Antes de passarmos a resenha, um pedido de desculpas é devido ao leitor. Eu havia prometido que resenharia os 11 clássicos e mais um, porém esta resenha ainda se refere ao mês de fevereiro, que não pode ser publicada antes por diversos motivos. Então para mantermos o planejado eu irei postar duas resenhas de clássicos em algum momento, uma do clássico de março e outra do clássico de abril. Então vamos conhecer o livro de aventura que popularizou um gênero e fez corpo a uma era.

O livro deste mês (na realidade de fevereiro, mas eu fiquei enrolando pra postar essa resenha) colocou uma escolha um tanto difícil, uma vez que o catálogo de clássicos de aventura é muito vasto e variado. Porém, um nome se sobressai, Júlio Verne, a forma como ele inventou a forma de contar histórias de aventura ainda é referência, mesmo na era do cinema. Ainda assim, era necessário ir além de Verne, conhecer outros temas e outras mitologias, desta forma, o livro menos conhecido de Sir Arthur Conan DoyleO mundo perdido” vem a mente como um título possível de ser explorado.

Aos que não conhecem, (eu não julgo, afinal sem sombra de dúvidas, Sherlock Holmes e seu colega Watson, acabaram se tornando a maior referência) eu apresento. O mundo perdido narra a história do Professor Challenger, estranho doutor em zoologia britânico , que afirma ter encontrado dinossauros na Amazônia. A partir daí, a sempre muito cética sociedade científica inglesa, o convence a organizar uma expedição para estes confins de mundo, em busca de evidência definitiva e acompanhado de uma equipe.

A equipe aventureira é formado pelo jornalista Edward Malone, que narra a história ao leitor, bem a moda de Watson; pelo Lorde John Roxton, um nobre aventureiro que viajou o mundo e por fim, o Professor Summerlee, o símbolo do ceticismo da sociedade inglesa.

Esses 4 personagens viajam a um platô cravado no meio da floresta, no lugar onde viveriam as criaturas ante diluvianas. E como era de se esperar, a aventura tem resultados, porém eles acabam se complicando a cada passo,desde ficar preso no platô, até encontrar outros seres inteligentes, que podem representar ajuda ou perigo para os cientistas.

Este romance de Conan Doyle não apresenta grandes novidades em relação aqueles de Julio Verne, e foi obviamente escrito de forma despretensiosa. O autor busca uma platéia leiga nos temas do livro, assim criando diversão e maravilhamento com a narrativa.

Apesar de ares de aventura, existem também algumas marcas da sociedade em que este romance foi escrito, que devem ser destacadas e devem ser compreendidas para os leitores atuais. O mais acentuado elemento, é a marca de racismo na personagem de Zambo, um homem negro de origem africana, retratado como fiel aos cientistas, forte e em suma, reduzido a sua forma física, a ele é negado conhecer o platô, porém ele permanece durante todo o romance, esperando os ingleses. Forma semelhante de tratamento recebem os nativos da floresta, sendo reduzidos a carregadores de bagagem, sem qualquer papel na trama. Esta espécie de vocação do homem branco (em especial, europeu) para os trabalhos da intelectualidade e para descobrir o mundo, é comum em livros desta época e não deve pensar sem crítica.

Enfim, o texto de Conan Doyle é crucial para os fãs das grandes histórias de aventura porque condensa todo o espírito de uma época, que pensava em maravilhosas e grandes empreitadas para conhecer todos os cantos do mundo. É um incontestável clássico porque ainda é lido e relido, não somente como uma história infantil, também se transformando em épica série de tv, re-aparecendo em outros livros, como o mais recente ‘Mundo Perdido” de Michael Crichton. Por fim, Conan Doyle foi capaz de criar um imaginário sobre dinossauros que ainda persiste até hoje na nossa cultura.

A edição que li é uma das mais recentes, publicada pela Nova Alexandria. Apesar do tipo de folha, a qualidade do texto e da tradução compensam muito e tornam a leitura uma experiência agradável.

Algumas outras obras que marcaram época e definiram a aventura como gênero consagrado incluem toda a extensa obra de Julio Verne, como “Viagem ao centro da Terra” que foi a escolha do Ton na sua TBR, “Viagem a lua”, “A ilha Misteriosa” e tantos outros. Outro que merece destaque é “No coração das trevas” de Joseph Conrad, apesar de uma história de aventuras já se coloca como literatura adulta e lida com alguns temas sensíveis.

E você? Qual sua escolha para um clássico de aventuras? Quer sugerir algum outro clássico? Comente aqui!

“O Mmundo Perdido”,
Arthur Conan Doyle.
184 peginas.
Nova Alexandria
R$ 23,OO

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