Oscar 2016: Questões Politicas

Para o bem ou para o mal, o Oscar é um evento politico (as vezes mais ate do que cinematográfico, infelizmente) e a cerimonia de 2016 não foi diferente. Este foi o começo de uma série de renovações que a estrutura antiquada da afamada Academia de cinema passará nos próximos anos, e aparentemente, o resultado é positivo.

Neste ano souberam ouvir clamores do publico e entregaram uma apresentação que soube fazer uma auto-crítica, desde os discursos do Chris Rock, até a própria presença de celebridades negras, como Quincy Jones e a influente Kerry Washington.

Historicamente falando, a questão racial é um conflito constantemente tencionado na sociedade norte-americana, por isso faz sentido que encabeçasse os debates ao redor da politica no Oscar.

Entretanto, e nesse momento olhamos para o lado positivo, a cerimônia permitiu que ganhassem coro uma diversidade de pautas; Leonardo Di Caprio em seu incrível discurso lidou da questão ambiental sob olhares atentos de seus colegas Atores Indigenas Norte Americanos, em O Regresso.

 

 

Também pela primeira vez foi ouvido um “Viva Chile” no palco do Dolby Theater, pelos diretores de “A Bear Story” e enquanto na premiação de Melhor Curta Documentário, a diretora de “A Girl in The River: The Price Of Forgiveness” entregou um poderoso discurso, Patricia Arquette infelizmente não exaltou a plateia como no  ano passado. Sharmeen Obaid Chinoy, a diretora, encerra com duas frases emblemáticas:

“É isto que acontece quando mulheres determinadas se unem” e “Esta semana o Primeiro-Ministro paquistanês disse que mudará a lei sobre assassinatos por honra depois de ver esse filme. Este é o poder do filme”

(Fonte)

Por fim, duas notas: o discurso de Sam Smith, que se não o primeiro, foi o segundo homem assumidamente gay a ganhar uma estatueta, também trazendo a questão LGBT à pauta, e a vitória do filme Spotlight, uma denúncia aberta a pedofilia e abusos sexuais na Igreja Católica, criando na lógica da cerimonia um paralelo com a apresentação de Lady Gaga que trouxe sobreviventes de abuso para o palco.

Se por um lado, alguns comentaristas têm criticado o vencedor de Melhor Filme porque vem atrasado, uma vez que o próprio vaticano já se posiciona em relação a muitos desses casos e também por não mostrar a realidade do jornalismo investigativo, podemos ver claramente a Academia mandando um recado de que tem sim consciência social e politica do mundo ao seu redor.

Como prelúdio de mudanças, 2016 funciona muito bem; trouxe autocritica, trouxe novas pautas, mais liberdade de fala e apesar do ranço de alguns velhos hábitos persistir, a intervenção da presidente da Academia mostra que isso irá mudando aos pouco. Uma coisa deve-se levar como lição quando se fala em politica no âmbito do cinema e da representação na mídia, foi porque muitas vozes se levantaram que foi possível assistir um Oscar mais politizado e mais consciente e não pela bondade de um grupo majoritário de homens velhos e brancos.

Goste ou odeie, o Oscar é obrigatório (menos para Gloria Pires)

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