Seguindo no clima das monstruosidades de Halloween vou lhes mostrar como o monstro de Victor Frankenstein foi parar no cinema. Suas muitas faces e seus muitos estilos, uma vez que a obra de Mary Shelley entrou no imaginário popular, diversas releituras foram feitas.

A adaptação mais importante sem dúvida é a de 1931. No centenário da publicação, David Whale dirige o seu Frankenstein, no qual o monstro é interpretado pelo grande nome da época; Boris Karloff.

Este filme se inseriu num universo de monstros que a produtora Universal parecia querer criar naquele momento. Outros nomes como a Múmia, o Drácula e o Lobisomem compartilharam tela com o Frankenstein. Hoje esses monstros se inserem como os grandes símbolos do Halloween.

Muitos outros diretores buscaram adaptar a obra de Mary Shelley para o cinema e outras mídias, desde quadrinhos, videogame, séries de tv, etc… O universo de possibilidades é infinito. Em relação ao próprio cinema, a história do monstro mudou muito desde 1910 – primeira adaptação, um curta-metragem ainda no cinema mudo – até 2015, quando por exemplo Paul Mcguigan dirigiu o seu “Victor Frankenstein” um filme muito mais focado no criador do que em sua criatura.

Frankenstein, 1931, David Whale

É quase uma sensação de dejá vu assistir essa versão de Frankenstein. Muitas cenas foram repetidas e homenageadas desde então, e esse Frankenstein se afirmou como um clássico do cinema de horror. A história contada no cinema tem certos pontos de semelhança e também muitos que diferem daquela de Mary Shelley. Nesta versão, Henry Frankenstein se mostra um cientista obcecado com a questão da vida e da morte e dos limites entre ambas, por isso ele se isola em uma torre para criar seu monstro a partir de partes de corpos. Porém, o seu assistente de nome Fritz (que não existe no livro) rouba da faculdade de medicina o cérebro de um criminoso, o que teria imbuído a criatura de maldade pura. A partir daí, o filme acompanha os tormentos do criador tentando impedir sua criatura.

Foto: Cena do filme Frankenstein, 1931.

Whale inverte os nomes dos dois melhores amigos; o personagem titulo passa a ser Henry Frankenstein e seu melhor amigo Victor Moritz. Enquanto no livro, o melhor amigo de Victor Frankenstein é Henry Clerval. Provavelmente essa mudança foi feita para mostrar que seriam duas histórias diferentes, mas é impossível não ver em Henry Frankenstein os mesmo traços impulsivos da personagem título do livro de Mary Shelley. Henry sempre parece tomado de emoções intensas, como no momento da criação de seu monstro, quando ele entra em puro êxtase gritando ITS ALIVE! (está vivo).Por fim, cabem dois comentários em relação a criatura. Como foi dito, a justificativa para a suposta maldade do monstro é um cérebro criminoso, o filme traz o elemento da moralidade para assim condenar a experiência de Henry. Algo que não está presente na obra original.

Pelo que colocamos ao longo deste post, as mudanças que a criatura de Victor Frankenstein sofreu ao longo de suas adaptações e de suas caracterizações são mais profundas e vão além da simples estética. As mudanças são reflexos das diferentes épocas, e testemunho de como um livro e seus personagens são maiores do que se imagina.

Abraços e até a próxima com algo nem tão assustador.

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