E no dia 17 do Calendário de Natal o que tem? RESENHA DE FILME FRESQUINHO!!

Star Wars sempre foi uma franquia fortemente relacionada aos finais de ano. Alem de muitas das estreias terem ocorrido em fim de ano, a franquia já teve especiais de Natal e sempre foi considerado um grande presente, pelos seus brinquedos e outros produtos que se originaram a partir dela. Não a toa, este já é o terceiro ano que dezembro vem acompanhado de uma estréia relacionada ao universo de Star Wars. 2017 foi a vez de vermos nas telas o episódio VII “Os últimos Jedi“. Nós trouxemos todo o filme em detalhes aqui pra vocês!

PREPARADOS?!

No final de 1977, estreou nos cinemas uma zebra de nome “Star Wars – Uma nova esperança” (Ou como foi chamado a época em terras brasileiras, Guerra nas Estrelas). Não tinha como saber o que o filme se tornaria, havia poucos precedentes para a ficção científica espacial.

Star Wars foi diferente de tudo e justamente por isso ninguém sabia como lidar com esse fenômeno. Lentamente se construía uma estética que viria a sedimentar o visual desse universo, criando uma espécie de marca registrada. Logo, a única forma de responder a pergunta ”Porque nenhuma das naves evoluiu desde os anos 80?” é simples, porque se houvessem evoluído não seria mais Star Wars.

Avancemos para 2017 (exatos 40 anos e 7 capítulos depois) Star Wars foi de azarão para uma marca consolidada, o que era rebeldia se tornou um Império. E agora? Para onde levar isso?

Em 2015, J. J. Abrams mostrou que tanto esse universo quanto sua história principal (aquela da família Skywalker) ainda tem muito a mostrar e podem render. De forma reverente, Abrams levou o espectador de volta “a uma galáxia tão distante”.

Então entra Rian Johnson, a principal cabeça por trás de “Os últimos Jedi”, o diretor já foi descrito por críticos como “um garoto mal comportado deixado sozinho na sala de brinquedos de George Lucas”. De fato, ele trouxe ares novos à franquia; deturpou a bússola moral, colocou em risco conceitos que eram consolidados em pedra desde “Uma nova esperança”, ameaçou destruir o próprio significado de bem e mal. Quase niilista, em certo momento um personagem afirma que “é necessário destruir os ídolos antigos” e em certa medida, o filme toma conta dessa afirmação. As mudanças de paradigma, e o óbvio conflito geracional passam bem o recado de Rian Johnson: é hora do novo, novos personagens, novos conflitos, novos paradigmas e novas histórias.

A mais recente entrada da saga Star Wars gira em torno de um evento único cujas ondas se desdobram por toda a galáxia. Tal evento é o cerco que as forças do lado negro, a chamada Primeira Ordem, mantém em torno da última nave de comando da Resistência. Logo nas clássicas introduções escritas somos informados da dominação absoluta da Primeira Ordem e do esvaziamento da Resistência.

É necessário uma digressão em relação a esse letreiro inicial. Ele te captura mais efetivamente do que qualquer outra coisa já feita no cinema holywoodiano. A peça de John Willians (essa aqui) é perfeita, capaz de puxar até os mais céticos para uma “galáxia tão tão distante”. Eu que sou um forte crente do compartilhamento de experiências creio que essa é uma daquelas que necessitam ser vividas, é necessário estar bem colado na cadeira do cinema para entender.

Porém, essa abertura é umas poucas coisas convencionais em relação à “Os Últimos Jedi”. Em torno dessa mistura de cerco com fogo que se estabelece como evento principal e fio condutor do filme temos as diversas histórias cada uma ligada a um dos quatro novos protagonistas. Rey, que se estabelece a protagonista por excelência e digna representante da continuidade dos Jedi, vai em busca de treinamento com Luke Skywalker, agora um velho calado, isolado, a espera dos seus últimos dias e em constante conflito consigo mesmo. Luke não acredita mais na existência dos Jedi, e de certa forma, perdeu a esperança. Em outro canto da galáxia, o mais bem sucedido piloto da resistência, Poe Dameron, continuamente desafiando as ordens de Leia Organa, ao contrário de seu irmão, Leia é uma forte crente na força, e nos ideais da Resistência que ela organiza.

Aparentemente uma das mais calmas e conscientes personagens na nova saga, Leia joga a todo momento com a impetuosidade de Poe, ora o incentivando, ora o controlando, até mesmo o mantendo no escuro sobre suas reais intenções. Isso se segue até os momentos finais, quando há uma mudança (HEY eu to falando em detalhes, mas nada de spoilers, lembram?).

Por fim, mas não menos importante, Finn, o ex stormtrooper convertido a herói da Resistência. Se é verdade que “Os últimos Jedi” apesar das liberdades, ainda espelha muito da saga original (por exemplo, o treinamento de Rey e de Luke em planetas isolados e por mestre Jedi incrédulos), Finn é um daqueles pontos sem precedentes. O ,agora rebelde, assume para si uma missão de encontrar alguém capaz de se infiltrar na principal nave da Primeira Ordem, onde estaria o todo poderoso Líder Supremo Snoke. Ao longo da jornada, Finn encontra uma outra membro da Resistência, Rose, e de forma interessante ocorre uma conexão muito forte entre ambos.

Finn e Rose simbolizam a força do pequeno, ou do que não teria nenhuma importância (ressoa um pouco a força do pequeno Frodo contra o poderoso Sauron, em Senhor dos anéis). E de certa forma, Johnson brinda ao espectador quase que didaticamente dois personagens que, em outros tempos, seriam meros peões, mas aqui se tornam triunfantes nas suas crenças (o momento que conclui o arco de Finn neste filme é um dos melhores planos individuais de toda a saga, irei falar dele em breve).

Resta lidar com o vilão principal. Kylo Ren não é o novo Darth Vader, e isso é o principal que deve ser dito sobre ele. Todo resto só serve para levar até ai. Logo no início do filme, Johnson já nos manda essa mensagem em alto e bom som, Kylo destrói sua máscara (que foi um símbolo tão forte no filme anterior) e conserta as feridas em seu rosto. Ele deixa de lado a ideia de um vilão a lá Vader, totalmente consumido pelo lado negro. Kylo opta por abraçar o conflito interno (o que torna o personagem muito mais interessante do que um “ctrl + c/ ctrl + v” do vilão anterior), o vilão hesita, repensa, sofre, se arrepende.

Em um mundo pós guerra fria, pós Obama e etc idéias como mal e bem eternos são impensáveis. Inclusive é digno de nota como a atmosfera de tensão deste filme se constrói em torno da incapacidade de se manter em um lado. Luke (que outrora simbolizou a encarnação da jornada do herói) também tem de encarar sua faceta colérica por exemplo, mas mais forte ainda é o visual simbolizado pelo equilíbrio de forças, quase que evocando a imagem do yin/yang.

Os últimos Jedi é um filme completo, reverente (e referente) ao material original mas ainda assim pleno de novidades, Rian Johnson soube criar em cima das expectativas tanto dos fãs quanto de um dos estúdios de cinema mais poderosos do mundo e sai de Star Wars deixando uma marca na saga que já um dos símbolos da cultura norte americana. Resta saber o que nos aguarda quando esta trilogia chegar ao seu ápice em 2019, pelas mãos do idealizador J.J. Abrams.

POR HOJE É SÓ! Que tal fazermos uma coisa diferente? Eu gostaria de escrever aqui alguns parágrafos repletos de spoilers do novo filme. Então combinamos assim, se você ainda não viu o filme, vai lá ver, que é diversão garantida e volta aqui amanhã que além de mais surpresas de Natal, pode conferir a seção dos spoilers.

Se você já assistiu e quer conversar mais um pouco, vamos lá:

Alerta de Spoilers

EU acredito que parte do que foi muito interessante no trabalho de Johnson reside justamente em saber jogar com as expectativas de todos. Ao forçar a Resistência quase a capitulação ou extinção, Johnson demonstra como a linha pode ser borrada entre bem e mal, em um filme onde ninguém está seguro. Quer provar maior disso do que ver vilão e mocinha lutando lado a lado, por um breve momento, onde eles se entendam e seus horizontes parecem alinhados. É uma sensação muito estranha vindo de uma franquia que se consagrou pela oposição entre bem e mal.

Quando finalmente derrotado o líder Snoke (pela força de Kylo/Ben), ou seja, o símbolo de tudo que era antigo sobre as noções da força, Kylo deixa claras as suas intenções, o porquê de estar lutando nessa guerra. O jovem quer dizimar toda a ordem antiga que os oprimia a escolher um lado.

Esta afirmação se conecta diretamente ao flashback da história que explica o seu desentendimento com Luke, e como o antigo herói, e atual mentor pode, sem querer, causar todos os fatos da atual saga. Luke precisa se redimir, como a regra do universo pede equilíbrio, se ele treinou um novo Sith (palavra que estranhamente não é posta nesta nova trilogia), ele precisa treinar uma nova Jedi, assim restabelecendo o equilíbrio do universo.

Antes de encerrarmos de vez é necessário falar de Rey, e a grande revelação em relação aos seus pais. Particularmente confesso que fiquei o filme todo esperando por algo a altura de “Luke eu sou seu pai” (fala proferida por Darth Vader no filme “O Império contra ataca” que altera os rumos da trama na trilogia original) mas isso não veio em momento algum. Ao contrário, somos deixados com a realização de que a protagonista não tem nenhuma descendência ou nada especial, ela é uma pessoa comum, mas ela é capaz de controlar a força como ninguém. Com esta realização passamos a ir além da ideia de que é necessário alguém especial para se tornar o protagonista. Rey não foi escolhida, não tem pais importantes, não é alvo de uma profecia, ela é uma mulher com força de vontade e uma habilidade especial, e somente isso já faz dela digna do protagonismo.

COMENTÁRIOS

Não existem comentários

DEIXE SEU COMENTÁRIO