ATENÇÃO: Este post pode conter informações que sejam consideradas reveladoras para algumas pessoas. Seu objetivo não é estragar surpresas, mas sim dialogar sobre esta fantástica produção.

Se você é aluno de Hogwarts um dos livros cruciais para entender os animais mágicos é “Animais Fantásticos e onde habitam” do ilustre estudioso Sr. Newt Scamander. Já se você (assim como eu) é um trouxa, ou um não-mag, J. K. Rowling volta a abrir as portas do seu mundo mágico para que nós conheçamos as criaturas que inspiraram o famoso compêndio do Sr. Scamander.

Passado pouco mais de meio século antes do bruxinho mais famoso do mundo, “Animais Fantásticos e onde habitam” acompanha o Newt Scamander por uma viagem a Nova Iorque com alguns objetivos misteriosos.

Logo na chegada, ele encontra a cidade em um clima de tensão; do lado dos bruxos estranhos ataques vem acontecendo, do lado dos não-mags uma seita começa a denunciar a presença de bruxos como criaturas malignas. Newt se envolve em uma confusão que provoca com que ele perca sua mala e que algumas de suas criaturas escapem pelas ruas de uma pulsante Nova Iorque da década de 20. Está então dado o cenário para uma corrida frenética, e francamente deliciosa de se assistir, em busca dos bichinhos (e bichões) de Newt e que pode ter consequências obscuras para o mundo mágico como um todo.

(Foto: Fantásticos e Onde Habitam –  Dan Fogler e  Eddie Redmayne)

Eddie Redmayne tem uma sutileza incrível interpretando o magizoologista e ex aluno da Lufa Lufa, se em alguns momentos sua atuação é engolida não é sem querer, pelo contrário. Newt é retratado como um cara qualquer, de tipo tímido, mas basta ele entrar na sua maleta (literalmente) que as cenas são dominadas por ele. Em seu laboratório, Newt está confortável e parece mais confiante, já no mundo exterior ele sempre parece um pouco deslocado e Redmayne passa isso com maestria.

O mais interessante está no fato de que, nesta história, Newt não tem uma conclusão heróica assim como tantos outros “homens comuns” dos filmes. Mas isso eu deixo para que vocês confiram nos cinemas.

No mais, J. K. Rowling, agora encabeçando o roteiro, fez tudo que ela sabe fazer de melhor. Ela criou uma história empolgante, leve e gostosa de se acompanhar, mas que consegue ser muito profunda, quebrando uma diversidade de padrões e formatos que há muito tempo assombram o cinema hollywoodiano.

(Foto: Fantásticos e Onde Habitam –  Katerine Waterston e Alison Sudol)

Por exemplo, assim como ela fez em Harry Potter, ao recusar estabelecer um romance entre o protagonista e a mulher forte da história, que agora é a ex-auror Tina Goldstein (Katerine Waterston). Dentre outras coisas, a própria existência do amigo não-mag cômico de Newt, Jacob Kowalski (Dan Fogler), que é quem efetivamente movimenta a história e também nos oferece uma bela história de romance ilegal. Outro ponto é na representação do poder, ela mostra uma presidente (Mulher e Negra) muito rígida em relação as suas próprias regras, o Congresso de Magia Norte Americano é irredutível em suas perseguições.

*ALERTA DE SPOLERS*

(Foto: Fantásticos e Onde Habitam – Ezra Miller e Colin Farrell)

Porém, o ponto culminante da história, onde Rowling mostra maior audácia tanto para criar um universo coeso, quanto para a inovação são os seus “vilões”. Aqui, diferentemente de em outros filmes aos quais estamos acostumados, o mal não é natural, ou fruto de ações ruins. É até difícil definir o personagem de Ezra Miller como um vilão, ele é um bruxo que reprimiu seus poderes por crescer em uma família que perseguia bruxos, e dessa opressão surgiu um monstro incontrolável, por vezes invisível e disforme. É ele a causa de toda destruição em Nova Iorque. E a sua própria destruição aparece como fruto da incapacidade dos personagens do filme, principalmente os poderosos, de conversarem e também do desejo pela eliminação ao invés da compreensão de tudo que é diferente.

O outro vilão é secreto e abre caminho para que a história continue, mas mesmo ele deixa bem claro seus motivos e como ele também é fruto de um mundo que recorre facilmente as armas antes de tudo.

*FIM DOS SPOILERS*

(Foto: Fantásticos e Onde Habitam – Cena)

Em resumo, “Animais Fantásticos” é uma obra incrível e deliciosa de se assistir. Há muito tempo eu não sentia aquela vontade de ficar dentro de um filme e mesmo durante os créditos fica difícil levantar da cadeira e tirar aquele grande sorriso do rosto.O maior trunfo nesta produção está na inteligência com a qual tudo se encaminha, todos os envolvidos; autora, diretor e nós, a plateia, amadurecemos entre a despedida em 2011 e atualmente. Isso permitiu que ela criasse um filme atraente, maduro, sério, mas que não perde o mesmo encanto que a primeira história de Harry Potter, em um agora longínquo 2001 provocou em uma geração inteira.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Animais Fantásticos e Onde Habitam.
Dirigido por David Yates.
Roteiro por J. K. Rowling.

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