Foto: Cena do Filme, As Vantagens de Ser Invisível.

Charlie é um jovem fragilizado. Amedrontado pela volta as aulas no ensino médio um tempo depois de perder um grande amigo que se suicidou. Sua cabeça é constantemente atormentada pela falta de sua tia Helen com a qual ele possuía uma forte ligação.

Chalie é um devorador de livros, e sonha em se tornar escritor.

Entre sua família ele é uma peça neutra, por não ser muito de falar, mas sim observar e sentir. As coisas começam a ficar um pouco mais fáceis a partir do momento em quem ele conhece Sam & Patrick, meio irmãos e melhores amigos.

Apesar de mais velhos, e com um ritmo de vida bem diferente da de Charlie, Sam e Patrick acabam por adota-lo e o introduzem à uma vida cheia de momentos significativos.

Nesse meio tempo ele passa a descobrir os efeitos do álcool, das drogas e das relações humanas.

A história é apresentada através de cartas, dirigidas a uma pessoa que Charlie “conhece”, mas esta, por sua vez, nem mesmo sabe quem ele é, por uma decisão dele. As cartas (Capítulos) foram escritas nos anos 1991-92, e o cenário claramente segue essa ordem através da descrição dos ambientes, dos comportamentos e das mídias apresentadas.

A narrativa em forma de carta nos dá uma noção melhor sobre a passagem do tempo, e também deixa o personagem mais intima ao leitor.

Confesso que isso me cansou em alguns momentos, porque em particular gosto de livros com mais diálogos. Porém os detalhes narrados enriqueceram muito a leitura.

Os conflitos com o amor, os amigos, a família, e com sigo mesmo, criam o enredo da história. Por muitas vezes Charlie demonstra ser altruísta, ignorando seus próprios desejos e problemas em pró daqueles que ele ama.

Na minha opinião é preciso ter acima de tudo, um olhar sensível ao ler este livro. O Escritor, roteirista e Diretor de cinema Stephen Chbosky apresenta um personagem que acaba por nos convidar a entrar na mente de alguém que sofre com a depressão. (Eu quase pirei lendo a sua penúltima carta.)

Em algumas resenhas vi muitos criticarem o fato de Charlie não tomar atitudes e ficar vendo a vida passar. Mas na verdade esse não é algum tipo de defeito, ou erro do autor na criação do personagem. Essas características fazem parte dele, da sua personalidade, e de sua sensibilidade em encarar muitas coisas. E ao fim da história, tudo ganha uma justificativa, e você passa a entender melhor as dores de Charlie e os problemas em sua mente.

Antes de ler este livro eu já havia assistido o filme a tempo atrás (que traz Logan Lerman, Ezra Miller, e Emma Watson no elenco). Eu me lembrava de que havia gostado muito do filme, mas não me lembrava muito da historia.

Este livro teve um significado especial pra mim, pelo fato de eu ter passado por coisas parecidas, mas não tão graves quanto Charlie. Por diversas vezes me encontrava entre as linhas e isso mexeu  comigo. Eu consegui absorver mensagens positivas e realmente gosto quando um livro me proporciona isso.

Eu indico esse livro, mas já aviso, você precisará ter paciência com ele. E mesmo que você já tenha visto a adaptação cinematográfica, vale apena ler, pois a história é muito mais ampla e mais significativa em meio as suas cartas ao leitor.

Abaixo, separei algumas passagens na historia, frases de que gostei ou de alguma forma me fizeram refletir. 

“Então, esta é a minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim.”

“Sempre acho que um livro é meu favorito até eu ler outro.”

“Você vê as coisas. Você guarda silêncio sobre elas. Você compreende.”

“― Eu odeio você. Minha irmã disse isso de uma forma diferente de quando falou com meu pai. Ela quis dizer isso pra mim. Quis mesmo.
― Eu te amo ― foi o que consegui responder.
― Você é um anormal, sabia? Sempre foi anormal. Todo mundo diz isso. Sempre disseram.
― Estou tentando não ser assim.”

“É duro ver um amigo sofrendo tanto. Especialmente quando você nada pode fazer, a não ser “estar lá”.

“As coisas mudam e os amigos se vão, mas a vida não pára para ninguém.”

“sei que sou quieto, e que devo falar mais, mas se soubesse as coisas que passaram pela minha cabeça, você saberia o que significou de verdade.”

“E todos podemos nos sentar e imaginar e se sentir mal, em relação aos outros, e culpar um monte de gente pelo que fizeram ou não fizeram, ou pelo que não sabem. Não sei bem. acho que sempre vai haver alguém para culpar.”

“Se alguém gosta de mim, eu quero que goste de mim de verdade, e não pelo que pensam que eu sou. E não quero que carreguem isso preso por dentro. Quero que mostrem para mim, para que eu possa sentir também.”

” Não sei. É tão diferente. Talvez seja bom colocar as coisas em perspectiva, mas às vezes acho que a única perspectiva é estar aqui. Como disse a Sam. Porque não há problema em sentir as coisas. E ser quem você é.”

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