Antes de tratar desta peça propriamente dita, eu gostaria de falar um pouco de teatro musical como um todo. Cores vibrantes, um ritmo pulsante, uma história envolvente, que compele as emoções e arrasta o espectador para a trama. É impossível não se engajar, não ficar cantarolando as músicas por um bom tempo e não se emocionar com as histórias que vibram a paixão de todos os envolvidos e tornam cada sessão única. É por isso que escolhi o teatro musical como um dos primeiros temas do role cult.


Rocky Horror Show é expoente de tudo que foi dito acima, criando ao longo dos anos um grande séquito de fãs. Este musical vai de uma simples piada ou trocadilho ao absurdo de seus figurinos exorbitantes, tudo muito bem costurado por uma narrativa recheada de referencias a ficção cientifica clássica, assinado por Richard O´Brien em 1975.

Foto: Paginas do folheto de apresentação.

RHS conta a história de Brad (Felipe De Carolis) e Janet (Bruna Guerin) , o típico casal norte americano perfeito vivendo o sonho de se casa, eles decidem visitar um antigo professor deles para os apadrinhar. Porém, uma tempestade muda os seus planos e os leva ao castelo do Dr. Frank ‘N Furter (Marcelo Médici), um alien transexual da galáxia Transilvânia que esta construindo um namorado (essa provavelmente foi a frase mais estranha que eu já escrevi) e de seus empregados, os irmãos Riff Raff (Thiago Machado) e Magenta (Gottsha), duas figuras que parecem saídas de um filme de terror barato.

Com Rocky Horror, Richard O´Brien consegue realizar uma discussão sobre o papel da libertação sexual, e ate mesmo do gênero, sem esquecer de mostrar o quão mal vista essa libertação pode ser. A personagem mais interessante é Janet, que passa por um processo de transformação ao atingir seu primeiro orgasmo com o Frank N´Furter, ela se torna mais livre ao longo do musical, enquanto Brad tenta ao máximo resistir. Em tempos onde sexualidade e gênero eram muito vistos como um tabu, Richard O´Brien conseguiu discutir ambos, ainda colocando enormes doses de referencias a ficção científica e aos filmes de monstro.

Foto: Paginas do folheto de apresentação.

Na versão brasileira, Charles Moeller e Claudio Botelho fizeram muito mais do que adaptar o texto para o português. Eles foram capazes de criar em cima disso, trazendo novas referencias (sem desprezar as originais), ao mesmo tempo que se mantiveram fiéis aos elementos que consagraram a peça, por exemplo o visual extravagante. Em suma, respeitando a obra clássica, adaptaram para os tempos atuais, afinal em tempos de crise e retrocessos é sempre bom relembrar a mensagem do Dr. Frank N´Furter:

“NÃO SONHE, SEJA!”

O ápice do trabalho de criação em cima do original, foi a escalação de Marcelo Médici. O consagrado comediante mostra sua habilidade como cantor, alem de se equilibrar em um salto alto durante toda a peça. De quebra, demonstra maestria ao se apropriar do personagem, trazendo brincadeiras com o momento atual, ele prova que fez o dever de casa e pesquisou este mundo que Rocky Horror condensa. Como resultado, foi impossível para mim não sair do teatro com a bochecha dolorida de tanto rir.

Foto: Paginas do folheto de apresentação.

Botelho, como diretor, realiza um trabalho incrível, criando uma identidade visual muito parecida com a peça, que antecede o filme. Com um palco simples, muita visualidade e poucos objetos, dando liberdade para os atores, com destaque para Felipe De Carolis e Bruna Guerin, o casal de mocinhos. Eles estão muito bem e centrados, até a chegada de Frank n´Furter, com uma entrada digna de uma diva ao som da música “Sweet Transvestite”, bagunça completamente a dinâmica em cena e isso provoca os melhores resultados.

Eu ainda poderia dizer muitas palavras sobre Rocky Horror Show, porém um musical tão vibrante, tão louco, exuberante, contagiante e também cult, deve ser experimentado.

 

Rocky Horror Show tem sessões todas as sextas, sábados e domingos até 26/03
 As 21hrs e 19hrs aos domingos – Teatro Porto Seguro
Preço: entre R$50,00 e R$100,00
Clique aqui para mais informações

Ficha Técnica: Rocky Horror Show

Direção Geral: Claudio Botelho
Adaptação: Charles Moeller
Direção Musical: Jorge Godoy
Elenco: Marcelo Médici, Felipe De Carolis, Thiago Machado, Bruna Guerin, Gottsha, etc…

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