Agora uma pausa no clima de terror…

Oi internet, eu sou o gusta 🙂

E esses dias eu fui assistir Les Miserables (em português, Os Miseráveis ou Les Mis, pros íntimos) o musical que é um verdadeiro gigante da Broadway estreou no Brasil em Março, logo ali no Teatro Renault em sp, mas só agora eu pude ir conferir.

Foto: Teatro Renault – Gustavo Sivi

Para os que não conhecem, a história é baseada no livro de mesmo nome escrito por Victor Hugo em 1832, que é uma verdadeira obra fundamental da literatura européia (apesar do tamanho assustador). O musical carrega seu espectador, assim como Hugo no romance original, por um verdadeiro passeio dramático pela sociedade francesa do séc XIX.

A peça fundamental da história é Jean Valjean, um homem que decide mudar sua vida após ser liberto de 20 anos de serviços forçados, porém para isso ele tem de fugir da implacável justiça incorporada pelo Inspetor Javert. Sua história se entrelaça com a de Fantine, que é forçada a entregar a Valjean o direito de cuidar da sua filha pequena, Cosete que estava sob guarda do maldoso casal Thenardier. A história nos leva a 9 anos, a beira de uma nova revolta na França, onde todas essas histórias se entrelaçam e tem seu ápice quando essa Insurreição estoura na capital francesa. Quanto essa parte melhor não comentar muito pra evitar spoilers

Foto: Teatro Renault – Gustavo Sivi

Assim como grande parte dos brasileiros puderam conferir, eu conhecia o musical através do filme de 2012 dirigido por Tobe Hooper. Que não se cometam enganos aqui, o filme é incrível e capaz de agenciar várias técnicas do cinema para contar essa história tão cercada de fúria e drama. Porém é impossível não sentir arrepios quando, antes mesmo das cortinas subirem a orquestra executa os temas principais que nos acompanharam no desenrolar de tantas histórias no palco, é impossível não se emocionar com algumas das mortes difíceis, seguidas de cenas de intensidade física e altíssima qualidade musical. A sensação sem dúvida é incomparável.

Foto: Les Miserables – Teatro Renault – Gustavo Sivi

No primeiro ato acompanhamos a história se armar, os diversos personagens tomam seus lugares e demonstram a que propósito estão ali. Destaco especialmente os antagonistas Valjean (Leo Wagner) e Javert (Nando Pradho) e seus respectivos intérpretes que interpretam e cantam com absoluta perfeição (em especial, Nando Pradho,que domina cada nota e cada expressão de do impassível Javert). O primeiro defende sua redenção através das boas ações, mesmo que tenha fugido da rígida lei do mundo, o segundo representa justamente a implacabilidade desta lei, e vai até o fim para se fazer cumpri-la.

Ao final deste ato, conhecemos também os “Amigos do ABC” o grupo responsável pela organização da Insurreição que é liderado pelo obstinado Enjolras (Pedro Caetano) e então o musical entrega um dos seus momentos mais altos e sem dúvida um dos maiores clássicos da Broadway, “Só mais um” (One Day More)

Toda a tensão que esta incrível música gera na mente do espectador é carregado pelo segundo ato e os desfechos que ocorrem no palco, vemos os destinos dos personagens e a obra se mostra mais do que nunca um verdadeiro testemunho da sobrevivência humana. A potência visual da peça somada a potência das letras e músicas, uma orquestração capaz de deixar o espectador sempre angustiado, prendem por cada segundo, inclusive levando a fortes emoções na platéia, com suspiros de angústia garantidos. A última hora do musical parece se desenrolar em apenas 10 minutos, tal é a capacidade da história. Quanto mais nos aproximamos do final, a música mais e mais se mostra o meio perfeito para expressar o espírito de uma época a sombra da Revolução Francesa quando as misérias do homem ainda são tantas e tão pungentes.

Esse “monstro” absoluto da Broadway recebeu, nessa segunda produção brasileira, tratamento indefectível, capaz de emocionar até mesmo o mais duro dos corações. A complexidade da cenografia que se desenrola no palco e a maestria das interpretações (que em certos momentos dispensam todo e qualquer cenário ou produção ao seu redor) em nada devem a versão original e se tornam os veículos ideais para transmissão da mensagem tão importante saída da pena de Victor Hugo para os palcos. Mais do que nunca precisamos dos ideais revolucionários de Enjolras e seus “Amigos do ABC” que buscavam nada além de democracia e justiça.

“Les Miserables” estreou no Brasil em Março desse ano, e mesmo que já tenham havido todas as apresentações de imprensa, muito já tenha se falado e o musical já esteja entrando na sua reta final em relação as apresentações, se você puder ir, eu recomendo fortemente que não perca essa oportunidade, afinal enquanto houver miséria é necessário que falemos de “Os miseráveis”, como disse o próprio Victor Hugo.

       “Os miseráveis” fica em cartaz até dezembro deste ano no Teatro Renault (Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – República, São Paulo – SP, 01317-000) com sessões às Quintas, Sextas, Sábados e Domingos.

Mais informações : http://premier.ticketsforfun.com.br/shows/show.aspx?sh=LESMISERUB

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