Foto: Nicolas – Fotografandos

Looking for Alaska foi o primeiro livro de Jhon Green a ser publicado, e por coincidência é o primeiro dele que li.
Logo de cara conhecemos Miles, um garoto “um tanto nerd” e absurdamente sem amigos, que ama ler biografias em busca de ultimas palavras. Porém ele não demonstra estranhar essa rejeição, por isso está fortemente motivado a  ir em busca do que ele chama de “O grande Talvez“, algo que ele não sabe o que é, mas será de grande importância, e capaz de mudar sua vida. Por  conta disso ele decide ir morar/estudar em  Culver Creek, um colégio interno no qual seu pai estudou.

Em alguns momentos do livro, Miles não me pareceu assim tão interessante, mas aos poucos você acaba pegando um afeto por ele. Diferente dos personagens “secundários”, os quais você ama assim que eles entram em cena.

Chip Martin (Coronel), por exemplo, é o colega de quarto de Miles, no começo você não sabe muito bem “qual é a dele”. Mas ele se mostra ser um personagem incrível, engenhoso, bem humorado, durão e até mesmo sensível, e foram essas características que o tornaram para mim, um dos melhores na trama. Além disso, ele é reconhecido como o Rei dos trotes, algo consagrado em  Culver Creek.

Takumi. Poderia resumi-lo em uma frase: “-Eu sou a maldita raposa… Ninguém pega a raposa.” Um mestre na arte da improvisação, ele acaba sendo engraçado grande parte das vezes em que aparece na historia.

Lara Buterskaya, uma garota tímida, sem nem uma experiencia para certos assuntos, mas faz o possível para compensá-los. É amiga de Alasca, que por sinal da uma forcinha pra ela desencalhar. Ah é, ela é da Romênia e tem um sotaque engraçado. (era inevitável ler sem tentar imitar o sotaque.)

Mas afinal, quem é Alasca?

Alasca, não chega ser exatamente a personagem principal, apesar da historia girar grande parte entorno dela.
Bem humorada, “pervertida”, Inteligente, Boca-suja, extrovertida e quieta. Alasca Young, é uma garota de muitos contrastes, e suas atitudes são muitas vezes imprevisíveis. Dona de um coração ferido, por um triste acontecimento do passado, Alasca acaba por acrescentar na historia um mistério, com ‘por quês’, ‘o que’, ‘onde’ e ‘quando’. E apesar dela mostrar todos os motivos validos para não se relacionar com alguém como ela, você acaba se encantando por pequenos detalhes em sua vida, que fazem diferença.

Vale apena?

Acho que sim, o livro tem uma leitura bem fácil, e a narrativa que John Green da à historia é bem detalhada, ao ponto de você realmente conseguir visualizar todo o prédio da Culver Creek, e a fisionomia das pessoas. Os personagens também são bem construídos, cada um com sua própria essência.

O livro deixa boas mensagens como: é preciso sair da sua zona de conforto para presenciar mudanças. – Certas atitudes precisam ser tomadas. – Perdoar a si mesmo e aos outros é fundamental para seguir em frente. – E não sabemos o que se passa na cabeça de cada pessoa.

Imagem: HarpyMarx

Algumas frases que destaquei:

 “Amai teu vizinho pervertido/Com vosso pervertido coração”

Chega uma hora em que é preciso arrancar o Band-Aid. Dói, mas pelo menos acaba de uma vez e ficamos aliviados.

“Passamos a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos escapar e em como será legal. Imaginar esse futuro é o que nos impulsiona para a frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente.”

“Mas que diabos significa “instantâneo”? Nada é instantâneo. Arroz instantâneo leva cinco minutos, pudim instantâneo uma hora. Duvido que um instante de dor intensa pareça instantâneo.”  

“Não posso ser uma dessas pessoas que ficam sentadas falando que pretendem fazer isso e aquilo. Eu vou fazer e pronto. Imaginar o futuro é uma espécie de nostalgia.”

“Se ao menos conseguíssemos enxergar a infinita cadeia de consequências que resulta das nossas pequenas decisões. Mas só percebemos tarde demais, quando perceber é inútil.”

“Você não pode me mudar e depois ir embora.”

“Eu queria ser uma dessas pessoas que têm uma sequência a manter, que chamuscavam o chão com sua intensidade. Mas agora pelo menos, eu conhecia pessoas desse tipo, e elas precisavam de mim como um cometa precisa de uma cauda.”

“Pois, sim, vou esquecê-la. Aquilo que é construído desmorona imperceptivelmente devagar. Vou esquecê-la, mas ela perdoará meu esquecimento, assim como eu a perdoo por ter se esquecido de mim.”

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