John Perry acaba de completar 75 anos, e após visitar o túmulo de sua esposa, preparasse para o passo mais drástico tomado entre seus últimos anos de vida – John irá se alistar ao exército.

Mas esqueça a banal visão atribuídas ao exércitos. Estamos falando de algo maior, algo intergaláctico.

Neste universo após uma guerra que desertou povos, um sinal de urgência é instalado sobre os governos terrestres. Existem poucos planetas habitáveis e uma enorme batalhas entre humanos e diferentes raças alienígenas em busca de proteger seus territórios e achar locais para novos colonos.

As Forças Coloniais de Defesa são responsáveis pela organização dos esquadrões de batalha dos terráqueos, e convocam habitantes dispostos a lutar em seu lado. No entanto, algo desperta a curiosidade de todos: Sempre são aceitos recrutas que tenham a partir de 75 anos, e todos que concordam com a ida estão cientes de que não há mais como voltar ou retomar suas vidas na terra.

O autor John Scalzi, desempenha um trabalho por muitas vezes complexo neste livro. A construção dos pensamentos e motivações do protagonista são genuínas, seu encantamento pelas descobertas de um mundo novo acompanham o ritmo de descoberta do leitor.

John perry é um personagem disposto a se lançar para um campo de batalha pois acredita que já não há muita coisa a perder, ele é constantemente movido pelas lembranças de sua esposa e por todo o tempo de vida que percorreu. Logo ele descobre que as coisas não são tão simples quanto pensava, e precisará de muito mais esforços do que imaginado para se manter vivo.

A caracterização é bem trabalhada. Visto que muitas vezes a forma de se comportar, falar e brincar com os outros reflete pensamentos e atitudes dos quais associamos facilmente a pessoas mais velhas.

É incrível como a história cede espaço para assuntos humanos, como a reflexão sobre o valor da vida no período da velhice. O olhar sobre a trajetória de uma vida humana comum, suas ligações e perdas, desejos e limitações. A representatividade e empodeiramento do que seriam “minorias”, ocorre de uma forma natural. Tudo isso sem a perda do clima sci-fi, que por sinal é bem instalado.

A apresentação das raças alienígenas também traz muitas informações completas – suas culturas, rituais de batalhas, doutrinas e religiões – algumas delas pode até parecer levemente inspiradas em algumas etnias reais.

O livro também carrega informações sobre conceitos físicos, que após explicados de forma técnica são esclarecidos com mais simplicidade para o leitor.

John Scalzi é um autor bastante conhecido e que já publicou muitas obras deste gênero literário, porém aqui no brasil ainda é pouco reconhecido.

Deixo apenas um comentário caso você incomoda-se com uma leitura carregado por gírias obscenas, ou insultos corriqueiros: A história passa a apresentar tais elementos a partir de um ponto, onde pode até ser justificado pela personalidade dos líderes dessa voz e pelo aspecto cômico inserido, mas talvez isso não te agrade tanto.

Esta história ganhou outras obras dentro deste universo, somando ao todo 6 romances, mas que podem ser lidos como volumes únicos. Ghost BrigadesBrigadas Fantasmas – que aborda mais profundamente um elemento enigmático mostrado em guerra do velho, deverá ganhar uma adaptação como série, mas ainda não teve publicação confirmada no Brasil pela Editora Aleph.

Guerra do Velho,
John Scalzi.
368 Páginas
Editora Aleph, 2016

Abraços e até mais.

A intrínseca é uma das editora que guardam um lugar muito especial em nossos corações. Ela surgiu em 2007 e depois de um tempo se destacou, ao trazer ao Brasil muitos dos Best-Sellers internacionais de grande repercussão.

Em seu catálogo você encontra títulos como “A culpa é das Estrelas“, “A Saga Crepúsculo“, “A menina que roubava livros“, “Como eu era antes de você“, “Garota exemplar” entre muitos outros títulos que ficaram populares nos últimos anos.

Seu time de autores também é bem forte, contando com John Green, Gillian Flynn, Jojo Moyes – os quais citei entre os mais populares -, Matthew Quick, Rick Riordan e Neil Gaiman.

A intrínseca é uma editora sem selos – e essa particularidade já foi explicada em um momento via snapchat – que acredita que o leitor não precisa se limitar a uma única experiência literária, sendo assim alguém que se fascina por thrillers também poderia gostar de um Y.As contemporâneos e vice-versa, sem buscar distinção de estilos e sim história que lhe chamem a atenção.

Assim como muitas editoras atualmente, essa vem trabalhando muito e ganhando espaço nas redes sociais – facebook, twitter, youtube, instagram, etc -. Investiu bastante em conteúdo diferenciado no snapchat, e recentemente no insta stories, com programações que exaltam a intenção com o leitor, criando uma aproximação entre comerciante e consumidor. ( Aliás, a equipe deles é um amor)

No quesito estética a intrínseca também costuma ser muito caprichosa, os livros são sempre muito bem finalizados e com ótimos acabamentos. Agora eles passaram a investir mais em obras de capa dura, seguindo o modelo de algumas editoras internacionais.

NOSSAS RECOMENDAÇÕES: DESEJADOS E AMADOS

Devido a grande variedade presente no catálogo da editora, alguns gêneros literários acabaram ficando de fora das nossas indicações. Além disso buscamos dar destaque a alguns títulos dos quais não falamos por aqui, mas vocês irão encontrar algumas capas conhecidas.

Confira o que separamos para vocês:

PAX, Sara Pennypacker, 288 páginas: O livro narra a forte relação de um garotinho, Peter, e sua raposa, Pax, que são separados quando o pai do menino é convocado para a guerra e por algum motivo decide devolver a raposa a natureza. A história se divide em duas perspectivas, a raposa descobrindo o mundo selvagem a sua volta, enquanto Peter torna-se determinado a recupera-la. (Saiba mais)

EXTRAORDINÁRIO, R.J Palacio, 320 páginas: Auggie nasceu com uma deformidade facial causada por uma doença. Seus pais o educaram em casa, até o momento em que decidiram o matricular em uma escola de verdade. Extraordinário aborda diversos assuntos relacionados a família, amigos e o olhar que depositamos sobre o próximo, de uma maneira leve e com mensagens positivas. (Saiba mais)

 

O DIA DA MORTE DE DENTON LITTLE, Lance Rubin, 336 páginas: Em uma sociedade onde o dia da sua morte é tão certeira quanto a data de seu nascimento, Denton Little precisa lidar três fatos: 1. Ele terá uma morte prematura, aos 17 anos. 2. Ele não faz ideia da forma como vai morrer. 3. Isto acontecerá “amanhã”. (Saiba mais)

SIMON VS. A AGENDA HOMO SAPIENS, Becky Albertalli, 272 páginas: Simon é um jovem de 16 anos que troca e-mails de forma anonima com um garoto de sua escola, e apesar da segurança com sua sexualidade, Simon não vê grandes motivos para falar sobre isso com alguém. Até que Martin, tem acesso a uma de suas mensagens e passa a chantagear o protagonista. (Saiba mais)

ANTES QUE EU VÁ, Lauren Oliver, 384 páginas: Samantha Kingston é uma jovem popular e privilegiada no colégio, porém tudo isso esta preste a acabar. Em um dia aparentemente comum, sua vida chega ao fim, porém ao abrir os olhos ela volta a reviver este dia fatídico, o que se repete por 7 vezes. Em meio a esse loop ela passa a olhar para a própria vida de outra forma, descobrindo o valor de tudo que esta preste a perder. (Saiba mais)

MOSQUITOLÂNDIA, David Arnold, 352 páginas: Após o divórcio dos pais, Mim Malone é obrigada a se mudar para o Mississippi, longe de sua mãe, onde passa a morar com o pai e a madrasta, e é medicada contra a própria vontade. Quando descobre que sua mãe está doente, Mim decide sair de casa para ir ao seu encontro. O que acaba por ser tornar também uma viagem de autoconhecimento. (Saiba mais)

CLAROS SINAIS DE LOUCURA, Karen Harrington, 256 páginas:  Sarah Nelson tem uma personalidade peculiar. Ela escreve cartas para Atticus Finch, advogado de O sol é para todos. gosta de colecionar palavras-problema em um diário, sua melhor amiga é uma planta e passa seus dias tentando achar sinais de que está ficando louca. Talvez porquê sua mãe a mãe tentou afogá-la quando criança e seu pai seja alcoólatra. (Saiba mais)

TODA LUZ QUE NÃO PODEMOS VER, Anthony Doerr, 528 páginas: O estouro da segunda guerra mundial foi sem duvida um triste fato histórico que atingiu incontáveis vidas. Neste romance premiado de Anthony Doerr algumas perspectivas nos são apresentadas, como a vida do jovem Werner obrigado a lutar ao lados dos alemães, reavaliando constantemente as atitudes tomadas, e Marie-Laurie uma garota cega e parisiense vivendo uma constante fuga, ao mesmo tempo que busca sentir o mundo em sua volta. Inclusive este fantástico livro já foi resenhado aqui no Blog.   (Saiba mais)

S., J.J. Abrams e Doug Dorst, 472 páginas: A  própria editora definiu S. como um livro-jogo. Ao redor da história e do autor do mistério “O navio de Teseu” quatro histórias paralelas se desenvolvem, pelas bordas, por papeis esquecidos no miolo do livros somos apresentados a Eric e Jennifer, dois estudantes que conversam através das margens do livro. Em suma, J. J. Abrams e Doug Dorst conseguem explorar todos os aspectos de uma obra literária construindo um mistério envolvente. O trabalho de editora da Intrínseca que é maravilhoso fica escancarado nesta obra, pelo cuidado em reproduzir e traduzir dignamente cada pequena dica e detalhe que os autores imbuíram ao livro, desta forma sendo bem sucedida em trazer a experiência aos leitores brasileiros.  (Saiba mais)

CAIXA DE PÁSSAROS, Josh Mallerman, 272 páginas: Este Thriller nos introduz a um mundo sombrio que começa a desmoronar quando somente por olhar para o céu as pessoas enlouquecem e são levadas a cometerem atos absurdos. Neste mundo, o leitor acompanha Mallorie, uma jovem grávida que se agarra a uma última esperança para viver em um mundo inóspito e confinado. A narrativa remete a filmes de suspense que forçam o espectador a segurar o fôlego nos momentos mais tensos. Inclusive ontem falamos sobre este livro aqui no blog. (Saiba mais)

OBJETOS CORTANTES, Gilllian Flynn, 256 páginas: Este é o romance de estréia da autora que ganhou notoriedade com “Garota Exemplar”. Gillian nos conta a historia da repórter Camille Preaker, que após ser liberada de uma estadia em um hospital psiquiátrico é empurrada de volta a sua cidade natal para investigar o sumiço de jovens garotas. A escrita de Flynn é crua e até amarga, a forma como ela nos mostra sua personagem é de uma certa decadência, enquanto ela trabalha para um jornal de quinta. De muitas formas é um livro ideal, assim como toda a oba de Flynn para fãs do gênero policial, mas não se engane, essa autora sabe muito bem inverter expectativas e formulas. (Saiba mais)

ALERTA DE RISCO, Neil Gaiman, 304 páginas: Nesta coletânea de histórias de terror, ficção científica, conto de fadas, fábulas e poesias, Neil Gaiman deixa um aviso: eles podem explorar sua imaginação de uma forma assombrosa. (Saiba mais)

BASEADO EM FATOS REAIS, Delphine de Vigan, 256 páginas: O triunfo de Delphine neste livro é enganar o seu leitor, ela não nos expõe o que é real ou não ao longo da narrativa, assim fazendo encarar a nossa própria obsessão com histórias baseadas em fatos reais. Ela brinca com momentos, ao iniciar a sua narrativa logo após a publicação do seu último livro, e introduzindo uma misteriosa amiga escritora de nome L. A autora acompanha o leitor em um mergulho por sua própria cabeça, criando um thriller de suspense psicológico, de onde não temos certeza se é possível sair somente por fechar o livro. (Saiba mais)

LONEY, Andrew Michael Hurley, 304 páginas: Loney é uma praia árida e sombria no noroeste da Inglaterra onde nunca faz sol. Neste lugar, se desenrola a história de Smith um pastor obrigado a enfrentar seu passado sombrio e problemático, quando sua mãe o levou para este mesmo lugar há 40 anos atrás. Andrew Michael Hurley traz descrições pesadas e um ritmo lento que desenvolve a história e o suspense construindo uma atmosfera carregada.  (Saiba mais)

BEM-VINDO À VIDA REAL, Christian McKay Heidicker, 320 páginas: (Saiba mais)

TUDO O QUE NUNCA CONTEI, Celeste Ng, 304 páginas: (Saiba mais)

EU E VOCÊ NO FIM DO MUNDO, Siobhan Vivian, 368 páginas: (Saiba mais)

MATÉRIA ESCURA, Blake Crouch, 352 páginas: (Saiba mais)

QUATRO ESTAÇÕES EM ROMA, Anthony Doerr, 240 páginas: (Saiba mais)

Se você se interessou por algum livro, ficará feliz em saber que nesta semana a intrínseca está com uma promoção em parceria com a Amazon, corra conferir.

Em breve traremos mais editoras para vocês, assim como mais assuntos dentro do universo da literatura. Por isso não deixe de nos contar o que estão achando, e compartilhar o seu amor a leitura conosco.

Abraços e até mais!

Inspirados pela narrativa deste livro, que intercala-se entre o passado e presente, resolvemos apresentar à vocês Caixa de Pássaros, sob duas perspectivas, em uma resenha em conjunto criada pelo Gustavo que leu o livro recentemente e E.Mateus, que concluiu a leitura no começo deste ano. Durante o processo debatemos sobre a história e o quanto gostamos dela.

Fecha os olhos. Cubra as janelas. Tranque as portas. Coloque vendas. Tudo que não está sob um teto apresenta perigo. O céu é a encarnação da loucura humana mais extrema. O medo é constante. Como sobreviver em um mundo desses? Como ter um bebê em um mundo desses? Extinção é a única possibilidade? Esse é o cenário aterrorizante deste romance, essas são as questões que perseguem tanto personagens quanto o leitor, até a última página.

Em “Caixa de Pássaros” somos apresentados a um mundo que decai lentamente, se consumindo em loucura. O que primeiro aparece como caso distante, logo se aproxima e se torna uma epidemia global. A humanidade enlouquece de olhar para fora, o céu se torna perigoso para a humanidade e ninguém sabe o porque. Resta aos sobreviventes a reclusão, se esconder em quartos escuros em uma espécie de volta as cavernas e se privando até mesmo da visão para sobreviver.

Josh Malerman consegue conduzir o leitor, pelos ambientes desolados e sombrios criados, através de descrições táteis e por alguns momentos visuais. É uma forma inteligente de nos fazer adentrar na mente e no corpo das personagens, obtendo uma experiência que vai além da leitura, e que aguça ainda mais nossos sentidos e nossa imaginação. 

Não há escapatória da “Caixa de pássaros” de Josh Malerman, o autor tece a trama narrativa com maestria, encurralando seus personagens em um cenário agoniante, tornando-os frágeis tanto social, quanto psicologicamente. A presença do medo, quase que assume o protagonismo, o medo força ações impensáveis, o medo empurra os personagens em direção ao isolamento, o medo é a única força onisciente na integridade do romance.

Durante a leitura deste suspense minha mente vagava entre a privação da imagem e a dedução de tudo aquilo que pudesse estar ocorrendo diante das personagens.

Essa grande incerteza, juntamente com o clima de alerta instalado, faz com que você passe a temer todos os momentos em que os personagens são obrigados a retirar suas vendas, faz com que uma casa escura com janelas e portas bloqueadas pareça mais segura e aconchegante do que uma manhã de sol do lado de fora.

Josh também soube explorar minuciosamente os efeitos causados por tal pressão psicológica em cima das personagens. Logo de início nos deparamos com Malorie, aflita por ter que tomar a atitude mais perturbadora dos últimos quatro anos, sair de sua morada para encontrar segurança para ela e seus filhos. Crianças que cresceram sem qualquer noção do que seria uma “infância comum”.

Em contraponto, no passado, enxergamos Malorie recebendo e digerindo as notícias sobre um surto fatal que tem atingido o mundo todo com desconfiança, ao mesmo tempo que imagina como lidará com sua gravidez. Observando com estranheza as medidas tomadas pelas pessoas, para se proteger de algo do qual nem elas mesmas sabem o que é.

A tensão aumenta ainda mais, quando por fim ela precisa realizar sua primeira fuga, certa de que algo fora de seu controle está acontecendo. Josh então da sua primeira prova de como é capaz de elevar o nível da história, pondo diante de nós o desespero de uma mulher grávida lançando-se para o desconhecido.

A história da grávida Malorie, que fugindo do medo do mundo externo, procura abrigo em uma casa com desconhecidos, e acaba se tornando ali uma outra pessoa, é o fio condutor que nos guia por esse mundo. Malorie é protagonista por excelência, por fraquezas, por determinação, por persistência, etc…O mais interessante é que Josh não cai no erro de atribuir a Malorie a gravidez como única motivação ao longo da história, e nem de tornar Tom, o “líder’ da casa, personagem inventivo que movimenta a trama em muitos aspectos, o par romântico da protagonista. O que acontece é que os dois criam uma parceria, Malorie confia em Tom, que cuida dela em um momento de extrema fraqueza.

De certa forma o autor também consegue explorar outros comportamentos e princípios humanos – lealdade, altruísmo, confiança, colaboratividade e liderança – pondo todos sob uma provação obscura. Levando o leitor a questionar a integridade de todos os envolvidos, e por uma questão de apego, pressupor um terrível fim.

Fora Mallorie e Tom, ainda somos apresentados a Jules, Felix, Olympia, Don e Cheryl. Os cinco são os outros moradores da casa, nenhum deles se conhece, porém eles parecem compreender a necessidade que aquela época impõe a eles. Fortes laços sociais são firmados ao longo do romance. Josh constrói esse poderoso inimigo comum, despido de qualquer forma, ou traços como a base da relação dos sete estranhos. Existe um tênue equilíbrio entre medo e loucura na mente dos sete personagens; o primeiro é necessário para não sucumbir ao segundo. Para tanto, é necessário manter este inimigo, ou “as criaturas” como é muito chamado, do lado de fora, em separado dos personagens.

O comentário de Hugh Howey (autor de Silo – convidado) na capa faz todo o sentido, caixa de pássaros é um livro para ser devorado, sentido, visualizado, amado e temido. E se você lê-lo de forma ininterrupta provavelmente se apagará e vivenciará tudo em sua volta. Digo isso por ter tido a experiência no começo do ano, quando o li para a maratona literária.

E o desenvolvimento das personagens?

Josh, o autor, controla esse mundo caótico com maestria. Todos os personagens e suas ações constituem um quebra cabeça ideal para a consolidação do desfecho. A forma como Josh consolida cada personagem é extremamente satisfatória e verossímil de forma a nos encaminhar para um desfecho climático.

Cada personagem desta trama trás consigo aspectos próprios de personalidade, fortes bagagens emocionais e históricas, que contribuem muito para o desenrolar dos fatos. O autor soube dar vida a cada um deles, de modo que até mesmo a forma com que se posicionam em uma conversa os diferencia para o leitor.

O thriller trás um final satisfatório?

Com certeza sim. Lembro-me de que antes de comprar o livro, ouvia muitas pessoas dizendo que precisava de uma continuação. Mas na minha opinião foi um bom fechamento. O autor soube manter o clima de insegurança até os últimos minutos, e depois rebater tudo com um suspiro de alívio para as personagens e leitores.

Aliás, a estrutura do livro coloca o desfecho simultaneamente diante dos nossos olhos, porém o faz de forma que é impossível prever como chegamos ali. Quando, nos últimos capítulo desenrola-se o clímax, se instala uma sensação de desespero e desorientação no leitor, que são ideais para quem busca um suspense de qualidade.

Caixa de Pássaros,
Josh Mallerman, 2015
Editora Intrínseca
272 paginas

Super recomendado! Até mais.

Alguém disse uma vez: “Na verdade todas as pessoas gostam de ler, porém nem todas elas encontram o livro certo”. E essa meus caros leitores, acaba sendo uma enorme verdade.

O numero de histórias já escritas, contadas, recontadas, adaptadas e publicadas é imensurável. E no meio de tanta informação acaba por se tornar impossível que nenhuma delas desperte algo em você.

A leitura também é capaz de proporcionar incontáveis benefícios para sua mente, corpo e alma. Ela lhe tira de um lugar e o transporta para outro, lhe faz vivenciar coisas que você não veria normalmente, te torna mais sensível para muitas questões sociais, treinando e seu olhar critico.

E foi pensando na imensidão desse universo literário que resolvemos dedicar alguns dias para este assunto aqui no blog. Queremos compartilhar com vocês algumas das experiências adquiridas até hoje, e ouvir o que vocês têm a dizer também. Além disso, será ótimo se conseguirmos ajudar alguém a encontrar um bom livro que lhe abrirá caminho para muitos outros.

*Em breve este post será atualizado com o material que estamos preparando* 

ESPECIAL EDITORA QUE NÓS AMAMOS:

DICAS!


RESENHAS DA SEMANA:

CAIXA DE PÁSSAROS – JOSH MALERMAN

GUERRA DO VELHO – JOHN SCALZI

Apertem os cintos, e boa leitura.

Antes de passarmos a resenha, um pedido de desculpas é devido ao leitor. Eu havia prometido que resenharia os 11 clássicos e mais um, porém esta resenha ainda se refere ao mês de fevereiro, que não pode ser publicada antes por diversos motivos. Então para mantermos o planejado eu irei postar duas resenhas de clássicos em algum momento, uma do clássico de março e outra do clássico de abril. Então vamos conhecer o livro de aventura que popularizou um gênero e fez corpo a uma era.

O livro deste mês (na realidade de fevereiro, mas eu fiquei enrolando pra postar essa resenha) colocou uma escolha um tanto difícil, uma vez que o catálogo de clássicos de aventura é muito vasto e variado. Porém, um nome se sobressai, Júlio Verne, a forma como ele inventou a forma de contar histórias de aventura ainda é referência, mesmo na era do cinema. Ainda assim, era necessário ir além de Verne, conhecer outros temas e outras mitologias, desta forma, o livro menos conhecido de Sir Arthur Conan DoyleO mundo perdido” vem a mente como um título possível de ser explorado.

Aos que não conhecem, (eu não julgo, afinal sem sombra de dúvidas, Sherlock Holmes e seu colega Watson, acabaram se tornando a maior referência) eu apresento. O mundo perdido narra a história do Professor Challenger, estranho doutor em zoologia britânico , que afirma ter encontrado dinossauros na Amazônia. A partir daí, a sempre muito cética sociedade científica inglesa, o convence a organizar uma expedição para estes confins de mundo, em busca de evidência definitiva e acompanhado de uma equipe.

A equipe aventureira é formado pelo jornalista Edward Malone, que narra a história ao leitor, bem a moda de Watson; pelo Lorde John Roxton, um nobre aventureiro que viajou o mundo e por fim, o Professor Summerlee, o símbolo do ceticismo da sociedade inglesa.

Esses 4 personagens viajam a um platô cravado no meio da floresta, no lugar onde viveriam as criaturas ante diluvianas. E como era de se esperar, a aventura tem resultados, porém eles acabam se complicando a cada passo,desde ficar preso no platô, até encontrar outros seres inteligentes, que podem representar ajuda ou perigo para os cientistas.

Este romance de Conan Doyle não apresenta grandes novidades em relação aqueles de Julio Verne, e foi obviamente escrito de forma despretensiosa. O autor busca uma platéia leiga nos temas do livro, assim criando diversão e maravilhamento com a narrativa.

Apesar de ares de aventura, existem também algumas marcas da sociedade em que este romance foi escrito, que devem ser destacadas e devem ser compreendidas para os leitores atuais. O mais acentuado elemento, é a marca de racismo na personagem de Zambo, um homem negro de origem africana, retratado como fiel aos cientistas, forte e em suma, reduzido a sua forma física, a ele é negado conhecer o platô, porém ele permanece durante todo o romance, esperando os ingleses. Forma semelhante de tratamento recebem os nativos da floresta, sendo reduzidos a carregadores de bagagem, sem qualquer papel na trama. Esta espécie de vocação do homem branco (em especial, europeu) para os trabalhos da intelectualidade e para descobrir o mundo, é comum em livros desta época e não deve pensar sem crítica.

Enfim, o texto de Conan Doyle é crucial para os fãs das grandes histórias de aventura porque condensa todo o espírito de uma época, que pensava em maravilhosas e grandes empreitadas para conhecer todos os cantos do mundo. É um incontestável clássico porque ainda é lido e relido, não somente como uma história infantil, também se transformando em épica série de tv, re-aparecendo em outros livros, como o mais recente ‘Mundo Perdido” de Michael Crichton. Por fim, Conan Doyle foi capaz de criar um imaginário sobre dinossauros que ainda persiste até hoje na nossa cultura.

A edição que li é uma das mais recentes, publicada pela Nova Alexandria. Apesar do tipo de folha, a qualidade do texto e da tradução compensam muito e tornam a leitura uma experiência agradável.

Algumas outras obras que marcaram época e definiram a aventura como gênero consagrado incluem toda a extensa obra de Julio Verne, como “Viagem ao centro da Terra” que foi a escolha do Ton na sua TBR, “Viagem a lua”, “A ilha Misteriosa” e tantos outros. Outro que merece destaque é “No coração das trevas” de Joseph Conrad, apesar de uma história de aventuras já se coloca como literatura adulta e lida com alguns temas sensíveis.

E você? Qual sua escolha para um clássico de aventuras? Quer sugerir algum outro clássico? Comente aqui!

“O Mmundo Perdido”,
Arthur Conan Doyle.
184 peginas.
Nova Alexandria
R$ 23,OO