O Livro se sustenta em uma narrativa de terceira pessoa, como se um amigo tivesse lhe apresentando a história ao mesmo tempo que comenta e detalha todos os fatos.

Logo no começo, antes mesmo do primeiro capitulo, recebemos uma nota sobre o desfecho da história. Que fez com que eu me perguntasse durante toda a leitura: Como aquilo poderia acontecer?

Rainbow Rowell soube trabalhar muito bem com a ambientação, puxando para a trama vários detalhes característicos dos anos 80 (A história se inicia em agosto de 1986). Como a paixão de Park por música punk, sua coleção de gibis heroicos, os carros dos pais,  além dos lugares frequentados pelos protagonistas.

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Eleanor é uma menina extremamente simples, porém de muita personalidade. Ela vive em uma casa humilde, e vivência situações de tensão todos os dias. Precisa dividir um quarto pequeno com seus quatro irmãos, uma menina – dois meninos – e um bebe. Além de ter que lidar com o padrasto nada amigável e uma mãe submissa.

O livro explora esse relacionamento abusivo com certo cuidado, deixando algumas coisas subentendidas e outras explicitamente faladas. É impossível não se revoltar com a negligencia de Richie (o padrasto) e seu comportamento opressivo.

Por vez, a mãe de Eleanor prefere ignorar todos os fatos, acreditando que possa existir bondade e empatia em meio ao temperamento do marido.

Sem dúvida todo esse cenário de caos fez com que ela se desenvolvesse como uma garota fechada, que se contenta com o pouco, e reclusa à relacionamentos. A escritora soube dar-lhe os sentimentos na medida certa. Em alguns momentos percebi que estava cansado da personagem introvertida e ríspida, mas todas suas atitudes são justificáveis.

Park não precisa lidar com grandes problemas, ele passa por desavenças com seu pai, mas no geral sua família é considerada perfeita comparada a de Eleanor.

A mãe de Park é coreana, o que faz dele mestiço. Por trabalhar com embelezamento, a aparência e o jeito de Eleanor a incomoda de princípio. O que de certa forma também causou estranhamento ao garoto, já que Eleanor costuma usar roupas masculinas por conta do sobrepeso e usa coisas inusitadas como ornamento.

A princípio ele demonstra ser o tipo de pessoa que se incomoda com o que os outros vão pensar, se preocupando em manter uma imagem para os amigos e família. Esse é apenas um dos muitos pensamentos que Eleanor remove de sua mente.

Particularmente gostei muito da forma como Rainbow soube conduzir o romance, pois os personagens vão se conhecendo se encantando um pelo o outro gradativamente. Outro fato que se destaca é o modo como eles costumam se dirigir um ao outro no princípio.

Me lembrou muito de como foi gostar de alguém pela primeira vez, do jeito abobalhado, da voz gravada na cabeça, e de como um simples olhar ou um toque são capazes de te desarmar.

A autora também trata sobre as descobertas comuns da adolescência, sobre o despertar do corpo, e questões de sexualidade, sobre o amadurecimento e a individualidade.

Eu não sei bem se foi um problema dessa edição que li, mas alguns pontos da tradução ficaram confusos.

Acredito que por diversos momentos a autora quis refletir o modo de pensar e o comportamento das pessoas naquela época, o que acabou trazendo alguns trechos sobre questões étnica, e alguns comentários dispensáveis.

Seja como for, esse romance não foi considerado um Bestseller do New York Times à toa.O livro irá te proporcionar incontáveis reações durante toda a leitura, te pondo na pele de pessoas que mesmo sob uma vida conturbada precisam aprender a nunca desistir do amor, e não perde as esperanças.

Antes de encerrar esse post, gostaria de compartilhar com vocês essa musica linda, e viciante, composta pela booktuber Jenna Clarek inspirada pelo livro.

Um forte abraço, e até mais!

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