É verdade que não deveríamos nos preocupar tanto em criar distinções de raça ou gênero para agregar valor aos feitos de alguém. Mas é importante lembrar que esse tipo de pensamento é muito recente na nossa sociedade. E que muitas pessoas precisaram sim de um esforço maior para serem reconhecidas.

A inspiração para esse post não veio só do Feriado Nacional da Consciência Negra, mas também porque essas mulheres trazem, de certa forma, uma enorme bagagem cultural e histórica para seus livros. Discutindo assuntos atuais, ou que foram em uma época.

E mesmo não sendo escritoras brasileiras, acredito que suas vozes sejam capazes de se conectar com qualquer pessoal, independente da nacionalidade, seja por empatia, conhecimento ou identificação.

E é por isso que quero ler:

Nicola Yoon

Nicola Yoon já é conhecida por muitos pela obra “Tudo e todas as coisas“, que ganhou adaptação para o cinema neste ano. O sucesso da escritora se repetiu em “O Sol também é uma Estrela“, que chegou a ficar 38 semanas na lista de mais vendidos do New York Times. Ela viveu parte da sua infância na Jamaica e Brooklyn, e atualmente vive em Los Angeles com sua família.

No livro, Natasha de 17 anos, nasceu Jamaica mas quando pequena foi com sua família para os Estados Unidos, onde seu pai desejava tentar uma vida de ator, um plano não muito bem sucedido. Ela então cresce no país absorvendo toda a cultura e costumes locais. Certo dia seu pai é abordado e revela que sua família está em situação ilegal no país. Agora Natasha dispõe de apenas 12 horas para encontrar uma maneira de não ser deportada.

Do outro lado, Daniel, filho de coreanos, tem toda sua vida já programada por seus pais, os quais ele tentou agradar durante anos. No entender seu real sonho é ser escritor e não médico como lhe foi destinado.

Os dois se encontram na espera para audições de apelo contra a deportação. Porém Natasha que não acredita em amores à primeira vista, destinos ou coisas do tipo, não enxerga essa situação como convidativa para um romance. Daniel por sua vez, afirma sentir que os dois viverão uma história juntos.

Além do ponto de vista das duas personagens, o livro também conta com o ponto de vista do Universo. A autora acrescenta na história divergências culturais, reflexão sobre identidade e uma narrativa poética.

 

Angie Thomas

Angie Thomas nasceu, em Jackson, no Mississipi. Ela foi rapper em sua adolescência e mais tarde formou-se bacharel em Escrita Criativa pela Belhaven University.

Seu livro de estreia, O ódio que você semeia (The hate U give) foi também o primeiro a vencer o Walter Dean Meyers Grant, em 2015, na categoria We Need Diverse Books. E alcançou a lista de mais vendidos do New York Times na semana do seu lançamento.

Angie Thomas trouxe para o gênero Y.A, que é marcado geralmente por relações adolescentes e questões de amadurecimento, um assunto que ganhou visibilidade em todo o mundo, mas que não chegou a ser tratado com seriedade por muitos. Sua inspiração baseou-se na onde de assassinatos de pessoas negras, pelas mãos de policiais nos Estados Unidos.

No livro Starr é adolescente que vive em um bairro majoritariamente de afrodescendentes, e estuda em uma escola de elite, em sua maioria de alunos brancos. Enquanto volta para casa depois de uma festa com seu melhor amigo Khalil, os dois são abordados por um policial. E é quando tudo acontece, um simples movimento de seu amigo com as mãos o leva a morte, e Starr presencia toda a ação.

Tempo depois ela se vê diante da situação: Testemunhar e contar tudo o que viu, ou calar-se para não sofrer represálias.

Muitos afirmam que Angie Thomas consegue causar impactos com suas palavras, principalmente ao tratar da forma como os negros são ensinados a se comportarem sempre que abordados por autoridades. O livros também despertou o interesse da Fox, que passou a trabalhar em uma adaptação para os cinemas.

 

Chimamanda Ngozi Adichie

A escritora nigeriana, nascida em 1977, é vista atualmente como uma das maiores e mais fortes vozes femininas da literatura contemporânea. Apesar do sucesso mundial Chimamanda não faz questão alguma de apagar suas raízes, que ficam evidentes em suas obras.

Coloquei em destaque dois livros dela que já quero ler faz um bom tempo: Americanah, que nos apresenta Ifemelu, uma mulher que deixou a Nigéria em meio a uma ditadura militar, e foi para os Estados Unidos, onde consolidou seus estudos, mas tendo que enfrentar o preconceito por ser imigrante, mulher e negra. Quinze anos mais tarde ela fica famosa no país, mas sua ligação com seu lugar de origem a leva querer voltar para Nigéria, o que a põe de frente com um cenário oposto do qual ela se lembrava.

Hibisco Roxo traz uma discussão ousada. Kambili é uma adolescente nigeriana, filha de Eugene, um reconhecido dono de indústria, que por sua vez se virou contra qualquer manifestação de fé contrária a qual ele se converteu, a extremamente “branca” e católica. Sua intolerância torna-se tão forte que ele rompe contato com o próprio pai e irmã. A narrativa acompanha Kambili nessa situação de opressão dentro de casa, ao mesmo tempo que ela descobre um mundo contrário às rédeas que lhe foram impostas.

 

Octavia E. Butler

Atualmente é um dos meus livros mais desejados. E logo vocês entenderão o porque.

Chamada de a Grande Dama da Ficção cientifica, Octavia Estelle Butler foi uma escritora afro-americana consagrada por seus livros de ficção científica, que abordam o preconceito, racismo, e a desigualdade de gênero. Mas apesar de ter seu nome em destaque na literatura de ficção científica, Octavia foi publicada pela primeira vez no Brasil meses atrás, através da editora Morro Branco.

Seu título de consagração veio por meio de muito esforço. A escritora nasceu na Califórnia em 1947, foi por volta dos seus 12 anos que se encantou pelas histórias, e desde então criar tramas impactantes tornou-se seu objetivo de vida. Porém Octavia se encantou por um gênero literário que não só era dominado por homens, mas também por brancos.

A frase “Negros não podem ser escritores” dita por sua tia, que apesar de bem intencionada repetia o discurso de segregação, a impulsionou a provar o contrário. Foi então, em 1979 que Kindred seu primeiro livro foi publicado.

Kindred traz Dona como protagonista, uma jovem de 26 anos que acabara de se mudar com o marido para um apertamento. Quando então, em meio aos livros e as caixas, Dona sente-se mal e observa o mundo a sua volta despedaçar-se. Ela acorda em uma floresta próxima a um rio, onde depara-se com uma criança se afogando. Após arrastá-la para margem, Dona é intimidade com o cano de uma espingarda diante dos seus olhos. E em um piscar de olhos, ela está de volta em seu apartamento.

A experiência volta a se repetir vez a após outra, Dona volta no tempo para os EUA do início do século XIX – “um lugar perigoso para uma mulher negra” –, e quanto mais tempo passa por lá, mais apercebe-se de que sua própria existência depende de um fator ligado ao passado.

Esta edição de Kindred – Laços de Sangue conta com manuscritos de Octavia, bem como imagens e alguns fatos sobre sua vida.

Me conta se você souber de mais alguma escritora que eu deveria conhecer, ou se já leu ou se interesse por algum desses livros!

Abraços! Até mais.

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