Olá internet, eu sou o Gusta 🙂

Eu trouxe pro blog a ideia do rolê cult, que desde o começo foi sobre se aproximar, trocar experiências mesmo estando tão longe. Na prática o role cult busca trazer boas indicações do que fazer em Sp (por causa do orçamento reduzido) que possa trazer experiências marcantes. Porém, o role cult tenta significar muito mais, ele tenta aproximar experiências de duas pessoas ou até outras que nunca se viram antes, mas que podem se reunir em torno da mesma ideia, evento enfim das mesmas sensações.
Eu fiz toda essa introdução porque hoje vou falar justamente de experiências e sensações únicas, mas vou tentar aproximá-las de vocês tendo o rolê como ferramenta. Em se tratando da forma como a arte pode nos provocar experiências eu nunca tive melhores do que quando, literalmente, estive dentro da arte de Lawrence Malstaf na exposição “poética da imersão”, cujas obras foram trazidas ao Brasil pela “FILE solo” e estão expostas no CCBB, no centro de São Paulo, ali do ladinho da Sé.

O prédio, antigo prédio que hospedava a primeira agência do Banco do Brasil em SP, foi transformado em espaço cultural e agora abriga as mais diversas exposições, cinema, teatro, enfim um centro cultural completo que ainda guarda traços do banco original (como o subsolo onde ficam as enormes portas do cofre). Se vocês como eu gostam de turistar, só o prédio já é motivo suficiente pra passar por lá. Se somado ao prédio, acrescentarmos as obras do belga Lawrence Malstaf que sempre trabalha numa temática da imersão, é uma visita quase obrigatória.

A própria FILE (Feira Internacional de Linguagens Eletrônicas) que acontece sempre nos meses de outubro e dezembro, tem uma enorme capacidade de atrair qualquer público porque geralmente as obras apresentadas dobram os limites entre arte e tecnologia. Agora, o novo projeto, da feira, o FILE solo traz os destaques de um só artista, e Malstaf não poderia ser melhor escolha.

Diferentemente de outras exposições, por todo o prédio estão espalhadas somente seis obras, mas tais obras são verdadeiras instalações complexas e desenhadas, associando arte e tecnologia, com um objetivo simples, forçar o visitante a se ver, a ter novas experiências e permitir que o visitante saia por alguns momentos da própria realidade.

(Talvez seria interessante ao leitor que se propor a visitar a exposição não ler daqui pra frente, tendo a oportunidade de explorar a exposição, sem influências.)

A primeira obra é por completo uma experiência individual. O artista recria algumas obras do pintor Francis Bacon usando a imagem do visitante. A instalação é simples, uma sala escura, uma cadeira e um espelho em frente a cadeira. O visitante se senta e aperta um botão ao seu lado para dar início a experiência. O espelho inicia a vibrar, efetivamente provocando fraturas na imagem, que se divide e se multiplica saindo ao nosso controle. Não há fotos aqui dessa instalação, é necessário estar lá para sentir.

A segunda obra convida a uma performance. O visitante pode literalmente ser embalado à vácuo em uma plataforma de plástico e aço gigante, que é fechada por um compressor de ar, assim sendo a pessoa fica lá dentro.

A terceira instalação deste andar merece atenção especial. Se constitui de duas esteiras colocadas lado a lado, porém que rodam em direções diferentes, á meio caminho de ambas existem dois espelhos colocados na horizontal, que sobem e descem na direção do visitante de forma quase aleatória. A obra de nome “TRANSPORTER” se propõe a levar o visitante de um lado para sala e depois de volta.

A última obra da exposição, está no saguão do CCBB e já impõe certa experiência ao público. Uma espécie de túnel de vento cheio de bolinhas de isopor, que quando ligado simula uma tempestade. “O observatório Nemo” é uma máquina grande e barulhenta, e que ao contrário das outras, que o refletem, seja de forma objetiva ou fragmentada, esta acaba por embaraçar a visão colocando o visitante bem no olho do furacão.

A exposição de Lawrence Malstaf, “a poética da imersão” ainda fica em cartaz até 18/9 no CCBB (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro). Vocês vão topar essa experiência? Ou já toparam? Conta pra gente o que achou!

Em tempo….

O CCBB como centro cultural é tão completo, que é impossível fazer uma coisa só. Também aconteciam simultaneamente a “poética da imersão” dois outros eventos. O primeiro, no subsolo, a mostra de videoarte da artista Berna Reale que não pude visitar. O segundo, o premiado e internacional festival Anima Mundi 2017, que tinha algumas sessões no centro cultural também , além de convidar o visitante a fazer as próprias animações no zootropo.

O festival Anima Mundi tem como objetivo reunir os diversos profissionais de animação em torno da ideia de contar histórias e entreter o público. Eu tive a oportunidade de conhecer uma sessão da mostra “Novos Olhares” apresentando novos estudantes e animadores ao grande público, muitos dos quais tinham seus primeiros trabalhos sendo exibidos.

Infelizmente o festival desse ano já se encerrou, mas ano que vem tem mais. E vocês? Já conhecem o Anima Mundi? São espectadores fiéis?

Se você gostou desta forma de trazer arte e cultura, fala pra gente assim podemos trazer cada vez mais 😉

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