Hey! Tudo bem? 😀

Este ano, devido nossa decisão de compartilhar um pouco mais sobre o desafio cinematográfico com vocês, acabamos também tendo mais posts relacionados a filmes. Mas a grande verdade é que todos amamos nos prender a um bom filme, não é?

Filmes possuem um poder tão grande, que por muitas vezes alguns se destacam por marcar uma geração, se tornam porta-vozes de importantes discussões, ou simplesmente inundam recintos inteiros com medo, choros ou risos.

E no meio desses encontros de sentimentos, muitos design encontram em suas artes formas de homenagear ou representar grandes títulos, por meio de seus traços e visões pessoais.

Flore Maquin

Flore Maquin é francesa, trabalha com design gráfico, e é uma  cinéfila declarada. Em seus trabalhos ela costuma destacar ícones do cinema, personagens marcantes ou outras figuras. Ela cria posters com cores vivas, e outros elementos que fazem referencias ao clima dos filmes.

Aqui estão algumas de suas artes que mais me chamaram a atenção, mas você pode conferir a galeria completa de suas ilustrações no site oficial da Flore, ou segui-la no instagram e no facebook.

Tomer Hanuka

Tomer Hanuka é um ilustrador e um artista de quadrinhos, sua lista de clientes incluí nomes de grandes empresas e marcas bem conhecidas. O trabalho de Tomer se destaca a partir de suas paletas de cores, e as composições de ação e cena estampam seus trabalhos.

Em seu site é possível encontrar muitos dos seus trabalhos. Além disso alguns costumam apresentar “duas versões” em cores diferentes. Por lá você também encontrará uma galeria dedicada ao diretor Kubrick.

 

Grzegorz Domaradzki

Grzegorz Domaradzki, Gabz como é conhecido, também já desenvolveu muitos trabalhos. Esse ilustrador da Polônia, apresenta em seu site artes que de certa forma conversam umas com as outras, por meio do padrão de cores e traços característicos que tornam-se assinatura de seus trabalhos. Mais ilustrações, e também alguns passos a passos, podem ser encontrados no instagram.

 

E aí? O que vocês acharam? Conhecem mais algum artista que tem feito trabalhos gráficos incríveis? Conte para nós!

Abraços, e até mais.

Em agosto assisti muitos dos filmes do desafio juntamente com o Gusta. Mesmo usando alguns para categorias diferentes, o convidei para escrever um pouco sobre suas impressões também. Portanto, as categorias marcadas com 🙌🙌, sinalizam a conclusão de nós dois. 🙂

31. Um filme com protagonistas acima de 60 anos. – Frank e o Robô (Jake Schreier, 2012)

Este filme consegue criar de certa forma uma narrativa muito atual, porém em um contexto futurista, onde os robôs aos poucos são inseridos na sociedade como assistentes e os humanos ainda buscam com dificuldade lidar com problemas decorrentes do envelhecimento.

Frank (Frank Langella) infelizmente não está vivendo os melhores momentos da sua vida. Já faz muito tempo que Frank passou a apresentar sinais de mal de alzheimer. Ele mora sozinho em uma casa, e adquiriu sua própria rotina que envolve visitar a bibliotecária Jennifer (Susan Sarandon) e cometer pequenos furtos em uma lojinha local. Mas sua evidente confusão mental tem tornado seus dias ainda mais difíceis.

Com isso, seu filho Hunter (James Marsden) passa a se desdobrar para poder cuidar do pai, porém descontente com a situação ele resolve lhe dar um robô, uma figura que poderia estar mais presente e lhe daria uma melhor atenção. O que não conquista Frank tão facilmente, tão pouco sua filha Madison (Liv Tyler) que é uma ativista e se opõe ao uso de tais máquinas.

As surpresas não param de acontecer, quando enfim Frank passa a ver a máquina como um cúmplice e uma propícia ferramenta para um dos seus maiores planos. O robô por sua vez parece concordar com isso, simplesmente porque percebe que assim seu paciente volta a exercitar sua mente. Logo os dois estão envolvidos em um grande esquema de roubo, pelos velhos tempos de Frank.

32. Um filme nacional premiado pela mídia estrangeira. – Reza a Lenda (Homero Olivetto, 2016)

Escolher qual seria o filme nacional para esta categoria foi uma tarefa difícil. Existem muitos títulos com ótimas avaliações e enredos chamativos. Acabamos apostando no “diferente”, e confesso que rolou uma decepção. (filme disponível na Netflix para que tirem suas conclusões). 🙌🙌

Reza a lenda se passa no Nordeste brasileiro, para ser exato, em meio à região árida da Caatinga. Laura (Luisa Arraes) se vê envolvida em uma série de eventos estranhos após cruzar com uma perseguição a um grupo de motoqueiros e se envolver em um acidente por isso. Ela passa a conhecer o grupo em especial o seu líder Ara (Cauã Raymond) em sua incessante busca pela santa que traria as chuvas de volta ao sertão de acordo com uma profecia.

Os meios para encontrar a santa do milagre acabam pondo o grupo no caminho do Coronel Tenório (Humberto Martins), um homem sem qualquer escrúpulo, destinado a se vingar daqueles que arruinaram sua fonte de renda e mataram seus homens. Mas com o decorrer da história suas ações extrapolam suas justificativas.

O aspecto do surrealismo que foi fortemente vendido com a história, na verdade é ausente. Até ocorre a inserção de um oráculo, de nome Bruxo (Galego Lorde), mas nem mesmo ele é capaz de trazer muita fantasia para o filme, isso acaba ficando mais por conta do estilo dos motoqueiros.

acreditávamos que o filme traria mais coesão, em especial na sua narrativa, que aos poucos se mostra com alguns furos e com boa falta de desenvolvimento dos personagens. Em compensação, o visual do filme é muito bem construído, em momentos lembrando a franquia Mad Max. Em resumo, Reza a Lenda, faz uma tentativa de constituir um cinema de ação brasileiro, porém ainda peca em muitos importantes para a construção do filme.

33. Um filme de detetive – Um Contratempo (Oriol Paulo

2016)

Talvez vocês digam que este não é exatamente um filme de detetive. Mas apesar da figura do investigador não estar presente, a trama e o mistério são tão grandes que não conseguiria deixa-lo de fora da lista. Posso dizer que até agora estou embasbacado com o final, que na minha opinião, não ficou devendo em nada!

E até por conta disso eu não queira falar tanto sobre a história, pois me parece que cada detalhe conta como um spoiler.

O conflito principal não demora muito para nos ser apresentado. O nome de Adrian Doria (Mario Casas) está nos jornais, após ser encontrado em um quarto de hotel, trancado por dentro, com sua amante, Laura (Bárbara Lennie) morta e coberta por muitas notas de euro. Ele é indiciado por homicídio e recorre a ajuda de Virginia Goodman (Ana Wagener) a maior preparadora de defesas da Espanha.

Em seu apartamento, os dois passam a analisar cada detalhe, acontecimentos que os levaram até aquele hotel e as motivações que alguém teria para o incriminá-lo.

No jogo de reviravoltas, e nas muitas versões para um mesmo crime construídas, somos juntos com os personagens tomados pelo pensamento de: Jamais subestime o poder de alguém.

34. Um thriller adolescente – Death Note (Adam Wingard, 2017)

*O filme é uma adaptação de um conhecido mangá, e que também deu origem a um anime. No entanto os comentários aqui não levam em conta essas duas obras, a penas o filme.* 🙌🙌

Sem perder tempo, o diretor Adam Wingard introduz o espectador ao adolescente Light Turner (Nat Wolff), um rejeitado na escola que vende provas prontas aos seus colegas, e fortuitamente encontra o Death Note do título. Não leva muito tempo e o Ryuk (Willem Dafoe) — shinigami, deus da morte —que guarda o livro encontra o garoto e o explica como funciona. Light usa o poder em suas mãos para conquistar a atenção de Mia Sutton (Margaret Qualley), com a qual inicia um romance e um plano de levar justiça ao mundo. A onda de mortes atrai atenção do detetive L (Lakeith Stanfield), que possui um grande faro para pistas e raramente revela seu rosto.

Se parece muita coisa pra um filme, é porque é. O filme é carregado de histórias e infelizmente algumas delas acabam pouco desenvolvidas, e de forma interessante parece ser difícil decidir qual o real tema do filme. O embate entre Light e L, ou o debate moral sobre ter o poder da matar pessoas, ou a busca por Kira — o codinome adotado por light e sua namorada para cometer os assassinatos — ou a própria relação de Light com Mia. Fica uma dúvida aparentemente difícil de resolver, mas a questão que importa é que algumas das histórias rendem ótimos momentos para a trama, outras nem tanto.

O ritmo que o filme assume também chama atenção, já que no inicio tudo parece acontecer muito rápido. E desacelera mais ao meio com o surgimento de L.

Em termos visuais, Wingard acertou em cheio, as cores conversam com as cenas apresentadas. Houve-se um certo exagero no fim de alguns personagens secundários, com mortes surreais dadas por meios desproporcionais, mas basta saber se foi intencional. Em suma, apesar da enorme responsabilidade e de tropeçar em alguns aspectos, Death Note entretém.

35. Um filme com um ator que você não gosta – The Founder: Fome de poder (John Lee Hancock, 2017)

Primeiramente eu gostaria de esclarecer o porquê escolhi Michael Keaton para essa categoria. Eu passei muito tempo analisando algum ator do qual eu não gostasse a da interpretação, porém senti que não queria acabar desmerecendo o trabalho de ninguém. Quando assisti Fome de poder me dei conta que algo no Michael Keaton me incomodava, e que possivelmente vinha de algum personagem mau do qual ele interpretou tão bem, que me deixou com “raiva”. E ao ver este filme, essa sensação se repetiu. Keaton é muito bom em ser cruel. (agora preciso assistir um filme que ele seja legal, para poder mudar essa imagem)

Se você acredita que o império do McDonald’s foi construído graciosamente a partir de um negócio familiar que expandiu, bem, então esqueça isso. Apesar da origem honrada do nome e do sistema de trabalho da lanchonete, a empresa só tomou proporção mundial devido uma série de puxadas de tapetes, e um investidor sem qualquer remorso em dizer que fez o que tinha de ser feito.

O filme é baseado, e centralizado na escalada de Illinois Ray Kroc (interpretado por Michael Keaton). No início o conhecemos como um cara frustrado em seu trabalho, que já apostou em muitos ramos. Após um surpreendente pedido de mixers, que ia muito além de sua demanda, ele resolve viajar até o sul da Califórnia, curioso sobre a origem da ligação. Lá ele conhece os irmãos Dick (Nick Offerman) e Mac (John Carroll Lynch) McDonald, e sua lanchonete revolucionária que atrai filas imensas e atende aos pedidos com prontidão.

Após ouvir dos irmãos a trilha que percorreram até conseguirem erguer tal estabelecimento, Ray se mostra empenhado em fazer com que aquilo cresça ainda mais, e os conversem a deixá-lo ser um franqueador. Com o passar do tempo e o crescimento dos negócios, a imagem inicial que tínhamos de Ray muda completamente. O que resulta em um final amargo e pesado de ser assistido.

Chega ser absurdamente revoltante ver como a imagem de Ray Kroc é assimilada ao sucesso.O longa reforça isso ao introduzir a narrativa do próprio Kroc sobre toda a história no final. Mas, por mais que filme tenha me deixado angustiado, é impossível não reconhecê-lo como uma grande produção, ainda mais se você em seguida parar para pesquisar toda a história na qual foi baseado.

Abraços! E até mais.

Esta é a primeira parte do resumo dos dois últimos meses do Desafio Cinematográfico. Os quatro filmes aqui são referentes ao mês de julho.

Como dito no pelo facebook um tempinho atrás, acabei me atrasando para postar e com isso julho ficou acumulado com o mês de agosto, que teve 5 semanas. Então para que não ficasse um post imenso, e também para que não fosse preciso fazer cortes nos textos, estou dividindo em duas partes. 😉

27. Um filme lançado quando você tinha 5 anos – Matrix (Lana Wachowski e Lilly Wachowski, 1999 )

Nem preciso dizer o peso que este filme tem sob a cultura pop . Pois é, mas ele ainda estava na minha lista de filmes mega-conhecidos que eu ainda não vi. Então nada mais justo que assisti-lo no desafio.

Thomas Anderson (Keanu Reeves) trabalha como programador para uma empresa, e leva uma vida aparentemente normal, mas por trás disse ele é uma habilidoso hacker que mora em um apartamento escuro e bagunçado. Sua vida começa a apresentar estranhos acontecimentos, ao ponto que estranhas visões atormentam sua mente.

Ele passa a ser perseguido por um grupo autoritário que lhes mostra possuir domínio sobre a perspectiva da realidade. Com isso ele também aproxima-se de Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie-Anne Moss), que por outro lado estão dispostos a ajudá-lo e protegê-lo, eles lhe apresentam a verdade sobre o mundo onde vivem: Dentro, uma simulação onde os seres humanos vivem de forma natural, mas por fora um cenário desolador onde seus corpos são usados como fonte de energia para máquinas inteligentes.

Morpheus enxerga Thomas – Neo – como o escolhido, capaz de quebrar Matrix e libertar a humanidade, porém como esperado o caminho não é fácil, e nem mesmo a certeza de que ele possa ser o escolhido mostra-se exata.

O que posso dizer é que amei o universo construído nesse filme, sei que ele possui sequências, mas estou com um com medo do rumo que a história possa ter levado.

28. Um filme que estreou no mês do seu aniversário – Homem-Aranha: de volta ao lar (Jon Watts, 2017)

A figura do Homem-Aranha esteve presente durante muito tempo na minha infância, pelos desenhos, brinquedos e outros objetos colecionáveis. Foi bem legal poder resgatar um pouco disso em julho.

Quem está mais acostumado com o Peter Park da televisão pode acabar sentindo a diferença durante o filme, já que a história foi em partes reconstruída totalmente. No entanto o próprio filme faz várias menções a episódios dos quadrinhos — entre elas uma ligação com o Aranha de Ferro — , e também aos antigos longas do herói.

Se você quiser saber mais sobre o que eu achei do filme, pode conferir por aqui.

29 – Um filme de Guerra – O túmulo dos vagalumes ( Isao Takahata, 1988)

Para os amantes de animações japonesas, as produções do Studio Ghibli pode ser bem conhecidas. Porém, esse filme se põe em contramão na lista da produtora. Não por ser menos conhecido ou de pouca qualidade, mas por deixar um pouco de lado a fantasia presente nas outras animações e apresentar um cenário real, triste, sofrido e de dotado de uma singela beleza.

Em meio aos ataques no Japão durante a Segunda Guerra Mundial, Seita e sua pequena irmã Setsuko buscam sobreviver em uma sucessão de calamidades. Com a convocação do pai para marinha e a ausência da mãe, os irmãos acabam indo morar na casa de parentes.

O convívio não se mostra nada fácil, conseguir alimento para todos é uma tarefa difícil, além disso Seita passa a ser intimado por sua tia a buscar um trabalho ou algo para fazer da vida, com o propósito de ajudar em casa. Seita por outro lado exerce extrema atenção sobre Setsuko, e mostra-se incapaz de abandonar a garotinha.

Pode-se dizer que Setsuko é fiel a sua idade, a personagem é carregada por generosas doses de inocência, além de chorar sempre que se depara com uma decepção, mas também por saber sorrir e brincar quando lhe parece oportuno.

Dado momento, Seita decide sair com sua irmã da casa de seus parentes, rumando para uma vida independente da qual ele precisará buscar seu próprio sustento. Em um esconderijo antiaéreo os dois passam seus dias, colecionando vagalumes a noite para dormir, e buscando formas de se alimentar.

Infelizmente a guerra se mostra cruel não só entre pessoas de lados opostos, mesmo daqueles aos quais esperamos atitudes mais brandas sobre os dois, os hostilizam ou os negam alimento e cuidados, por se preocuparem em manter as próprias vidas em eixo. O filme também acaba por mostrar como o senso de orgulho por mais que seja cultural, pode arruinar vidas.

30. Uma produção da Europa – Die Welle: A Onda (Dennis Gansel, 2008)

O filme foi baseado em um experimento real criado por um professor na califórnia, e que em menos de uma semana tomou uma grande proporção.

No longa a história foi adaptada para o cenário de uma escola Alemã, o que na minha opinião funcionou muito bem para a expansão do assunto. Na instituição os alunos devem optar por duas áreas de conhecimento: O Anarquismo e a Autocracia. Logo de início conhecemos Rainer WengerJürgen Vogel ) um professor entusiasta que mesmo perdendo a oportunidade de dar aulas sobre o anarquismo, empenha-se para fazer das aulas sobre autocracia uma experiência que vai além dos livros didáticos.

Junto com seus alunos o senhor Wenger cria um movimento, que se constrói na medida que a classe faz questionamentos e sugestões. Eles adquirem uma forma própria de se comportar, se organizar e até mesmo de se vestir. O impacto passa a ser ainda maior quando os jovens começam a levar suas idealizações de grupo para as ruas. O movimento certamente apresenta lados positivos, mas também extremidades preocupantes que vão se aproximando cada vez mais do Fascismo.

Na vida real, essa dinâmica em grupo não chegou a ir tão longe, nem mesmo teve um fim tão trágico. Mesmo assim a mobilização dos estudantes surpreende muitos até hoje. A história chegou a ganhar um documentário com relatos do próprio professor.

Recomendo muito este filme por sua história, e também pelo elenco incrível que conta com Max Riemelt e Max Mauff, além de Jennifer Ulrich e Frederick Lau que mandaram super bem em seus papéis.

Logo mais vocês poderão conferir os outros filmes da lista, os quais muito assistimos juntos desta vez.

Até Breve!

Ah! Que saudade de vocês!

Muito tempo atrás, em meio a uma conversa com o Gusta, tivemos um estalo de ideias envolvendo formas de continuar falando sobre livros aqui no blog, mas não necessariamente através de resenhas. Um ano se passou, mas a vontade de levar esses assuntos adiante permaneceu viva em nossas mentes.

E aproveitando a data de aniversário do fim da segunda guerra mundial (1 de setembro de 1939 – 2 de setembro de 1945), resolvemos trazer um dos assuntos dos quais havíamos pré selecionado: Livros com protagonizados por crianças (ou jovens) na segunda Guerra Mundial.

*Apesar do tema, a maioria dos livros desta lista não são infanto juvenis*

1. O Menino do Pijama Listrado

Este sem dúvida seria um dos principais livros relacionados por muitos ao ver a temática desta lista. O menino do pijama listrado além de ser considerada a mais memorável obra de John Boyne, também inspirou a emocionante adaptação do diretor Mark Herman, em 2008.

O livro narrado em terceira pessoa nos leva a observar as mudanças que passam a ocorrer na vida de Bruno, com aproximadamente 9 anos, quando ele e sua família deixam Berlim para viver em uma região isolada, graças a uma promoção de cargo dada ao seu pai.

Neste novo lugar, Bruno não possui amigos, tão pouco há o que fazer por ali. Muitas coisas que lhe são apresentadas não fazem qualquer sentido, mas o grande mistério visto da janela do seu quarto é sem dúvida aquilo que mais lhe desperta seu senso de explorador. Através dela ele consegue ver uma enorme cerca e do outro lado várias pessoas em pijamas listrados.

A narrativa se prende ao desconhecimento e inocência do protagonista, o autor chega a trocar certos nomes e palavras, dando sentido ao que Bruno entendia da situação.

As passagens mais difíceis são sem dúvida quando o tão esperado encontro ocorre. Bruno acaba por se aproximar e instalar uma relação de dependência mútua com Shmuel, um garoto de sua idade, curiosamente uma semelhança assombrosa, que vive do outro lado da cerca e veste um pijama listrado.

Porém, Shmuel nos apresenta uma vida dolorosa posta de maneira sutil em suas conversas, das quais Bruno não faz ideia do significado ou chega a duvidar.

Ao mesmo tempo que a carga de inocência de Bruno é explicável ela também acaba por se tornar revoltante e perturbadora e certos momentos. Mesmo assim, é livro que traz muitas reflexões e merece ser lido.

2. Toda luz que não podemos ver

O premiado romance do autor Anthony Doerr (ganhador um prêmio pulitzer ficção) consegue construir uma fascinante narrativa que acompanha o decorrer de vidas que tiveram seus caminhos cruzados pela segunda guerra mundial.

Como foco central, conhecemos Marie-Laure, uma jovem parisiense que perde completamente sua visão em meio a infância. Seu pai, que a cria sozinho, é zelador no Museu de História Natural de Paris, e desempenha um admirável cuidado sobre ela. Como ser capaz de reproduzir todos os detalhes da cidade, cada prédio e bueiro em uma maquete de madeira, para que a filha aprenda a se guiar e ser independente.

Também em foco, acompanhamos Werner, um órfão que junto a sua irmã mais nova Jutta, vive em uma região de minério na Alemanha, para ser mais exato em um abrigo. Seu destino parece não poder seguir outro caminho a não o trabalho nas minas, mas a descoberta de seu talento com o conserto de rádios o proporciona um novo caminho.

Com o avanço dos anos, estes dois jovens se encontram em meio de fugas e perseguições, em lados opostos da história, criando vínculos fiéis e perdendo outros muito valiosos. É inevitável não sentir que ambos se tornam vítimas da guerra.

O livro também é repleto de frases marcantes e momentos de tirar o fôlego. A narrativa te prende pela emoção, e pela sensibilidade do autor. Como já disse tempos atrás acho que eu não saberia resumir a grandeza deste livro, mas você pode saber um pouco mais por aqui.

3. Pax

A fábula escrita pela autora Sara Pennypacker não deixa explicitamente dito que a história se passa durante o período da segunda guerra mundial, mas faz citação a uma guerra anterior dando a entender que a atual, vivida no livro, esteja ocorrendo depois de anos em função da primeira.

O livro tem como principal motivação o vínculo entre Peter, um garoto de 11 anos, e sua raposa de estimação Pax. Logo de início somos apresentados ao grande conflito, quando Peter é obrigado por seu pai a abandonar Pax em uma mata, próxima a uma estrada. Desse ponto a narrativa se desdobra entre a jornada particular de Pax, as descobertas de seus sentidos, instintos e autorreconhecimento. E Peter, que se põe determinado a voltar atrás e recuperar seu melhor amigo.

Apesar da temática infanto juvenil, o livro nos conta a história de uma forma mais lenta, e por muitas vezes com um olhar mais sério. Isso porque ambas personagens acabam se relacionando com a guerra de alguma forma no meio do caminho, o que abre espaço para críticas e reflexões sobre as atitudes humanas.

Os animais com os quais Pax passa a se relacionar possuem inúmeros motivos para não confiar nos humanos, ainda mais quando estes se encontram “doentes de guerra”. O que leva o animal a defender e ao mesmo tempo questionar a lealdade de seu menino.

Peter por sua vez acaba convivendo com uma personagem com cicatrizes físicas e emocionais, deixadas pelo seu tempo de combate. A relação dos dois revela ainda mais angústias presas, que com o tempo ganham suas superações.

Pax é uma história sobre amadurecimento, descobertas, força de vontade e acima de tudo sobre amizades.

4. A menina que roubava livros

Em tempos escuros, onde há morte por todos os lados, o autor Markus Suzak escolhe para nos contar a história da jovem Liesel uma narradora mais do que apropriada, a própria morte. A íntima ligação da morte, aqui transformada em uma simpática senhora, com os tempos de guerra não vem ao acaso.

Assim como muitos outros livros nesta nossa pequena lista, “A menina que roubava livros” lida com a infância destruída e a busca pela inocência, a protagonista Liesel perdeu tudo para a guerra e tem de se refugiar em uma cidade do interior com uma família de desconhecidos, em uma rua de nome Himmel (paraíso).

Lidar com a dureza de Rosa Hubermann, sua nova tutora que exige ser chamada de mãe, parece de início mais um problema na somatória de desventuras da sua vida. No entanto é com Hans Huberman, o patriarca, que ela adquire maior intimidade.

Liesel não sabe ler, tão pouco escrever o próprio nome, e é com a ajuda de seu novo pai que ela passa a aprender o poder das palavras, munida de um objeto ligado a um momento obscuro de sua vida, seu primeiro livro roubado.

Nesta constante espera por uma resolução a menina vê se transformada pela amizade com o jovem Rudy Steiner, um corredor e ousado garoto alguns meses mais novo que ela. Enquanto isso ela encontra refúgio num hábito descoberto somente nestes tempos sombrios, a leitura, ainda mais de livros roubados.

A trama ganha peso quando sua família se vê contrária aos movimentos praticados por toda parte, acolhendo Max, um hóspede que poderia pôr tudo a perder, mas que para Liesel é um caminho a mais para o conhecimento da vida.

Aos poucos descobrimos porque a Morte se encantou pela figura da jovem garota.

Livros para Ler

 

1.Resistência

A obra de estreia da norte americana Affinity Konar fala da relação da gêmeas (ficcionais) Stasha e Pearl com o médico (real) Josef Mengele. Mengele trabalhou ao lado de Adolf Hitler, como uma espécie de responsável pelo campo de concentração de Auschwitz, onde performou todo tipo de experimento sórdido nos prisioneiros judeus capturados pelo regime nazista.

Neste romance, a autora, inspirada por diversos casos reais, cria as gêmeas polonesas Stasha e Pearl, cada uma narrando um capítulo do romance. As duas integram a experiência de Mengele que ficou conhecida como “O Zoológico” na qual crianças judias gêmeas eram arrebanhadas em Auschwitz e sofriam diversos testes extremamente cruéis e antiéticos (diga-se de passagem, muitas das convenções étnicas surgiram para impedir a reprodução de cientistas como Mengele).

Logo no início do romance, as duas gêmeas retratam sua chegada ao campo de concentração e a sua primeira interação com a figura de Mengele. Nesta narração inicial de Stasha vemos uma espécie de amostra do que podemos esperar do restante romance. Através das gemêas, Konar tece uma narrativa envolvente, escrita de forma simples e direta para mostrar um mundo que não se pode dar ao luxo de possuir floreios.

A autora vai direto ao seu ponto tratando da conexão íntima das gêmeas, da forma como elas encontram para se manterem unidas, mesmo tendo sido separadas, da forma da ciência moderna e acima de tudo, onde encontrar bons sentimentos em um mundo cruel, ou seja, como resistir.

2.O Diário de Anne Frank

O mais conhecido relato da visão de uma criança sobre o pavor instaurado pelo regime nazista e a perseguição contra vários grupos, principalmente contra judeus. O livro de não ficção trata-se da tradução dos textos que Anne Frank escreveu em seu diário, acontecimentos reais e sentimentos verdadeiros de alguém que viveu e amadureceu neste cenário.

Em seu diário Anne registrou o cotidiano de sua família, que junto a outra, refugiaram-se em um porão no gabinete em que seu pai trabalhava, ao tomar conhecimento do que sofreriam se fossem capturados.

Anne escrevia com o real intuito de que suas documentações chegassem ao conhecimento público, por esta razão sua narrativa é detalhada e honesta sobre seus sentimentos, em relação com a própria família muitas vezes.

Seu esconderijo acabou por ser descoberto no dia 4 de agosto de 1944, e com isso seu diário acabou nas mãos de seu pai. Em fevereiro de 1945, Anne morreu em um campo de concentração, em Bergen-Belsen.

Seu pai lutou para que conseguisse cumprir o sonho da filha, e assim publicar o seu diário em 1947. Inicialmente com algumas censuras por conta da época, mas hoje, já é possível encontrar edições bem mais completas, que incluem estes textos retirados.

Estas foram nossas indicação e livros dos quais temos interesses em ler. Mas queremos saber se vocês conhecem mais livros dentro deste assunto, e se já leram algum destes, contem para nós o que acharam!

A gente fica por aqui, e até a próxima!

Foto: Ezra Jeffrey

Até aqui uma verdade constante tem se apresentado, a verdade de que a vida é inconstante. E por mais que você busque deixar tudo no lugar, em repouso, no caminho certo, sempre existirão coisas que não dependem só de você.

A vida é como um emaranhado de fios, ou uma cesta trançada — se lhe for mais bonito —, cada linha segue seu percurso até se encontrar com outra, esse encontro forma uma base, ou nó, algum tipo de interação que mantém todo o elemento unido.

Na nossa existência esses encontros podem ser maravilhosos, mas também desastrosos.

Quando isso acontece, passo a enxergar três caminhos lógicos para seguir, ao mesmo tempo que sei que a verdade ligada a cada um deles carrega uma parcela de dor.

Me vejo obrigado a escolher o que devo sacrificar e a que devo me agarrar fervorosamente. Enquanto a face mais sincera da minha mente esboça um sorriso sem graça, dizendo para si mesma que vai ficar tudo bem, mesmo não querendo abrir mão de nenhum dos dois.

Me vejo intimado a não fugir, a lidar com isso, confrontar os erros cometidos por todos os lados dessa infelicidade, e buscar um caminho que não me leve a revivê-los.

E talvez o mais pesado. Aceitar. Aceitar que se foi, aceitar que perdi, que se rompeu, que aconteceu e não pude controlar. E por mais que eu berre, e enlouqueça de frustração, nada irá mudar o passou. Já foi, dói, eu sei.

Mas assim como o emaranhado só conquista sua forma através de conexões, mesmo que confusas, nós só passamos a crescer quando guardamos conosco aquilo que nos faz crescer.

No final, a parte de aceitar só é ruim quando vem acompanhada de acomodação.

No geral as pessoas costumam saber exatamente o que querem para si, e onde querem estar — mesmo que a mente não demonstre com clareza —, mas alcançar isso demanda as vezes mudanças, adaptações e amadurecimento.

hoje me vejo no meio dessas três etapas, ainda cambaleando por conta do tombo que levei, mas convicto daquilo que quero.

Não tenho certeza quanto a isso, mas acho que cresci.

E.Mateus