragédia histórica com uma tragédia pessoal de um casal, e consegue a partir daí discutir as sobrevivências da memória.

Resnais entrelaça( mudar) as cenas de amor entre um homem japonês e uma mulher francesa, com a rememoração constante da explosão da bomba na cidade de Hiroshima. A bomba parece explodir mil vezes diante dos olhos do espectador e do casal de amantes.

Diferente de “E o vento levou” e “Casablanca”, este se aproxima muito mais do filme de arte, dentre outras coisas porque no embate entre um romance e a própria história, a história acaba prevalecendo e chamando atenção, e também por outras questões técnicas como a preferência do diretor pelo silêncio e pelas tomadas mais longas .

Musical

Com o advento do som, naturalmente vem a música. E com a música vem a dança, vem as cores, vem o movimento e toda a agitação que desde sempre contaminava os palcos da Broadway. O musical, apesar de se assentar posteriormente em Hollywood, traz consigo uma das era mais celebradas do cinema de gênero, a era de ouro acompanha Fred Astaire,Gene Kelly, Julie Andrews entre tantos outros. A atmosfera onírica contamina o cinema das décadas de 40 e 50, após um período de adaptação, e neste momento se produzem algumas das mais inesquecíveis obras. Inclusive, é válida a menção que se faz, a La La Land, que constrói uma homenagem a este cinema de sonhos e ritmo.

Cantando na chuva (Stanley Donnen, Genne Kelly; 1952)

Essa obra imortal e inesquecível fala justamente do período de transição pelo qual os astros e estrelas de uma hollywood muda tiveram que se adaptar ao sonoro.Don Lockwood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Debbie Reynolds) são um casal de queridinhos da América que tem que se adaptar aos novos tempos, se utilizando de uma diversidade de formas para tentar manter sua fama nesta nova era do cinema.

Amor, sublime amor (Jerome Robbins, Robert Wise; 1961)

Nascido na Broadway e livremente inspirado em Romeu e Julieta, Amor sublime amor (west side story) é um musical que coloca conflitos sociais e étnicos em jogo. Tudo entremeado por uma história de amor das boas (dá pra esperar menos se é baseado em Romeu e Julieta? ) e muito bem colocado no west side, o bairro da classe trabalhadora de Nova Iorque.

Noviça rebelde (Robert Wise, 1965)

Depois que percebe ser incapaz de seguir as regras de um convento na Áustria (rebelde ela né?) Maria (Julie Andrews) se torna governanta e babá dos filhos do Capitão Von Trapp (Christopher Plummer),a partir daí, ela ensina as crianças o dom da música. Porém, a história complica as coisas pois estamos tratando de uma Áustria da década de 30 que está prestes a sofrer uma invasão nazista, capaz de dificultar muito a vida da família Von Trapp.

A noviça rebelde é um daqueles filmes que ficam conosco muito tempo depois que o vemos, assumindo uma espécie de papel de destaque na cultura ocidental. O mais interessante que descobri enquanto pesquisava sobre este filme, é que é uma história verídica baseada no livro de memórias de Maria Von Trapp (spoilers?).

 

 

Essa foi apenas uma pequena introdução ao cinema clássico. E você? Qual seu filme clássico favorito?? Qual gênero você gosta porém não viu aqui? Conta pra gente assim continuamos a fazer mais deste conteúdo 🙂 

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