Foto: Ilustração – de desconhecido

Na última parte do nosso especial sobre histórias assustadoras — veja a #1 e #2 parte —, não dá pra falar de contos de terror sem os calafrios causados pelo norte americano Edgar Allan Poe (1809 – 1849), que mais de 100 anos após sua morte ainda é um ícone absoluto do terror ao redor do mundo e continua provando seu poder de assustar leitores e plateias e inspirar as novas gerações de autores de terror.

Poe escrevia como se conhecesse as trevas, representando sentimentos ruins, principalmente o desespero, através de histórias diretas e sem enrolação ou enfeite. Ele soube como poucos estimular o lado negro da imaginação humana, e por isso é leitura perfeita para uma sexta feira 13.

Existem ótimas coletâneas e edições para os textos do autor, por exemplo a completa coletânea da Darkside Books que já falamos por aqui. Porém para este post, escolhi três dos textos que mais gosto do autor, assim relembro de três clássicos para os fãs e apresento três dos melhores para os que ainda não conhecem Edgar Allan Poe.

No geral, Poe escreveu sobre uma gama de angústias, desesperos, assombrações, culpas, sendo capaz de ver como ninguém a mente humana. Até mesmo o amor toma um lado sombrio nas mãos dele, como em “O corvo” nesta maravilhosa edição da Darkside Books que conta até mesmo com a tradução feita pelo mestre brasileiro Machado de Assis. Mesmo que escrito em forma de poesia, a capacidade narrativa desta história é tão incrível que o autor facilmente transporta o leitor para a cabeça de um homem que perdeu o amor e se vê atormentado por um corvo.

Outro trabalho muito reverenciado do autor é “O Gato Preto”, um conto absolutamente original, de novo, Poe retrata de forma inigualável a descida de um homem a loucura, e as consequências disso, dessa vez a figura sombria é um gato, que lembra o homem das suas sombras. O gato preto que parece olhar diretamente na alma do louco, o gato é implacável em revelar ao homem a loucura interna dele que ele negligenciou em ver.

Por fim, temos “O barril de amontillado” apesar de menos conhecido, este conto retrata a suprema e mais sádica história de vingança, quando dois homens decidem explorar uma cripta sozinhos. Inclusive, é melhor que seja dito pouco deste conto para que o leitor o explore sozinho.

Poe continua a ser referenciado em muitas obras até hoje, e lido e atualizado sempre que precisamos de um bom calafrio. Com uma obra imortal dessas, qual seu conto preferido dele? Acham que esquecemos de algo? Conta aqui, vamos nos assustar juntos com Poe!

Assim como os microcontos, as creepypastas são as novas versões das histórias de fogueira. O termo em si vem de copypasta, ou seja, espalhar um conteúdo pela internet através da função copiar e colar.

Os autores dedicados a esse tipo de história, pensam-nas com um único objetivo, chocar seu leitor, as creepypasta tem capacidade de gerar noites sem sono, e imagens perturbadoras na mentalidade das pessoas por muito tempo. Elas se espalham como verdadeiros vírus, fantasmas e monstros e outras criaturas inexplicáveis, sendo compartilhadas a velocidade da luz e gerando outras crias, como vídeos no youtube e longuíssimas galerias dedicadas a fotos.

Uma outra forma de creepypasta são aquelas que não tem bem um autor, nem forma específica, são mais lendas urbanas que ganharam a internet e agora vivem por aí no imaginário, uma delas remete a lenda da garota e seu cachorro sozinhos em casa. Uma da versões desta história pode ser lida aqui.

Algumas dessas histórias inclusive estenderam seu alcance para mídias como a tv, como na série do canal syfyChannel Zero” que a cada temporada se dedica a adaptar uma dessas histórias para o formato. Na sua primeira temporada, a série adaptou “Candle Cove” umas das creepypastas mais famosas.

A segunda temporada da série “Channel Zero” fala da “No end house” (ou em português) “A casa sem fim”. Uma assustadora casa de assombro que é muito mais assustadora do que se espera, ela mexe com o psicológico dos participantes de forma sobrenatural e os leva a loucura, quem sabe se eles se quer saem de lá…

Contar histórias de terror sempre foi algo presente na história humana, seja como histórias de fogueira, mitos de internet, causos da roça, lendas urbanas, entre outras, muitos de nós tem prazer em sentir esse medo seguro de ouvir uma lenda da carochinha (como dizem as avós). E vocês? Qual a história de terror favorita de vocês? Qual foi aquela que te provocou calafrios de medo? Conta pra gente (ou não, num queremos mais ficar com medo).

Jovens assustados em uma noite fria em volta da fogueira, um deles em pé conta uma história de terror. A história vai ficando mais e mais tensa. A cada frase se aproximando do ápice. Então O SUSTO. Seguido de risadas e descontração. Ou não.

A cena acima é quase um clichê do gênero terror, é impossível dissociar as duas coisas e as duas sempre existiram, mas atualmente as histórias em volta da fogueira ganharam diversas outras formas, fontes e meios. Algumas delas foram adaptadas, outras permanecem as mesmas desde tempos imemoriais.
Não importa, o que importa é contar histórias, e em especial numa sexta-feira 13 de outubro, elas devem ser assustadoras.

Atualmente, a internet se tornou uma espécie de grande fogueira de histórias. Grandes comunidades e muitos fãs se reúnem em torno das chamadas histórias virais (ou seja, contos falsos que se espelham de forma incontrolável pela web, de forma totalmente anônima). Uma das formas de se contar essas histórias é justamente com os chamados microcontos. A proposta é simples: 2 frases, poucas palavras e um final capaz de gerar calafrios no leitor.

Como ? Pensando nisso a página da rede social @skoob está compilando ao longo de Outubro, 20 dessas micro histórias de terror. Todas elas são postadas de forma anônima, porque para muitas delas sequer é possível descobrir quem é o autor. Para dar uma pequena amostra do projeto, nós separamos aquelas histórias que mais gostamos e mais mexeram com a gente .

 

Não deixe de conferir nosso segundo post dessa sexta-feira, onde falei um pouco sobre as Creepypastas. Aproveita me diga o que achou desses microcontos. 😉

Texto: Não quero soar imodesto

Foto: Allef Vinicius

Existe uma linha bem fina, traçada a lápis, que separa a autoconfiança da presunção. Com medo de ultrapassar essa linha, ou borrá-la enquanto escrevo, me vejo como um merecedor das pequenas alegrias, dos dias acolhedores, do toque suave, de um abraço apertado, um amor correspondido.

Até onde me conheço, corro o risco de parecer estúpido demais, por buscar ser sempre gentil demais. Na verdade, acredito que todo ser consciente deseja ser lembrado pelas melhores sensações que já foi capaz de causar aos outros.

Mas em um mundo cada vez mais frio, cético a respeito das demonstrações sem segundas intenções, desapegado do amor e dos grandes laços, quem possui coração quente sofre para não esfria-lo.

Eu? Sei lá, talvez você me ache um porre. Cara chato, ainda na casa dos 20 e poucos querendo falar sobre definição de amor. Dizendo que as coisas mudaram como se fosse um senhor de idade que discute com um prédio construído no lugar onde ele costumava brincar.

Ta aí, uma boa definição para o meu eu interior.

Eu sou das antigas — seja lá o que isso signifique —, gosto de me prender a conversas intermináveis sobre absolutamente nada relevante, como um pretexto para passar mais tempo absorvendo detalhes e admirando gestos. Gosto de encher minha cabeça com momentos únicos, os quais parecem ser roteirizados para uma boa trama. Me divirto compartilhando coisas, criando algo que só dois vão entender. De ter a risada alta, de perder o fôlego, mais do que uma mensagem de texto enviada sem qualquer reação nos lábios.

Mas essas são coisas que tenho visto cada vez menos ao meu redor. E como consequência, tenho me sentido sozinho, sozinho em frente as mensagens de textos, discutindo com as não respondidas — Este lugar costumava ser bonito, mas vocês estragaram tudo com suas construções.

A verdade é que existe muita gente se sentindo sozinha, até mesmo as que se encontram no centro de uma multidão. Os principais problemas mundiais se sustentam em cima de um único aspecto: As relações humanas, e sua fragilidade.

E apesar de falar sobre a própria tristeza parecer egoísta nessas situações, me encontro pensando no que fiz errado. Se é possível afugentar os outros por lhes oferecer a promessa de alguém em quem confiar. Se sonhar com uma relação estável me torna desinteressante.

Amar é uma necessidade que nos acompanha. Seja um ideal, um objeto, um lugar, alguém, ou até a si mesmo, alguma coisa você irá amar.

Eu sou apaixonado pela visão de se apaixonar.

Mas até mesmo quando você tem guardado muitos sentimentos bons no peito, e ninguém para aceitar, pode acabar se sufocando.

Sei que não sou o único a se sentir assim, e de certa forma é isso o que me consola. Guardo esses sentimentos, não na intenção de escondê-los, e sim os protegendo. E sem querer soar imodesto, confio que sou uma pessoa boa, mesmo com meus defeitos, e por isso mereço um amor.

E.Mateus

Oi!

Decidi que seria legal tirar um mês só para os itens de diferentes nacionalidades do desafio dos 52 filmes. Como eu já havia cumprido o desafio de um filme europeu meses atrás, ficou mais fácil distribuir os 4 filmes restantes.

E posso dizer que foi uma experiência muito boa, além de observar um pouco os aspectos de diferentes culturas, também pude ver com mais atenção os contrastes na forma de atuar, ou contar uma história.

Sem enrolar mais, confira o que eu assisti!

36. Uma produção da Oceania – BOY (Taika Waititi, 2010)

Uma produção da Nova Zelândia que se passa no auge dos anos 80, onde Boy (James Rolleston), um garoto de 11 anos, vive com sua avó, seu irmão mais novo Rocky (Te Aho Eketone-Whitu), e alguns primos no interior do país. Entre todas as coisas que Boy venera, Seu pai e Michael Jackson disputam o topo. Porém apesar de toda sua admiração, na realidade pouco se sabe de se pai. O garoto guarda imagens de coisas que lhe foram contadas e outras das quais ele imagina, sendo que a única verdade é que seu pai foi preso um dia.

Quando a avó do garoto precisa partir para um funeral, Boy se vê a frente da responsabilidade de cuidar das outras crianças. E é quando surpreendentemente seu pai Alamein (Taika Waititi) reaparece, acompanhado de sua “gangue“, atrás de algo que deixou para trás. Nos dias que se seguem o jovem busca dar o seu máximo para não desapontar seu pai, e se igualar a ele, por acreditar que ambos possuem potencial. Logo, Boy percebe que tudo aquilo que ele acreditava sobre o pai estava completamente errado.

O filme conseguem manter um bom equilíbrio entre o drama e a comédia. A trilha sonora local acrescenta um clima especial. Em alguns momentos Rocky parece ser mais carismático do que o próprio protagonista, muito por seu isolamento e sua crença de que carrega super poderes. Mas no geral, o desdobramento de Taika Waititi como diretor e ator é assertivo.

37. Uma produção da África – Lunch Time Heroes (Seyi Babatope, 2015)

Disponível na Netflix*

Nessa produção da Nigéria acompanhamos Banke (Diana Yekinni), uma jovem que acaba de ser direcionada para ser professora estagiária em uma escola de elite do país, rigorosa quanto aos métodos de ensino e seus resultados. No entendo sua presença não é bem vinda pela vice-diretora Williams (Dakore Akande) e os demais professores da instituição. De modo que ela chega a passar dias sem obter qualquer tarefa. Para lidar com a ansiedade e frustração, Banke cozinha, algo admirado por seus colegas de alojamento.

Ela encontra sua grande chance quando a escola é selecionada para participar de uma importante competição interescolar. Enquanto os professores trabalham com os melhores alunos em debates, atletismo e a feira de ciências, Banke se vê encarregada de tomar conta das crianças não selecionadas e consideradas sem aptidão.

Conquistar essas crianças não é fácil, mas ela encontra em seu talento na culinária uma chance de captar suas atenções e ensina-las a acreditar em suas capacidades. Porém mal sabe ela até onde isso pode a levar.

O filme apesar de simples carrega uma atmosfera gostosa de ser assistida. lógico que não há como esperar uma mega produção a nível hollywoodiano, e o filme carece em alguns pontos. Mesmo assim o discurso de persistência e resiliência é motivador.

 

38. Uma produção do Oriente médio – Tempestade de Areia (Elite Zexer, 2016)

Suliman (Hitham Omari) é um pai e marido fiel às tradições praticadas no sul de Israel. Ainda assim mostra-se confidente de Layla (Lamis Ammar) sua filha mais velha que sonha seguir com os estudos e entrar em uma universidade. Enaquanto Jalila (Ruba Blal), sua esposa, cuida dos procedimentos para o casamento do marido com uma segunda mulher, ela descobre o envolvimento de Layla com um garoto da escola.

Por mais que Layla afirme seu amor por Anuar (Jalal Masrwa), este relacionamento jamais seria bem visto, por ele fazer parte de outra tribo. Ela acredita que seu pai a entenderá e lhe dará apoio. Entretanto, ele está cuidando dos acordos para o seu casamento com um homem da região.

Jalila tenta se certificar de que está sempre fazendo o melhor para proteger suas filha, e busca uma boa solução dentro das regras da sociedade. Mas acaba pagando um preço amargo por se expressar. Resta a  Layla se questionar até que ponto ela seria capaz de romper com sua família e embarcar em um caminho sem volta.

O filme carrega muitos elementos culturais interessantes para aqueles que gostam de conhecer sempre um pouco mais. A conclusão do filme da a entender que esses dilemas sempre existirão, e que com Tasnim (khadija al akel) irmã mais nova de Layla, também existirão problemas quanto ao dever e o sentir.

39. Uma produção da América do sul – Medianeras (Gustavo Taretto, 2011)

Essa produção sensível e poética do cinema argentino levanta uma critica sobre o efeito de metropolização e estrutura visual das cidades, da forma como a tecnologia e as invenções criadas para garantir um maior conforto afetam o estilo de vida humano, e como barreiras  de relacionamentos foram levantadas com o passar dos anos.

Martin (Javier Drolas) mora sozinho em um apartamento pequeno, e tem como companhia uma cadelinha deixada para trás por sua ex-namorada. Ele sofre com crises de pânico, e por conta disso passa a maior parte do dia dentro de casa, onde também trabalha como web designer. A internet deu a ele a capacidade ter acesso a praticamente tudo o que ele precisa, porém ele começa a pensar que esta na hora de voltar a se relacionar mais pessoalmente com as pessoas.

Mariana (Pilar López de Ayala) é formada em arquitetura, só que não exerce a profissão, em vez disso trabalha organizando vitrines de lojas, e dessa forma consegue se expressar. Ela voltou a morar em seu antigo apartamento após o rompimento de uma relação de quatro anos. Agora luta contra a incerteza de voltar a se envolver e outros traços de fobia.

Ambos se sentem perdidos e sozinhos em uma cidade grande, dividindo semelhanças sem nem mesmo se conhecer. O filme conta com a narrativa das personagens para sua construção, em meio a reflexões e relatos. Até mesmo o numero reduzido de diálogos parece proposital para reforçar o isolamento.

Por hoje é só 😀
Abraços e Até mais!