Marie-Laure é uma garota que vive em Paris com seu pai – o chaveiro do Museu de História Natural de Paris – e que por conta do agravamento de uma doença acaba por perder a visão ainda muito nova, aos 6 anos de idade.

Seu Pai, Daniel Leblanc, não mede esforços para garantir o bem-estar de sua amada garotinha. Com o tempo ele se dedica a construir uma maquete de toda a cidade, reproduzindo em detalhes as ruas, casas e bueiros, e incentiva Marie-Laurie a estuda-la ao ponto de poder gravar todos os locais em sua mente e assim andar confiante pelas ruas.

Por conta do trabalho seu pai acaba por a levando consigo todos os dias até o Museu, onde cria uma ligação com outros funcionários e seus respectivos empregos. Marie-Laurie também ganha de seu pai um exemplar em baile de um livro cuja história lhe acompanhará por toda a vida.

Por volta de seus doze anos, sua vida sofre um grande impacto com a ocupação dos nazistas a Paris. E junto de seu pai, ruma para outra cidade em busca de segurança, portando um segredo que os deixa em maior risco ainda.

Werner Pfenning por sua vez, é um órfão que mora em um lar para crianças com sua irmã Jutta na Alemanha, para ser mais exato em Zollverein, e estão sob os cuidados de Frau Elena.

Desde pequeno ele teme seu provável destino: Trabalhar nas minas de carvão, tal como seu pai.

Certo dia ele encontra um rádio quebrado, e se empenha a concerta-lo. Nasce assim sua paixão pela mecânica, e seu desejo de aprimorar o velho aparelho que passa a entreter as outras crianças, especialmente sua irmã Jutta.

O talento de Werner logo é reconhecido, e assim lhe é apresentada uma oportunidade de deixar aquele local tão precário e ingressar em uma escola militar. Porém ao ponto que ele passa a conhecer os métodos de ensinos e ideais nazistas presentes na escola, ele também passa a se questionar sobre sua própria integridade.

O autor Anthony Doerr, conseguiu criar uma atmosfera incrível com este livro. Desde a narrativa sob a perspectiva de Marie-Laurie que não enxerga, até mesmo os conflitos observados por Werner em meio à guerra e as tomadas por território.

A narrativa em terceira pessoa, transita entre o “presente” e o passado. A linguagem é rica e de fácil compreensão, mesmo obtendo algumas palavras em francês e frases em alemão.

É um livro que consegue destacar a beleza e esperança mesmo estando dentro de um cenário tão frio e triste como o da segunda guerra mundial. E isso quase sempre ocorre por meio da relação entre os personagens, e suas batalhas afim de zelar por aqueles que amam.

A construção dos mesmos também fascinante. Visto que a história ganha ramificações partindo das duas histórias principais, adicionando a todo instante novos personagens, cada um com sua própria bagagem emocional. Até que por fim, se cruzam.

Particularmente, gostei da forma como o autor desenvolveu a influência do regime nazista sob as crianças alemãs daquela época: Uma imposição para alguns, admiração para outros, e questionável ao resto.

Apenas uma coisa me deixou com uma pontinha de desapontamento. Claramente entendi que o objetivo do autor em prosseguir com a história mesmo após os grandes acontecimentos foi uma forma de explorar os traumas deixados pela guerra nos personagens. Porém senti que isso se estendeu um pouco demais. – Apenas um sentimento pessoal.

Toda Luz que não Podemos Ver foi vencedor do Prémio Pulitzer de Ficção em 2015. É um livro que vale muito a pena ler, e que traz mensagens fortes e poéticas. E certamente se eu fosse continuar contando tudo aquilo que fascinou durante a leitura, este post não ficaria pequeno.

Toda Luz Que Não Podemos Ver,
de Anthony Doerr, 2016.
Contém 528 páginas.
Publicado no Brasil pela Editora Intrínseca.

Abraços, e até mais.

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