Ah! Que saudade de vocês!

Muito tempo atrás, em meio a uma conversa com o Gusta, tivemos um estalo de ideias envolvendo formas de continuar falando sobre livros aqui no blog, mas não necessariamente através de resenhas. Um ano se passou, mas a vontade de levar esses assuntos adiante permaneceu viva em nossas mentes.

E aproveitando a data de aniversário do fim da segunda guerra mundial (1 de setembro de 1939 – 2 de setembro de 1945), resolvemos trazer um dos assuntos dos quais havíamos pré selecionado: Livros com protagonizados por crianças (ou jovens) na segunda Guerra Mundial.

*Apesar do tema, a maioria dos livros desta lista não são infanto juvenis*

1. O Menino do Pijama Listrado

Este sem dúvida seria um dos principais livros relacionados por muitos ao ver a temática desta lista. O menino do pijama listrado além de ser considerada a mais memorável obra de John Boyne, também inspirou a emocionante adaptação do diretor Mark Herman, em 2008.

O livro narrado em terceira pessoa nos leva a observar as mudanças que passam a ocorrer na vida de Bruno, com aproximadamente 9 anos, quando ele e sua família deixam Berlim para viver em uma região isolada, graças a uma promoção de cargo dada ao seu pai.

Neste novo lugar, Bruno não possui amigos, tão pouco há o que fazer por ali. Muitas coisas que lhe são apresentadas não fazem qualquer sentido, mas o grande mistério visto da janela do seu quarto é sem dúvida aquilo que mais lhe desperta seu senso de explorador. Através dela ele consegue ver uma enorme cerca e do outro lado várias pessoas em pijamas listrados.

A narrativa se prende ao desconhecimento e inocência do protagonista, o autor chega a trocar certos nomes e palavras, dando sentido ao que Bruno entendia da situação.

As passagens mais difíceis são sem dúvida quando o tão esperado encontro ocorre. Bruno acaba por se aproximar e instalar uma relação de dependência mútua com Shmuel, um garoto de sua idade, curiosamente uma semelhança assombrosa, que vive do outro lado da cerca e veste um pijama listrado.

Porém, Shmuel nos apresenta uma vida dolorosa posta de maneira sutil em suas conversas, das quais Bruno não faz ideia do significado ou chega a duvidar.

Ao mesmo tempo que a carga de inocência de Bruno é explicável ela também acaba por se tornar revoltante e perturbadora e certos momentos. Mesmo assim, é livro que traz muitas reflexões e merece ser lido.

2. Toda luz que não podemos ver

O premiado romance do autor Anthony Doerr (ganhador um prêmio pulitzer ficção) consegue construir uma fascinante narrativa que acompanha o decorrer de vidas que tiveram seus caminhos cruzados pela segunda guerra mundial.

Como foco central, conhecemos Marie-Laure, uma jovem parisiense que perde completamente sua visão em meio a infância. Seu pai, que a cria sozinho, é zelador no Museu de História Natural de Paris, e desempenha um admirável cuidado sobre ela. Como ser capaz de reproduzir todos os detalhes da cidade, cada prédio e bueiro em uma maquete de madeira, para que a filha aprenda a se guiar e ser independente.

Também em foco, acompanhamos Werner, um órfão que junto a sua irmã mais nova Jutta, vive em uma região de minério na Alemanha, para ser mais exato em um abrigo. Seu destino parece não poder seguir outro caminho a não o trabalho nas minas, mas a descoberta de seu talento com o conserto de rádios o proporciona um novo caminho.

Com o avanço dos anos, estes dois jovens se encontram em meio de fugas e perseguições, em lados opostos da história, criando vínculos fiéis e perdendo outros muito valiosos. É inevitável não sentir que ambos se tornam vítimas da guerra.

O livro também é repleto de frases marcantes e momentos de tirar o fôlego. A narrativa te prende pela emoção, e pela sensibilidade do autor. Como já disse tempos atrás acho que eu não saberia resumir a grandeza deste livro, mas você pode saber um pouco mais por aqui.

3. Pax

A fábula escrita pela autora Sara Pennypacker não deixa explicitamente dito que a história se passa durante o período da segunda guerra mundial, mas faz citação a uma guerra anterior dando a entender que a atual, vivida no livro, esteja ocorrendo depois de anos em função da primeira.

O livro tem como principal motivação o vínculo entre Peter, um garoto de 11 anos, e sua raposa de estimação Pax. Logo de início somos apresentados ao grande conflito, quando Peter é obrigado por seu pai a abandonar Pax em uma mata, próxima a uma estrada. Desse ponto a narrativa se desdobra entre a jornada particular de Pax, as descobertas de seus sentidos, instintos e autorreconhecimento. E Peter, que se põe determinado a voltar atrás e recuperar seu melhor amigo.

Apesar da temática infanto juvenil, o livro nos conta a história de uma forma mais lenta, e por muitas vezes com um olhar mais sério. Isso porque ambas personagens acabam se relacionando com a guerra de alguma forma no meio do caminho, o que abre espaço para críticas e reflexões sobre as atitudes humanas.

Os animais com os quais Pax passa a se relacionar possuem inúmeros motivos para não confiar nos humanos, ainda mais quando estes se encontram “doentes de guerra”. O que leva o animal a defender e ao mesmo tempo questionar a lealdade de seu menino.

Peter por sua vez acaba convivendo com uma personagem com cicatrizes físicas e emocionais, deixadas pelo seu tempo de combate. A relação dos dois revela ainda mais angústias presas, que com o tempo ganham suas superações.

Pax é uma história sobre amadurecimento, descobertas, força de vontade e acima de tudo sobre amizades.

4. A menina que roubava livros

Em tempos escuros, onde há morte por todos os lados, o autor Markus Suzak escolhe para nos contar a história da jovem Liesel uma narradora mais do que apropriada, a própria morte. A íntima ligação da morte, aqui transformada em uma simpática senhora, com os tempos de guerra não vem ao acaso.

Assim como muitos outros livros nesta nossa pequena lista, “A menina que roubava livros” lida com a infância destruída e a busca pela inocência, a protagonista Liesel perdeu tudo para a guerra e tem de se refugiar em uma cidade do interior com uma família de desconhecidos, em uma rua de nome Himmel (paraíso).

Lidar com a dureza de Rosa Hubermann, sua nova tutora que exige ser chamada de mãe, parece de início mais um problema na somatória de desventuras da sua vida. No entanto é com Hans Huberman, o patriarca, que ela adquire maior intimidade.

Liesel não sabe ler, tão pouco escrever o próprio nome, e é com a ajuda de seu novo pai que ela passa a aprender o poder das palavras, munida de um objeto ligado a um momento obscuro de sua vida, seu primeiro livro roubado.

Nesta constante espera por uma resolução a menina vê se transformada pela amizade com o jovem Rudy Steiner, um corredor e ousado garoto alguns meses mais novo que ela. Enquanto isso ela encontra refúgio num hábito descoberto somente nestes tempos sombrios, a leitura, ainda mais de livros roubados.

A trama ganha peso quando sua família se vê contrária aos movimentos praticados por toda parte, acolhendo Max, um hóspede que poderia pôr tudo a perder, mas que para Liesel é um caminho a mais para o conhecimento da vida.

Aos poucos descobrimos porque a Morte se encantou pela figura da jovem garota.

Livros para Ler

 

1.Resistência

A obra de estreia da norte americana Affinity Konar fala da relação da gêmeas (ficcionais) Stasha e Pearl com o médico (real) Josef Mengele. Mengele trabalhou ao lado de Adolf Hitler, como uma espécie de responsável pelo campo de concentração de Auschwitz, onde performou todo tipo de experimento sórdido nos prisioneiros judeus capturados pelo regime nazista.

Neste romance, a autora, inspirada por diversos casos reais, cria as gêmeas polonesas Stasha e Pearl, cada uma narrando um capítulo do romance. As duas integram a experiência de Mengele que ficou conhecida como “O Zoológico” na qual crianças judias gêmeas eram arrebanhadas em Auschwitz e sofriam diversos testes extremamente cruéis e antiéticos (diga-se de passagem, muitas das convenções étnicas surgiram para impedir a reprodução de cientistas como Mengele).

Logo no início do romance, as duas gêmeas retratam sua chegada ao campo de concentração e a sua primeira interação com a figura de Mengele. Nesta narração inicial de Stasha vemos uma espécie de amostra do que podemos esperar do restante romance. Através das gemêas, Konar tece uma narrativa envolvente, escrita de forma simples e direta para mostrar um mundo que não se pode dar ao luxo de possuir floreios.

A autora vai direto ao seu ponto tratando da conexão íntima das gêmeas, da forma como elas encontram para se manterem unidas, mesmo tendo sido separadas, da forma da ciência moderna e acima de tudo, onde encontrar bons sentimentos em um mundo cruel, ou seja, como resistir.

2.O Diário de Anne Frank

O mais conhecido relato da visão de uma criança sobre o pavor instaurado pelo regime nazista e a perseguição contra vários grupos, principalmente contra judeus. O livro de não ficção trata-se da tradução dos textos que Anne Frank escreveu em seu diário, acontecimentos reais e sentimentos verdadeiros de alguém que viveu e amadureceu neste cenário.

Em seu diário Anne registrou o cotidiano de sua família, que junto a outra, refugiaram-se em um porão no gabinete em que seu pai trabalhava, ao tomar conhecimento do que sofreriam se fossem capturados.

Anne escrevia com o real intuito de que suas documentações chegassem ao conhecimento público, por esta razão sua narrativa é detalhada e honesta sobre seus sentimentos, em relação com a própria família muitas vezes.

Seu esconderijo acabou por ser descoberto no dia 4 de agosto de 1944, e com isso seu diário acabou nas mãos de seu pai. Em fevereiro de 1945, Anne morreu em um campo de concentração, em Bergen-Belsen.

Seu pai lutou para que conseguisse cumprir o sonho da filha, e assim publicar o seu diário em 1947. Inicialmente com algumas censuras por conta da época, mas hoje, já é possível encontrar edições bem mais completas, que incluem estes textos retirados.

Estas foram nossas indicação e livros dos quais temos interesses em ler. Mas queremos saber se vocês conhecem mais livros dentro deste assunto, e se já leram algum destes, contem para nós o que acharam!

A gente fica por aqui, e até a próxima!

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